O que é constelar, para mim?

constelacao

A constelação familiar sistêmica, para muitos, é algo incompreensível. Como que as pessoas, sem se conhecerem ou sem saber das histórias pessoais e familiares dos constelados, podem assumir postura, tom de voz, movimentos e até falar como se fossem alguém do sistema familiar? De onde vem as emoções, que surgem do nada, e se vão também do nada? Por que o corpo fica tomado por algum tipo de energia, que nos faz perder a força, ir ao chão, ou ao contrário, nos deixa eretos e cheios de poder?

Por tudo isso e muito mais, uma roda de constelação instiga o imaginário, as crenças espirituais e facilita uma confusão com questões sobre mediunidade, energias – seja lá o que isso significa, telepatia, hipnose, obsessão, incorporação, animismo, etc., etc., etc.

Constelação é terapia

Tenho minhas crenças espirituais e de tudo isso que falei acima, diria que aceito e entendo o lugar de cada um destes aspectos. Trilhei vários caminhos religiosos e sou realmente uma pessoa muito conectada com todo este tipo de conhecimento espiritual, filosófico, energético – o que é isso mesmo? – parapsicológico, ritualístico… porém, lembro que a constelação familiar sistêmica tem como objetivo prioritário o trabalho terapêutico.

E uma das principais características do trabalho terapêutico, baseado no fundador da constelação, Bert Hellinger, é incluir tudo o que foi, do jeito que foi. Entendemos, como facilitador do processo, que as pessoas participantes de uma roda terapêutica estão com seus problemas ou manifestando sintomas porque não conseguem incluir algo, alguém, uma situação, uma dor ou emoção. “Nosso ser se enriquece se permitimos que tudo seja como foi, que siga para sempre como foi e que nós também nos concedamos o direito de ser tal como somos, junto a tudo. Juntos de que maneira? Com amor por tudo o que foi e segue sendo em nossa vida”, ensina Hellinger (trecho extraído do livro Liberar el Pasado, da terapeuta canadense Galina Husaruk).

Por exemplo, não conseguimos incluir a amante que papai teve. Em geral, porque a mamãe também nega este amor de papai. E nós, inconscientemente, carregamos a dor da exclusão deste amor, dentro de nós, às vezes provocando a dificuldade de nos estabelecermos em relações afetivas. Nos portamos como se não merecêssemos uma relação duradoura. Às vezes, nos descobrimos como sendo o outro, ou a outra, numa relação afetiva. Um outro exemplo: negamos, sem saber, a morte do nosso tio, que faleceu com 2 anos de idade, vítima de um acidente doméstico no qual a nossa avó se sentiu totalmente responsável. E culpou também o vovô por não ter estado no momento do acidente. E assim nos vinculamos a dor de perder precocemente alguém muito querido, além de carregarmos uma culpa inexplicável por algo muito grave que irá acontecer. Vivemos com um peso inconsciente, uma sensação de morte, de segredos não revelados.

Esses aspectos, e tantos outros, são profundamente importantes para entendermos os padrões inconscientes que nos fazem agir, sem que saibamos, rumo a repetir estas situações do passado, como forma de honrar a dor vivida pelos nossos pais ou antepassados.

Observe estas perguntas:

  • Por que nos isolamos?
  • Por que sentimos a sensação de abandono?
  • Qual a causa da sensação de carência financeira?
  • Por que sinto raiva dos homens (ou das mulheres)?
  • Por que não me sinto parte da família?
  • Qual o motivo de permitir-me ser manipulado?
  • De onde vem esta agressividade contra as injustiças?
  • Qual o motivo de eu manipular os outros, para que façam as coisas como quero?

Muitas vezes, estes exemplos de padrões de comportamento e/ou emocionais estão influenciados por traumas vindos do passado. Histórias não digeridas, vividas nas gerações anteriores, continuam. E carregamos em nossas células, pedindo para serem vistas. Porém, a grande virada possível está em nossas mãos: padrões vistos se transformam em poder. Em compaixão. Em inteligência emocional. Em cura. Incluindo, harmonizando os padrões dentro de nós, nos convertemos em membros mais capazes de perpetuar o sistema familiar com eficiência e saúde.

