Por que atraímos doenças e infortúnios? (vídeo)

O “vínculo” inconsciente que temos a pessoas e situações do passado familiar, muitas vezes desconhecidas, faz com que repitamos dores, doenças, problemas, que de certa forma, sinalizam para a cura que o sistema deseja. Esta é a explicação da constelação familiar. Mas a ciência também começa a encontrar algumas possíveis explicações para a repetição de traumas de geração em geração, através da epigenética. Alex Possato fala um pouco sobre este mecanismo, e a possibilidade de desligar-se dos efeitos destes “vínculos” através do autoconhecimento e terapia.

 

Existem diferentes constelações familiares? (video com Alex Possato)

 

Olá, pessoal! Novo vídeo no pedaço… Existem diferenças nas constelações familiares? Quais são elas? Resolvi falar um pouco sobre este tema, já que tantas pessoas às vezes me procuram e falam sobre diversas formas de constelação que viram… Por que isso acontece? Este é o tema que abordei…

 

 

Constelação Familiar é terapia (video Alex Possato)

 

Neste novo vídeo, Alex Possato explica que, com o desenvolvimento da constelação no Brasil, às vezes perde-se a referência de que constelação familiar sistêmica é terapia. E fala sobre alguns pontos importantes que caracterizam a constelação, como por exemplo, a necessidade de uma questão, um problema com urgência para o início de um trabalho terapêutico.

 

Constelação pode fazer mal? (vídeo)

Oi, gente! Vídeo novo no ar!!! Constelação Sistêmica pode fazer mal? Quais sintomas ocorrem, antes, durante e após o processo? E a vida? Será que muda para melhor? Ou “dá um chacoalhão” antes? É o que abordo, neste vídeo! Bom proveito!!!

Alex Possato

 

Tornar-se facilitador de constelação familiar – parte 3 (vídeo)

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Olá, gente! Este é o último vídeo da série de 3 que separamos no nosso canal Constelação Essencial, no Youtube, dando 4 itens importantes para a pessoa que deseja se tornar um constelador.

Falamos agora dos últimos 2 tópicos que guiam o aprendizado da pessoa que deseja ser facilitador de constelação familiar:
a) O entendimento profundo das Ordens do Amor e das Ordens da Ajuda
b) Laboratório: a utilização da própria vida e das próprias relações como “campo de experimentação” das Ordens e da Constelação Familiar
O facilitador precisa estudar muito, entender, primeiro intelectualmente, e depois colocar em prática as Ordens do Amor:
– Pertencimento
– Hierarquia
– Dar e receber
E as Ordens da Ajuda são as ordens que regem a “ajuda”, o ato de auxiliar o seu cliente, seja você um terapeuta, advogado, assistente social, sacerdote ou outra pessoa que utiliza a constelação familiar sistêmica como instrumento: é importante verificar se estamos realmente ajudando a pessoa que desejamos ajudar, dando força para que ela siga por si mesma na vida, ou se estamos tirando a força, tornando-a dependente e fraca.
E para que possamos entender profundamente as Ordens, é necessário analisarmos a nossa própria vida: nossas relações familiares, afetivas, profissionais, e perceber onde estamos fora do nosso lugar, onde deixamos de ser filho em relação aos pais, ou onde transferimos nossas dores e emoções distorcidas aos nossos filhos. Onde nos percebemos como pai ou mãe nas nossas relações afetivas, deixando de ser parceiros. E assim, podemos ir ajustando nossa participação nas relações, tornando-nos mais leves, mais felizes, mais livres…

Tornar-se facilitador de constelação familiar sistêmica: 4 dicas (video)

E aí gente? O meu mais novo vídeo está no ar! Agora no novo canal do Youtube, Constelação Essencial, criado especialmente para postar muito, mas muito material mesmo sobre constelação familiar sistêmica, constelação estrutural e organizacional, autoconhecimento e terapia! Curta o vídeo! Assine o Canal, que começa a engatinhar!!!

Neste primeiro vídeo explico os itens que influenciam o “despertar” da constelação familiar sistêmica em si – o que pode indicar uma vontade da alma de se aprofundar neste caminho de autoconhecimento. Quem sabe tornar-se um facilitador?

