Vítimas e agressores em paz

Sempre que vejo pessoas assumindo uma posição de defesa de vítimas, de forma intransigente e cheia de raiva contra o agressor, entendo que esta pessoa atrairá um destino muito pesado para ela. Esta é uma lei sistêmica. Agressores e vítimas fazem parte de um jogo maior, estão a serviço de algo que precisa ser mostrado na família ou na sociedade.
Ambos estão a serviço, inconscientemente. Como diz Bert Hellinger, olhando através de uma consciência maior, não há certos e errados. Bons ou maus. Tudo é como é. Da maneira como é.
E quando não conseguimos agir a partir desta consciência maior, agimos através da consciência menor, que sempre irá separar, julgar, condenar. Olhemos os justiceiros. Em geral, morrem tragicamente. E muitas vezes, estes justiceiros, em nome daquilo que defendem, causam tanto mal quanto os agressores. “O agressor age, enquanto a vítima sofre. Julgamos tanto mais culpado o agressor e tanto mais grave o seu ato quanto mais indefesa e impotente for a vítima. Após o fato, porém, ela raramente continua indefesa. Pode agir e exigir do culpado justiça e reparação, colocando um ponto final na culpa e possibilitando um recomeço.
Quando a própria vítima não age, outros agem no seu lugar, porém, com uma diferença: o dano e a injustiça que causam em seu lugar são muito piores do que se a vítima tivesse exigido justiça e se vingado por seus próprios meios”, explica Hellinger.
Desta forma, entendemos que sempre haverá erros a serem reparados e esta roda não para de girar.
Quando ela pode parar? Quando agressor e vítima se reconhecem como iguais. Ou quando a dor e dano tiver sido tão, mas tão excessivos, que ambos se reconhecem como derrotados e podem partir.

#constelaçãofamiliar #berthellinger #terapia #frasedodia #reflexão #autoconhecimento #espiritualidade #alexpossato

Nossos velhos pais

Conforme nossos pais envelhecem, é comum que nos achemos mais capazes que eles. Mais inteligentes. Mais lúcidos. Até pode ser. Porém, comumente se estabelece um jogo emocional que os filhos não se dão conta: a vontade de descontar neles todas as dores antigas de rejeição, tratamento diferenciado entre irmãos, maus tratos, descasos… E sob o pretexto de que estamos fazendo o melhor para eles, passamos a desrespeitar suas opiniões, suas vontades e até suas incoerências, como se tivéssemos o direito de controlá-los. Tornamo-nos pais dos nossos pais, quer dizer, nos colocamos no lugar dos nossos avós.
Sistemicamente, o que ocorrerá? A mesma reação (às vezes inconsciente) que os pais tinham em relação aos avós será despejada contra os filhos. E o pior: os filhos, que gostariam de ver seus esforços valorizados, reconhecidos, sentir-se-ão menosprezados mais uma vez. Como nós estamos fora de lugar, nossos filhos também não nos respeitarão. O jogo do sofrimento se perpetuará, reacendendo mágoas antigas.
Claro que em casos de incapacidade mental, é diferente. Porém, a maioria das vezes observo somente birra e picuinhas desequilibrando a relação entre pais idosos e filhos.
Seria tão mais fácil dizer: sim papai! Sim mamãe! Vocês têm razão! E sorrir, mesmo que às vezes as decisões deles sejam meio incoerentes, até infantilizadas. Tudo bem! Eles têm o direito! Eles são os grandes. Nós, os pequenos.

 

Alex Possato


#constelaçãofamiliar #relações #pais#autoconhecimento #terapia #espiritualidade#constelaçãosistêmica #alexpossato

 

Eu escolho adoecer

 

O jovem estava no carro, com seu melhor amigo. Um descuido, um acidente, e o melhor amigo morreu. Sem ter esta consciência, a partir deste instante o rapaz que sobreviveu carregou a culpa por não ter ido no lugar do amigo. E fez um pacto: já que não posso morrer agora, vou fracassar na vida, assim, através do meu sofrimento, honrarei a morte dele.
Todas estas percepções vieram após uma constelação familiar. A solução, nestes casos, é reconhecer a própria impotência diante da situação, e entender que o Destino é o “grande”, e nós somos os pequenos. Este tipo de mentalidade, de quem deseja se sacrificar para salvar pessoas, é um pensamento infantil e que vai contrário à vida.
Quantas vezes, inconscientemente, nos envolvemos num pacto de sofrimento, por termos presenciado cenas na infância extremamente dolorosas? Filhos de pais alcoólatras, mães neuróticas, ou presenciando a morte de familiares com doenças fulminantes… Por amor, falamos para nós mesmos: eu queria tanto salvá-los! E como isso é impossível, entramos no mesmo ciclo de adoecimento. “Quando esse amor infantil e trazido à luz, talvez essa criança – agora adulta – perceba que não pode superar a doença, o destino e a morte do outro através do seu amor e dos seus sacrifícios, mas que deve se expor a eles, impotente e corajosamente e concordar com tudo assim como é”, nos ensina Hellinger, em O Amor do Espírito.
Desta forma, tenho visto pessoas se recuperando de suas questões de saúde, ou pelo menos, aprendendo a viver com mais leveza e prazer. 

Alex Possato

Curso de Constelação Familiar Sistêmica – clique aqui e saiba mais

Atendimentos em grupo e individual

Pais e filhos constelados

Os pais, ao olhar da constelação familiar sistêmica, deveriam sempre ter muito orgulho de serem pais. Mesmo que reconhecendo seus erros, suas deficiências, seus destemperos: fizeram o melhor pelos filhos, que cresceram e estão prontos para a vida. Darão certo? Terão sucesso? Isso não é mais assunto dos pais. Eles os liberam para que sigam o caminho, e possam transmitir o melhor deles em nome de todo o sistema familiar, de toda a ancestralidade.
E os filhos, ao contrário, mesmo reconhecendo que talvez tenha havido deficiências na educação, no trato, que muitas coisas doeram, entendem que os pais agiram da forma como agiram porque aprenderam com os avós a serem assim. E que carregam muitos traumas e dores – deles e do passado familiar, e não poderiam ter feito melhor. Reconhecem que os pais deram o que puderam para eles e não exigem mais nada. Seguem de peito erguido, confiantes, sabendo que atrás deles a força (simbólica) dos pais os sustentam. E caminham com gratidão, fazendo a vida do jeito que acham que é o correto. Estão livres para acertar, errar e crescer.

Assim são pais e filhos que estão em paz com o próprio passado.

Alex Possato