 

Constelar é incluir – para incluir, é necessário maturidade

Sim, a constelação tem a sua magia. E uma coisa que sempre ocorre, é a magia da sincronicidade. Em 100% das vezes posso dizer que as constelações que facilito demonstram aspectos meus que também não foram incluídos. Costumo dizer que estou constelando a mim mesmo, através de outros. Quantas vezes surge a mesma história que tive com meu irmão, na minha frente. Ou a dor do abandono, que vivenciei na infância. Ou ainda, a minha rebeldia, a incapacidade de acatar as ordens dos “superiores”. Carl Jung, o descobridor do movimento da sincronicidade, diz: “O principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece no equilíbrio entre a alegria e a dor. Quem não se arrisca para além da realidade jamais encontrará a verdade”.

Por isso, a maior parte das vezes que constelamos, olhamos para aspectos difíceis de nós mesmos. Mesmo que os traumas tenham se originado lá atrás, no passado familiar longínquo, o sistema está rodando dentro de nós. E se analisamos nossas ações, sabemos muito bem que somos responsáveis pelas coisas que acontecem em nossa vida. Este é o papel da terapia. Trazer luz à sombra. E garanto para você: o trabalho, via de regra, é sempre maravilhoso!

Nosso mestre Bert Hellinger diz que estamos identificados a um peso, por amor. Um amor infantil, que não leva à resolução em nenhum aspecto, mas que nos dá uma sensação de pertencimento. Através do sofrimento, nos sentimos pertencentes à família. E nos colocamos numa posição de sacrifício. Algo muito próximo ao mito de Jesus crucificado. Preferimos morrer – simbolicamente (fracassar na saúde, nas finanças, no sucesso, nas relações), para salvar papai, mamãe e antepassados. É um mecanismo inconsciente. E durante a constelação, não raras vezes, este amor se mostra. Grandioso. Profundo. Intenso. E a inadequação deste amor doentio, a falta de resolução, também se mostra. Isso provoca um enorme alívio a todos os participantes, quando é possível se libertar desta identificação amorosamente desastrosa.

Como falei acima, a magia da sincronicidade nos faz ver que também estamos carregando pesos enormes, com a vontade inconsciente de salvar papai, mamãe ou alguém que nem sabemos. E ao poder vivenciar a despedida deste padrão, sentimos um grande alívio. Não somente quem está constelando, mas todos. Inclusive eu – o facilitador.

Incluir é permitir a existência de um sentimento difícil, dentro de si

Quantos clientes recebo que desejam simplesmente eliminar o problema! Dizem-me, por exemplo: tenho fracassado financeiramente há mais de 20 anos. Não suporto mais isso. Ou: meu relacionamento afetivo está um desastre – quero uma solução! Ou ainda: meu filho não estuda, não trabalha, não colabora – quero mudar isso! É lógico que todos desejam soluções para seus problemas, mas vamos ser bem sinceros: se eu estou buscando uma terapia para mudar uma situação qualquer ou mudar alguém, no fundo estou querendo uma mágica! Vou pagar uma consulta que irá mudar a situação para o jeito que eu desejo… assim deve estar pensando, de um jeito inocente e infantil, a pessoa.

Então, eu sempre alerto, ao ouvir este tipo de questão: não é desta forma que iremos trabalhar. O problema é algo muito importante na sua vida, um verdadeiro portal que está direcionando o seu foco para algo excluído. Estamos fazendo terapia – estamos trabalhando para você mudar a sua forma de ver a si, aos outros e à própria vida. Existe algo emocional que está impedindo a sua vida de ser mais leve. Vou dar alguns exemplos possíveis e práticos:

  • A pessoa está passando por situações recorrentes de abandono nos relacionamentos. Às vezes, por detrás desta história, há um noivo amargurado, deixado pela mãe que foi instruída a casar-se com outra pessoa. Qual é o desafio deste cliente? Aprender a lidar com a dor da rejeição.
  • Alguém deseja trabalhar a dificuldade financeira. Que ela vive, o pai já viveu e os avós, que vieram de outro país, fugidos da pobreza, também viveram. O que este cliente precisa aprender a incluir, internamente? Talvez a vergonha de não poder pagar a escola que deseja aos filhos. Ou saber lidar com o nome sujo na praça.
  • Um outro cliente vem com uma questão de saúde: uma doença grave o acometeu. Não sabemos qual a origem dela, mas invariavelmente, a constelação irá mostrar alguma exclusão do passado. Um amor traído. Um filho abandonado. Um aborto não visto. Uma relação que acabou em violência. Porém, qual é a inclusão que este cliente está sendo chamado? Quem sabe olhar para a própria impotência, diante da doença? Aprender a incluir a morte, como uma possibilidade bem real. Estar em paz com as despedidas…

Este é um aspecto que precisa ficar bem claro. Incluir algo na constelação não é dizer: ah! Eu incluo o aborto que tive! Ou: sim, claro! Vovô teve muitas amantes e elas fazem parte! Quem sabe: eu incluo a morte, a morte faz parte! Quando incluímos, o que falamos não importa, porque estamos lidando com sentimentos. Incluir a traição, por exemplo, significa sentir-se mal, perceber talvez a raiva, o medo do abandono, e dizer: ok! Eu permito. Isso faz parte e eu dou conta destes sentimentos dentro de mim.

Tudo isso pode parecer difícil no começo. E é, não vou negar. Lidar com nossas dores internas é muito duro. Porém, “o homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera”, diz Jung. Terapia exige esta postura. E na minha visão pessoal, preciso dizer: é muito bom! Fazer terapia é um caminho fantástico, pois nos descobrimos humanos. Humanos na nossa luz e na nossa sombra. Emoções contraditórias! Humores diversos. E desta forma, aceitamos os desvios dos nossos pais e antepassados. Todos eles, conforme aprendemos a amar os nossos desvios. Aquilo que negamos em nós. Logo, o amor começa a fluir de um jeito que nunca antes foi possível: o amor da inclusão. O amor da compreensão da alma. O amor que somente nossas emoções profundas, em paz, consegue propiciar.

Alex Possato

Por que atraímos doenças e infortúnios? (vídeo)

O “vínculo” inconsciente que temos a pessoas e situações do passado familiar, muitas vezes desconhecidas, faz com que repitamos dores, doenças, problemas, que de certa forma, sinalizam para a cura que o sistema deseja. Esta é a explicação da constelação familiar. Mas a ciência também começa a encontrar algumas possíveis explicações para a repetição de traumas de geração em geração, através da epigenética. Alex Possato fala um pouco sobre este mecanismo, e a possibilidade de desligar-se dos efeitos destes “vínculos” através do autoconhecimento e terapia.

 

Existem diferentes constelações familiares? (video com Alex Possato)

 

Olá, pessoal! Novo vídeo no pedaço… Existem diferenças nas constelações familiares? Quais são elas? Resolvi falar um pouco sobre este tema, já que tantas pessoas às vezes me procuram e falam sobre diversas formas de constelação que viram… Por que isso acontece? Este é o tema que abordei…

 

 

Constelação Familiar é terapia (video Alex Possato)

 

Neste novo vídeo, Alex Possato explica que, com o desenvolvimento da constelação no Brasil, às vezes perde-se a referência de que constelação familiar sistêmica é terapia. E fala sobre alguns pontos importantes que caracterizam a constelação, como por exemplo, a necessidade de uma questão, um problema com urgência para o início de um trabalho terapêutico.

 

Constelação pode fazer mal? (vídeo)

Oi, gente! Vídeo novo no ar!!! Constelação Sistêmica pode fazer mal? Quais sintomas ocorrem, antes, durante e após o processo? E a vida? Será que muda para melhor? Ou “dá um chacoalhão” antes? É o que abordo, neste vídeo! Bom proveito!!!