Como me tornei constelador? (vídeo)

Um novo sopro no ar! Tempos de não se esconder… de dar, doar, em nome daquilo que já recebi!!! Relutei muito em começar uma nova fase de comunicação na internet… pensei muitas coisas, mas no fundo, era preguiça… e medo… mas quando a missão é maior que o ego e suas identificações falsas, não há como escapar. Ou faz, ou faz… Vai com medo, preguiça, sei lá… mas vai!!! E aí está! Meu primeiro vídeo, na nova fase de trabalho com constelações familiares, treinamentos, vivências e muita coisa pra compartilhar!!!

Como é o meu treinamento para facilitadores de constelação familiar sistêmica?

constelar

Recebo perguntas e dúvidas de muitas pessoas a respeito do treinamento de constelação familiar. O que é muito natural, afinal, a terapia criada por Bert Hellinger ainda é um bebê, considerando, por exemplo, o trabalho pioneiro de Freud.

Então, para situar você a respeito de “como se aprende constelação”, vamos acompanhar um pouco a evolução da terapia ao longo dos anos. Em primeiro lugar, é importante entender que Hellinger nunca realizou um treinamento de constelação, ou um curso para formação de facilitadores. Ele sempre fazia seminários, e é o que continua fazendo. Nestes seminários, de um, dois ou vários dias, discorria sobre temas, fazia muitas constelações, e em geral o público era expectador do trabalho – embora, se você conhece a constelação familiar, sabe que não existe mero “participante” de constelação, afinal, todos nós entramos no campo e sentimos os efeitos do trabalho ocorrendo.

Os consteladores pioneiros no Brasil participaram ativamente destes seminários, e em algum momento se sentiram capacitados a treinar candidatos a facilitadores. Esse movimento foi espontâneo, pioneiro, e não havia uma regra, um roteiro a ser seguido. De certa maneira, isso ainda continua: o treinamento é livre, não existem órgãos que regulem a constelação sistêmica – nem a prática, nem o ensino.

Minha professora, Theresia Spyra, alemã residente no Brasil, aprendeu com Mimansa Ericka Farn, outra alemã, talvez a terapeuta que acompanha Hellinger a mais tempo – quase 40 anos. Mimansa, assim como Theresa, tinham um método de ensino bem vivencial. As apostilas eram quase que inexistentes, e apesar do treinamento estar dividido em módulos e temas, o trabalho dependia muito do que o grupo apresentava no momento. Dependia muito da fenomenologia, que é a base da constelação: os fenômenos que se apresentam, no “aqui e agora” do trabalho terapêutico.

Eu, especificamente, a partir de 2008, participei de cinco treinamentos de constelação com Theresia. E mais centenas de horas de vivência em grupos de constelação. Depois disso, ainda hoje, participo de seminários diversos, com Hellinger, Sophie, e outros consteladores… considero-me um eterno aprendiz. Assim, em  2012, comecei a desenvolver a minha forma de ensinar constelação, procurando seguir o modelo deixado por Hellinger nesta época: o movimento do espírito, onde as constelações são mais espontâneas, os movimentos dos personagens mais fluídos, o tempo de silêncio prolongado, o uso de frases é pontual, não existe praticamente intervenção no posicionamento dos representantes – como era prática anterior feita por Hellinger, e muitas vezes, não sabemos quem são os personagens que surgem nas constelações. Antes, eram colocados especificamente pai, mãe, filhos, avós, abortos, etc.

A forma de constelar veio mudando ao longo dos anos. Fortemente influenciado por Jacob Moreno e o seu psicodrama, onde as questões trabalhadas eram teatralizadas, e também com influências da PNL – metaposição e linguagem do corpo, de Virginia Satir e sua escultura familiar e em posse das teorias da terapia contextual de Ivan Boszormenyi-Nagy, além de ser psicanalista, terapeuta primal, entre outros caminhos, Hellinger partiu de um modelo mais marcado e dependente da intervenção do terapeuta, para algo mais livre e fluído, onde a atuação do terapeuta é extremamente sutil – e acreditem!-  é muito mais exigente permanecer nesta postura em estado total de presença e permissão. Saiu quase que totalmente do campo do entendimento racional, para o campo da experimentação sensorial e intuitiva. Porém, é importante lembrar: Hellinger é um terapeuta com décadas de estudos e trabalho. Que viajou continentes para estudar e aprender conceitos direto da fonte: por exemplo, estudou análise transacional com Erick Bern. Assim, na minha visão, só é possível permitir efetivamente o Movimento do Espírito na constelação familiar com muito conhecimento terapêutico – não é simplesmente um exercício de “deixar e vamos ver o que acontece”.

As Ordens do Amor na prática

Tenho instruído ultimamente meus alunos a estudar, ler muito. Não somente Hellinger – sim ele é o principal. Mas entender um pouco de PNL, Gestalt, psicodrama, psicanálise, ler Freud, Bern, Lowen, entre tantos outros desbravadores deste campo infinito da psicoterapia. Ainda mais num país onde tantas pessoas possuem sensibilidade extrema, alguns atuando com seus dons mediúnicos de diversas linhas, confundir “as estações” e deixar de fazer trabalho terapêutico para virar aconselhamento ou cura energética é um risco. Às vezes o trabalho até pode ser válido (muitas vezes o é), mas deixa de ser constelação.

E para ser constelação, entender, vivenciar e absorver as Ordens do Amor, teoria base de Hellinger, é fundamental. É neste ponto onde me dedico mais e mais. Embora as Ordens não sejam difíceis de compreender intelectualmente, elas são muito complicadas de praticarmos. Por exemplo: Quantas vezes nos achamos melhores ou mais capazes que nossos pais? Quantas vezes nos sentimos responsáveis por cuidar dos irmãos adultos. Quantas vezes nos apoiamos emocionalmente em nossos filhos? E a questão do estar aberto a receber? Ou fechado para dar? E ainda: quantas vezes excluímos e condenamos ferozmente pessoas que não seguem nossos padrões de crenças?

Instigo meus alunos a perceberem estas situações, e buscarem os pontos emocionais afetados. Não é possível praticar constelação, sem se entregar totalmente às Ordens do Amor. E estar a cada dia melhorando, se abrindo para a inclusão, para a transformação interior. É a minha forma de trabalho. Quando vejo alunos seguindo estas diretrizes, é nítida a modificação na vida deles, ocorrendo: melhores relações, transformações intensas, mudanças, trabalhos novos, a liberdade chegando. Assim, percebo com alegria que este aluno poderá permitir as mesmas transformações na vida dos clientes que atender. Porque a constelação, para mim, não é uma técnica, mas um caminho de vida. E num caminho, podemos guiar somente na região que conhecemos.

Treinar, treinar, treinar

Como vim da escola da Theresia e da Mimansa, o método de trabalho que adotei é bem vivencial. Eu diria 30% de teoria e 70% de prática. E para praticar constelação, temos que trazer nossas questões, nossos problemas pessoais para o campo. Forneço material didático – apostila – bem detalhada, e a cada ano vou acrescentando dados, modificando, porque é importante abastecer o cérebro com conhecimento. Mas a prática de constelação é fundamental. Até porque, para aprender a constelar em grupo ou individualmente, é fundamental colocar-se como facilitador.

O Projeto Incluir é também um diferencial do meu curso. É um projeto sem fins lucrativos, onde os alunos e ex-alunos atendem pessoas da comunidade, clientes com questões reais, e treinam constelar em grupo. Estou pensando em abrir o projeto para o treinamento de constelação individual também. Dessa forma, na prática, o aluno se desafia, se percebe, vê os pontos positivos e os pontos onde precisa se desenvolver, num ambiente muito próximo do que será o seu trabalho de dia-a-dia como terapeuta. E eu supervisiono.

Meditação – o mergulho nas percepções além do pensamento

Deixei para falar da meditação por último, de propósito. Vejo que uma das maiores dificuldades do ser humano é entrar em contato com o sentir. Muitas pessoas “pensam que sentem”, mas estão somente pensando. O pensamento não é sentir. Sentir é corpo. Independe da interpretação que seu pensamento dará. Você pode sentir uma pontada no rim. Um calor nas mãos. O suor no pescoço. A tontura na cabeça. Você pode transcender e sentir paz. Sentir o peito se apertar. Desejo sexual. Formigamentos. Contração ou relaxamento muscular. São milhares as sensações que ocorrem no seu corpo, durante um curto período de tempo.