Alex Possato

 

Tornar-se facilitador de constelação familiar – parte 3 (vídeo)

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Olá, gente! Este é o último vídeo da série de 3 que separamos no nosso canal Constelação Essencial, no Youtube, dando 4 itens importantes para a pessoa que deseja se tornar um constelador.

Falamos agora dos últimos 2 tópicos que guiam o aprendizado da pessoa que deseja ser facilitador de constelação familiar:
a) O entendimento profundo das Ordens do Amor e das Ordens da Ajuda
b) Laboratório: a utilização da própria vida e das próprias relações como “campo de experimentação” das Ordens e da Constelação Familiar
O facilitador precisa estudar muito, entender, primeiro intelectualmente, e depois colocar em prática as Ordens do Amor:
– Pertencimento
– Hierarquia
– Dar e receber
E as Ordens da Ajuda são as ordens que regem a “ajuda”, o ato de auxiliar o seu cliente, seja você um terapeuta, advogado, assistente social, sacerdote ou outra pessoa que utiliza a constelação familiar sistêmica como instrumento: é importante verificar se estamos realmente ajudando a pessoa que desejamos ajudar, dando força para que ela siga por si mesma na vida, ou se estamos tirando a força, tornando-a dependente e fraca.
E para que possamos entender profundamente as Ordens, é necessário analisarmos a nossa própria vida: nossas relações familiares, afetivas, profissionais, e perceber onde estamos fora do nosso lugar, onde deixamos de ser filho em relação aos pais, ou onde transferimos nossas dores e emoções distorcidas aos nossos filhos. Onde nos percebemos como pai ou mãe nas nossas relações afetivas, deixando de ser parceiros. E assim, podemos ir ajustando nossa participação nas relações, tornando-nos mais leves, mais felizes, mais livres…

Tornar-se facilitador de constelação familiar sistêmica: 4 dicas (video)

E aí gente? O meu mais novo vídeo está no ar! Agora no novo canal do Youtube, Constelação Essencial, criado especialmente para postar muito, mas muito material mesmo sobre constelação familiar sistêmica, constelação estrutural e organizacional, autoconhecimento e terapia! Curta o vídeo! Assine o Canal, que começa a engatinhar!!!

Neste primeiro vídeo explico os itens que influenciam o “despertar” da constelação familiar sistêmica em si – o que pode indicar uma vontade da alma de se aprofundar neste caminho de autoconhecimento. Quem sabe tornar-se um facilitador?

Como me tornei constelador? (vídeo)

Um novo sopro no ar! Tempos de não se esconder… de dar, doar, em nome daquilo que já recebi!!! Relutei muito em começar uma nova fase de comunicação na internet… pensei muitas coisas, mas no fundo, era preguiça… e medo… mas quando a missão é maior que o ego e suas identificações falsas, não há como escapar. Ou faz, ou faz… Vai com medo, preguiça, sei lá… mas vai!!! E aí está! Meu primeiro vídeo, na nova fase de trabalho com constelações familiares, treinamentos, vivências e muita coisa pra compartilhar!!!

Como é o meu treinamento para facilitadores de constelação familiar sistêmica?

constelar

Recebo perguntas e dúvidas de muitas pessoas a respeito do treinamento de constelação familiar. O que é muito natural, afinal, a terapia criada por Bert Hellinger ainda é um bebê, considerando, por exemplo, o trabalho pioneiro de Freud.

Então, para situar você a respeito de “como se aprende constelação”, vamos acompanhar um pouco a evolução da terapia ao longo dos anos. Em primeiro lugar, é importante entender que Hellinger nunca realizou um treinamento de constelação, ou um curso para formação de facilitadores. Ele sempre fazia seminários, e é o que continua fazendo. Nestes seminários, de um, dois ou vários dias, discorria sobre temas, fazia muitas constelações, e em geral o público era expectador do trabalho – embora, se você conhece a constelação familiar, sabe que não existe mero “participante” de constelação, afinal, todos nós entramos no campo e sentimos os efeitos do trabalho ocorrendo.

Os consteladores pioneiros no Brasil participaram ativamente destes seminários, e em algum momento se sentiram capacitados a treinar candidatos a facilitadores. Esse movimento foi espontâneo, pioneiro, e não havia uma regra, um roteiro a ser seguido. De certa maneira, isso ainda continua: o treinamento é livre, não existem órgãos que regulem a constelação sistêmica – nem a prática, nem o ensino.

Minha professora, Theresia Spyra, alemã residente no Brasil, aprendeu com Mimansa Ericka Farn, outra alemã, talvez a terapeuta que acompanha Hellinger a mais tempo – quase 40 anos. Mimansa, assim como Theresa, tinham um método de ensino bem vivencial. As apostilas eram quase que inexistentes, e apesar do treinamento estar dividido em módulos e temas, o trabalho dependia muito do que o grupo apresentava no momento. Dependia muito da fenomenologia, que é a base da constelação: os fenômenos que se apresentam, no “aqui e agora” do trabalho terapêutico.

Eu, especificamente, a partir de 2008, participei de cinco treinamentos de constelação com Theresia. E mais centenas de horas de vivência em grupos de constelação. Depois disso, ainda hoje, participo de seminários diversos, com Hellinger, Sophie, e outros consteladores… considero-me um eterno aprendiz. Assim, em  2012, comecei a desenvolver a minha forma de ensinar constelação, procurando seguir o modelo deixado por Hellinger nesta época: o movimento do espírito, onde as constelações são mais espontâneas, os movimentos dos personagens mais fluídos, o tempo de silêncio prolongado, o uso de frases é pontual, não existe praticamente intervenção no posicionamento dos representantes – como era prática anterior feita por Hellinger, e muitas vezes, não sabemos quem são os personagens que surgem nas constelações. Antes, eram colocados especificamente pai, mãe, filhos, avós, abortos, etc.

A forma de constelar veio mudando ao longo dos anos. Fortemente influenciado por Jacob Moreno e o seu psicodrama, onde as questões trabalhadas eram teatralizadas, e também com influências da PNL – metaposição e linguagem do corpo, de Virginia Satir e sua escultura familiar e em posse das teorias da terapia contextual de Ivan Boszormenyi-Nagy, além de ser psicanalista, terapeuta primal, entre outros caminhos, Hellinger partiu de um modelo mais marcado e dependente da intervenção do terapeuta, para algo mais livre e fluído, onde a atuação do terapeuta é extremamente sutil – e acreditem!-  é muito mais exigente permanecer nesta postura em estado total de presença e permissão. Saiu quase que totalmente do campo do entendimento racional, para o campo da experimentação sensorial e intuitiva. Porém, é importante lembrar: Hellinger é um terapeuta com décadas de estudos e trabalho. Que viajou continentes para estudar e aprender conceitos direto da fonte: por exemplo, estudou análise transacional com Erick Bern. Assim, na minha visão, só é possível permitir efetivamente o Movimento do Espírito na constelação familiar com muito conhecimento terapêutico – não é simplesmente um exercício de “deixar e vamos ver o que acontece”.

As Ordens do Amor na prática

Tenho instruído ultimamente meus alunos a estudar, ler muito. Não somente Hellinger – sim ele é o principal. Mas entender um pouco de PNL, Gestalt, psicodrama, psicanálise, ler Freud, Bern, Lowen, entre tantos outros desbravadores deste campo infinito da psicoterapia. Ainda mais num país onde tantas pessoas possuem sensibilidade extrema, alguns atuando com seus dons mediúnicos de diversas linhas, confundir “as estações” e deixar de fazer trabalho terapêutico para virar aconselhamento ou cura energética é um risco. Às vezes o trabalho até pode ser válido (muitas vezes o é), mas deixa de ser constelação.