Para se constelar, aproximando-se dos Movimentos do Espírito, é fundamental sentir, e sair da racionalidade. Sair do “querer entender”, ou do “querer resolver”. Pausar. Fazer as coisas mais devagar. A vida possui um caminho sutil desenhado para cada um de nós, que é o movimento do espírito, e o excesso de pensamento e a ação atrapalha ou impede vermos o caminho.

Sendo assim, treino um pouco de meditação sempre, nos cursos. Geralmente com músicas de fundo. Mas também em silêncio. E oriento o aluno a procurar meditar em outros locais, onde se sentir a vontade. Aprender a desacelerar. Talvez isso possa parecer um pouco incongruente com o aprender – como entender algo sem pensar? – mas eu garanto: é assim mesmo! Você se espantará com a assertividade que existe, quando seguimos este fluir do caminho, e não as respostas prontas que damos através da mente. Neste ponto, a constelação se une ao autoconhecimento profundo. Quanto mais você mergulha nesta forma de percepção, mais você se expande. Mais se liberta. Mais sabedoria percebe em si. Mais resoluções clareiam, magicamente, à sua frente. Menos apego às coisas e pessoas terá. É um caminho que exige perseverança, não há dúvida.

Eu sempre continuo a disposição para incentivar e apoiar todos meus alunos e ex-alunos. Sei que, às vezes, é necessário recorrer à ajuda de alguém. Também estou no meu caminho de sair da mente. De deixar-me guiar. Estou sempre em desenvolvimento – às vezes, com mais clareza, às vezes com menos. Caindo nos meus vícios e neuras, e me reerguendo – e também recorro à ajuda de outros, quando necessito. Por isso, não exijo absolutamente nada das pessoas que fazem o curso, a não ser se comprometerem a andar por este caminho. Alguns vão até onde conseguem e mudam a rota: o caminho do autoconhecimento é árduo, e a desconstrução dos próprios paradigmas é dolorosa. Não faz mal. Estão todos caminhando. Outros insistem – seja porque são perseverantes, ou teimosos, se identificaram ou porque acreditam. E confiam no trabalho que está sendo feito. Não por mim, mas pela constelação familiar sistêmica, da qual me coloco como instrumento – que estará sempre atuando dentro e ao redor de nós, quanto mais permitirmos. Em algum momento da jornada, esta pessoa se perceberá não um terapeuta, mas um farol. Recebe e permite tanta luz que, naturalmente, iluminará a jornada de outros. Sem esforço. Porque é natural.

Acho que é isso que gostaria de falar, neste momento! Um grande abraço pra você!

Tenha um dia cheio de bênçãos!

Alex Possato

Mensagem ao aluno de constelação

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É com muita gratidão que me dirijo a você, que estudou constelação familiar comigo, e compartilhou tantas e tantas emoções, aprofundou-se nas Ordens do Amor e Ordens da Ajuda, chorou, ficou com raiva, moeu-se por dentro e por fora, desconstruiu-se e reconstruiu-se… enfim, confiou em seguir a forma que aprendi com minha professora Theresia, que por sua vez trouxe o ensinamento de Mimansa, esta bebendo na fonte de Hellinger…

Sei que tenho falhado na comunicação com você. Entendo que existe a necessidade de um “pós-curso”, uma supervisão, um aprofundamento, e não tenho suprido essa demanda de forma adequada. O simples fato de enviar mensagens, recados, dicas com periodicidade, não tenho feito. E algumas pessoas me cobram isso, com razão. Eu sempre ensino que o fluxo nos leva, nos conduz, e nos chama para uma responsabilidade. Quando nos colocamos a serviço do cliente, o nosso lado “mãe”, acolhedor, protetor, nutridor, é chamado a atuar. E tenho que confessar que é um desafio “ser mãe”, já que parte de mim talvez ainda odeie a mãe. É lógico que é um lado distorcido. Mesmo assim, prefiro me apegar ao lado “pai distorcido”, e abandonar, virar as costas, só pensar em progresso e esquecer a proteção… Preferia… porque agora estou olhando para isso…