E para ser constelação, entender, vivenciar e absorver as Ordens do Amor, teoria base de Hellinger, é fundamental. É neste ponto onde me dedico mais e mais. Embora as Ordens não sejam difíceis de compreender intelectualmente, elas são muito complicadas de praticarmos. Por exemplo: Quantas vezes nos achamos melhores ou mais capazes que nossos pais? Quantas vezes nos sentimos responsáveis por cuidar dos irmãos adultos. Quantas vezes nos apoiamos emocionalmente em nossos filhos? E a questão do estar aberto a receber? Ou fechado para dar? E ainda: quantas vezes excluímos e condenamos ferozmente pessoas que não seguem nossos padrões de crenças?

Instigo meus alunos a perceberem estas situações, e buscarem os pontos emocionais afetados. Não é possível praticar constelação, sem se entregar totalmente às Ordens do Amor. E estar a cada dia melhorando, se abrindo para a inclusão, para a transformação interior. É a minha forma de trabalho. Quando vejo alunos seguindo estas diretrizes, é nítida a modificação na vida deles, ocorrendo: melhores relações, transformações intensas, mudanças, trabalhos novos, a liberdade chegando. Assim, percebo com alegria que este aluno poderá permitir as mesmas transformações na vida dos clientes que atender. Porque a constelação, para mim, não é uma técnica, mas um caminho de vida. E num caminho, podemos guiar somente na região que conhecemos.

Treinar, treinar, treinar

Como vim da escola da Theresia e da Mimansa, o método de trabalho que adotei é bem vivencial. Eu diria 30% de teoria e 70% de prática. E para praticar constelação, temos que trazer nossas questões, nossos problemas pessoais para o campo. Forneço material didático – apostila – bem detalhada, e a cada ano vou acrescentando dados, modificando, porque é importante abastecer o cérebro com conhecimento. Mas a prática de constelação é fundamental. Até porque, para aprender a constelar em grupo ou individualmente, é fundamental colocar-se como facilitador.

O Projeto Incluir é também um diferencial do meu curso. É um projeto sem fins lucrativos, onde os alunos e ex-alunos atendem pessoas da comunidade, clientes com questões reais, e treinam constelar em grupo. Estou pensando em abrir o projeto para o treinamento de constelação individual também. Dessa forma, na prática, o aluno se desafia, se percebe, vê os pontos positivos e os pontos onde precisa se desenvolver, num ambiente muito próximo do que será o seu trabalho de dia-a-dia como terapeuta. E eu supervisiono.

Meditação – o mergulho nas percepções além do pensamento

Deixei para falar da meditação por último, de propósito. Vejo que uma das maiores dificuldades do ser humano é entrar em contato com o sentir. Muitas pessoas “pensam que sentem”, mas estão somente pensando. O pensamento não é sentir. Sentir é corpo. Independe da interpretação que seu pensamento dará. Você pode sentir uma pontada no rim. Um calor nas mãos. O suor no pescoço. A tontura na cabeça. Você pode transcender e sentir paz. Sentir o peito se apertar. Desejo sexual. Formigamentos. Contração ou relaxamento muscular. São milhares as sensações que ocorrem no seu corpo, durante um curto período de tempo.

Para se constelar, aproximando-se dos Movimentos do Espírito, é fundamental sentir, e sair da racionalidade. Sair do “querer entender”, ou do “querer resolver”. Pausar. Fazer as coisas mais devagar. A vida possui um caminho sutil desenhado para cada um de nós, que é o movimento do espírito, e o excesso de pensamento e a ação atrapalha ou impede vermos o caminho.

Sendo assim, treino um pouco de meditação sempre, nos cursos. Geralmente com músicas de fundo. Mas também em silêncio. E oriento o aluno a procurar meditar em outros locais, onde se sentir a vontade. Aprender a desacelerar. Talvez isso possa parecer um pouco incongruente com o aprender – como entender algo sem pensar? – mas eu garanto: é assim mesmo! Você se espantará com a assertividade que existe, quando seguimos este fluir do caminho, e não as respostas prontas que damos através da mente. Neste ponto, a constelação se une ao autoconhecimento profundo. Quanto mais você mergulha nesta forma de percepção, mais você se expande. Mais se liberta. Mais sabedoria percebe em si. Mais resoluções clareiam, magicamente, à sua frente. Menos apego às coisas e pessoas terá. É um caminho que exige perseverança, não há dúvida.

Eu sempre continuo a disposição para incentivar e apoiar todos meus alunos e ex-alunos. Sei que, às vezes, é necessário recorrer à ajuda de alguém. Também estou no meu caminho de sair da mente. De deixar-me guiar. Estou sempre em desenvolvimento – às vezes, com mais clareza, às vezes com menos. Caindo nos meus vícios e neuras, e me reerguendo – e também recorro à ajuda de outros, quando necessito. Por isso, não exijo absolutamente nada das pessoas que fazem o curso, a não ser se comprometerem a andar por este caminho. Alguns vão até onde conseguem e mudam a rota: o caminho do autoconhecimento é árduo, e a desconstrução dos próprios paradigmas é dolorosa. Não faz mal. Estão todos caminhando. Outros insistem – seja porque são perseverantes, ou teimosos, se identificaram ou porque acreditam. E confiam no trabalho que está sendo feito. Não por mim, mas pela constelação familiar sistêmica, da qual me coloco como instrumento – que estará sempre atuando dentro e ao redor de nós, quanto mais permitirmos. Em algum momento da jornada, esta pessoa se perceberá não um terapeuta, mas um farol. Recebe e permite tanta luz que, naturalmente, iluminará a jornada de outros. Sem esforço. Porque é natural.

Acho que é isso que gostaria de falar, neste momento! Um grande abraço pra você!

Tenha um dia cheio de bênçãos!

Alex Possato

Mensagem ao aluno de constelação

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É com muita gratidão que me dirijo a você, que estudou constelação familiar comigo, e compartilhou tantas e tantas emoções, aprofundou-se nas Ordens do Amor e Ordens da Ajuda, chorou, ficou com raiva, moeu-se por dentro e por fora, desconstruiu-se e reconstruiu-se… enfim, confiou em seguir a forma que aprendi com minha professora Theresia, que por sua vez trouxe o ensinamento de Mimansa, esta bebendo na fonte de Hellinger…

Sei que tenho falhado na comunicação com você. Entendo que existe a necessidade de um “pós-curso”, uma supervisão, um aprofundamento, e não tenho suprido essa demanda de forma adequada. O simples fato de enviar mensagens, recados, dicas com periodicidade, não tenho feito. E algumas pessoas me cobram isso, com razão. Eu sempre ensino que o fluxo nos leva, nos conduz, e nos chama para uma responsabilidade. Quando nos colocamos a serviço do cliente, o nosso lado “mãe”, acolhedor, protetor, nutridor, é chamado a atuar. E tenho que confessar que é um desafio “ser mãe”, já que parte de mim talvez ainda odeie a mãe. É lógico que é um lado distorcido. Mesmo assim, prefiro me apegar ao lado “pai distorcido”, e abandonar, virar as costas, só pensar em progresso e esquecer a proteção… Preferia… porque agora estou olhando para isso…

O aprendizado não acaba nunca. De todos nós. Meu também. Assim, quando noto isso, e sou alertado por alguns bons amigos, alunos e clientes, direciono meu foco para a nutrição. Acho que persegui muito fortemente a expansão. Expansão, sem nutrição, acaba. Neste momento, estou colocando foco na comunicação, e disso deverão surgir encontros de alunos, aulas virtuais, canal no Youtube e outras formas de poder estar junto com você. Presencialmente, quando possível, e virtualmente, com constância. A razão do meu trabalho é a energia e cura que passa através da constelação sistêmica. Sou um serviçal desta energia, e você e tantas outras pessoas, o foco deste serviço. Uma nova fase para o trabalho está chegando. Uma nova, desafiadora e excitante fase, tenho certeza! Conto com você, para seguirmos juntos… Aguarde as novidades, e vamos interagir… E que esta energia possa ser multiplicada ainda mais, para todos os cantos! Namastê!

Alex Possato