O aprendizado não acaba nunca. De todos nós. Meu também. Assim, quando noto isso, e sou alertado por alguns bons amigos, alunos e clientes, direciono meu foco para a nutrição. Acho que persegui muito fortemente a expansão. Expansão, sem nutrição, acaba. Neste momento, estou colocando foco na comunicação, e disso deverão surgir encontros de alunos, aulas virtuais, canal no Youtube e outras formas de poder estar junto com você. Presencialmente, quando possível, e virtualmente, com constância. A razão do meu trabalho é a energia e cura que passa através da constelação sistêmica. Sou um serviçal desta energia, e você e tantas outras pessoas, o foco deste serviço. Uma nova fase para o trabalho está chegando. Uma nova, desafiadora e excitante fase, tenho certeza! Conto com você, para seguirmos juntos… Aguarde as novidades, e vamos interagir… E que esta energia possa ser multiplicada ainda mais, para todos os cantos! Namastê!

Alex Possato

 

Como se conectar com o cliente individual na terapia de constelação familiar sistêmica

acompanhar o cliente

Acabo de terminar uma série de dois encontros, falando sobre Atendimento Individual em Constelação Familiar Sistêmica. Uma turma em São Paulo, outra em Brasília. E por isso, o assunto está “fresquinho” na minha cabeça. Então, vamos conversar um pouco sobre esta questão – a empatia dentro do consultório, que talvez aflija as pessoas que irão atender um cliente individual, e não tem experiência.

Em primeiro lugar, quero falar de “acompanhar o cliente”, ou seja, estabelecer uma relação de confiança, de afinidade, empatia. Quando podemos estabelecer uma relação de confiança com alguém? Quando percebemos que não seremos “atacado” pelo outro. Que ele não nos machucará. Mas vamos pensar o seguinte: uma pessoa entra num consultório terapêutico, com certeza, com inúmeras feridas, e uma forte tendência a não olhá-las de forma clara, objetiva. Como uma criança que possui uma ferida, ela pode querer se proteger, com medo da dor que pode vir quando fazemos a assepsia.

Para podermos “acompanhar” o cliente neste processo, portanto, é evidente que devemos nos colocar no lugar desta pessoa que deseja se proteger, e tem medo da dor que possa vir, emocionalmente, energeticamente ou até através da quebra de crenças, dentro de um trabalho de constelação sistêmica.  E é lógico que eu, como terapeuta, só conseguirei verdadeiramente me colocar no lugar desta pessoa se também sei me colocar no lugar de alguém que permite ser ajudado por outro, num trabalho terapêutico. Se permito que alguém cuide de minhas feridas, de minhas dores emocionais, das minhas crenças distorcidas (É! Terapeuta também tem suas dores, traumas e neuras!). E que aprendeu a lidar, por experiência própria, até com o medo da dor que possa surgir neste processo. Assim, eu, como terapeuta, saberei lidar com tato, amorosidade e, ao mesmo tempo, firmeza necessária, durante o processo terapêutico.

Muitas pessoas que estudam técnicas terapêuticas, não estão abertas totalmente para acessar suas próprias dores emocionais. Não confiam em alguém. Estes futuros terapeutas trabalharão com o coração desconectado do cliente, pois têm medo de acessar seus próprios sentimentos. Imagine então o “cliente comum”, cujo trabalho não é ser terapeuta? Falo isso não como crítica, mas como evidência. Todos nós, em algum grau, passamos por esta fase. Geralmente temos que enfrentar problemas profundos em nossa vida, até que verdadeiramente nos entreguemos aos cuidados de alguém. Eu fui (e sou ainda em algum nível) assim.

Nosso ego só se rende aos cuidados, quando não vê mais saída. Antes, ele sempre acha que sabe o caminho, sabe a resposta… E muitos dos nossos clientes chegarão até o nosso consultório ainda nesta fase: enxergam o problema (ou acham que enxergam), sentem o incômodo, mas ainda acham que podem resolver. Outros, enxergam o problema (ou acham que enxergam), sentem o incômodo, e querem que você resolva por eles. Ou que a terapia provoque o milagre de fazer o sofrimento e o problema desaparecerem. Ficar do jeito como eles acham que seria melhor. Um terceiro time, este sim, vem pronto para “se entregar” ao trabalho, e aceitar até que doa… que a solução se mostre do jeito que for… estas pessoas confiam. Entendem qual é o problema ou permitem que o terapeuta auxilie a encontrar o fio que será puxado, e a partir daí, desencadeará um processo desconhecido, oculto, afinal, não é possível saber exatamente onde a constelação familiar sistêmica irá atuar e em que área da vida do cliente ela irá afetar.

Não ouvir a mente, acompanhar as sensações

Seguindo os ensinamentos de Bert Hellinger, devemos entender que só podemos trabalhar com pessoas que se colocam a disposição. Que já se encontram prontas para ouvir, aceitar, permitir que o terapeuta faça o que achar necessário. Então, nos primeiros exemplos acima, em relação aos clientes que ainda não chegaram no nível da confiança mínima necessário, a constelação não deverá ser feita.

Vimos, ao vivo e em cores, no último seminário de Hellinger aqui no Brasil, no mês de agosto, que muitos não conseguiam chegar na questão. Alguns não confiavam nem nas orientações dadas pelo mestre. Vários eram terapeutas de constelação. Todos eles se perdendo em justificativas racionais, alguns muito hábeis nisso, outros não… E ele não prosseguia.

Mas algumas pessoas estão querendo entrar no processo, querem confiar, embora também estejam acostumadas a se defender. Estas podem ser trabalhadas. Porque embora exista um lado que teme, existe outro lado que confia. Então começa a “dança” do acompanhamento.

Vejo que a maior dificuldade das pessoas que estão estudando a facilitação da constelação familiar sistêmica, é saber atuar neste jogo do ego, que brinca eternamente de esconde-esconde, evitando que as dores mais profundas sejam acessadas. E o instrumento que o ego se utiliza é a racionalização e a “emocionalização”. Explicam tudo. Contam histórias. Entram na confusão. Ou no vitimismo. Disparam emoções superficiais. Encantam. Usam brincadeiras. Confrontam. Fazem de tudo para não acessar a raiz.

A única forma do terapeuta lidar com isso, é aprendendo a não entrar nas histórias. No vitimismo. Nas brincadeiras. No encantamento. No confronto. No discurso. Na confusão. Mas entendendo, amorosamente, que o cliente é assim. Entendendo o jogo. De certa forma, permitindo que este jogo exista. Afinal, todos nós jogamos o mesmo jogo, não é mesmo? Apenas que, na hora da terapia, não podemos. Você, terapeuta de constelação, precisa aprender a deixar as palavras passarem, para “ouvir” o que há por detrás dela. Sei que, para pessoas que nunca meditaram, nunca observaram a mente, pessoas que adoram a própria racionalidade, acreditam nas próprias neuras que são contadas anos a fio, isso será mais difícil. Talvez nem entendam o que estou falando. Mas é assim…

Quando deixamos tudo passar – palavras, impressões emocionais, lágrimas, gritos, piadas, conceitos, loucura… começamos a perceber que existe um padrão na fala do cliente. Às vezes sentimos que algo está sendo excluído. Às vezes entramos em contato com imagens, frases, sons, dentro de nós… Sentimos o ambiente mudando – o ar fica mais pesado, menos pesado… Nossos músculos tencionam, relaxam. Surgem arrepios. Parece que o ar esfria. Ou esquenta…

Destas percepções, surgem frases. Surgem considerações. Surgem comandos. Às vezes você interrompe a fala do cliente e pontua algo. Não vem da mente racional. Vem de outro lugar. Tanto que, geralmente, você nem se lembra do que foi falado. Você se conectou com o sistema maior, que inclui o seu cliente, o pai dele, a mãe dele, os antepassados, a história, o oculto…

Neste momento, você pode começar a constelação… E mergulhar no sistema familiar. Facilitando o sistema a mostrar aquilo ou aqueles que se encontram excluídos. Para que possam descansar em paz, e o cliente prosseguir vivendo.

Foto: Rômulo Monte Fainbaun
Amigo convidado: Fernando Tassinari

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