Constelador não é conselheiro (vídeo)

 

Gente, voltando à ativa, em relação aos vídeos! Vídeo novo no ar! Deixo uma frase para pensar: “Quando você permite que um ‘conselheiro’ lhe diga o que fazer, está tirando a própria responsabilidade da ação… e das consequências.” Falo neste vídeo que um terapeuta de constelação familiar não é conselheiro, e nem sempre é confortável aquilo que é visto e/ou falado numa constelação… Assim é o processo terapêutico! Assistam! Dê uma curtida no vídeo e assinem o canal!!! Este ano de 2018 teremos muitas novidades!

Tornar-se facilitador de constelação familiar – parte 3 (vídeo)

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Olá, gente! Este é o último vídeo da série de 3 que separamos no nosso canal Constelação Essencial, no Youtube, dando 4 itens importantes para a pessoa que deseja se tornar um constelador.

Falamos agora dos últimos 2 tópicos que guiam o aprendizado da pessoa que deseja ser facilitador de constelação familiar:
a) O entendimento profundo das Ordens do Amor e das Ordens da Ajuda
b) Laboratório: a utilização da própria vida e das próprias relações como “campo de experimentação” das Ordens e da Constelação Familiar
O facilitador precisa estudar muito, entender, primeiro intelectualmente, e depois colocar em prática as Ordens do Amor:
– Pertencimento
– Hierarquia
– Dar e receber
E as Ordens da Ajuda são as ordens que regem a “ajuda”, o ato de auxiliar o seu cliente, seja você um terapeuta, advogado, assistente social, sacerdote ou outra pessoa que utiliza a constelação familiar sistêmica como instrumento: é importante verificar se estamos realmente ajudando a pessoa que desejamos ajudar, dando força para que ela siga por si mesma na vida, ou se estamos tirando a força, tornando-a dependente e fraca.
E para que possamos entender profundamente as Ordens, é necessário analisarmos a nossa própria vida: nossas relações familiares, afetivas, profissionais, e perceber onde estamos fora do nosso lugar, onde deixamos de ser filho em relação aos pais, ou onde transferimos nossas dores e emoções distorcidas aos nossos filhos. Onde nos percebemos como pai ou mãe nas nossas relações afetivas, deixando de ser parceiros. E assim, podemos ir ajustando nossa participação nas relações, tornando-nos mais leves, mais felizes, mais livres…

Como me tornei constelador? (vídeo)

Um novo sopro no ar! Tempos de não se esconder… de dar, doar, em nome daquilo que já recebi!!! Relutei muito em começar uma nova fase de comunicação na internet… pensei muitas coisas, mas no fundo, era preguiça… e medo… mas quando a missão é maior que o ego e suas identificações falsas, não há como escapar. Ou faz, ou faz… Vai com medo, preguiça, sei lá… mas vai!!! E aí está! Meu primeiro vídeo, na nova fase de trabalho com constelações familiares, treinamentos, vivências e muita coisa pra compartilhar!!!

A cura e o curador

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A cura não está em suas mãos. Você não possui nenhum poder de curar o outro. Transformar o outro. Nem mesmo deveria julgar que a doença ou problema que aflige o outro é algo ruim. Mas eu sei: é muito difícil lidar com o sofrimento alheio. Porque lembra o seu próprio sofrimento. O medo do outro, lembra o seu próprio medo. A miséria do outro, lembra a sua própria miséria. A morte do outro lembra a sua própria morte. Assim, desejamos a cura do outro, porque desejamos a nossa cura.

Você sente, dentro de si, que deve partir em direção à cura. Sente um chamado inadiável de auxiliar pessoas em seus diversos processos. Pode ser que milagres ocorram, e de alguma forma, você está participando deste milagre. Porém, é bom perceber: quando algo acontece, é por obra e graça do Divino. Qual o seu papel, nisso que está ocorrendo? Nenhum. A não ser o fato de estar presente.

Como um curador deveria observar o processo?

Conforme você vai percebendo o quanto é pequeno, e mesmo assim, curas milagrosas ocorrem, pode ser que seu coração se abra para a fé. O entendimento profundo de que Algo Maior atua sobre todos. E escolhe a quem estenderá suas bênçãos: justos ou injustos? Fiéis ou infiéis? Santos ou pecadores? Loucos ou sãos? O que importa, se aos olhos de Deus, não há diferenças?

Alguns serão mais tocados pelas bênçãos, outros, menos. E assim é. Você continua observando. Sem objetivos. Sem intenções. Se não é você quem cura, não há cura a ser realizada. Você se transforma num canal. Que está sendo chamado a abrir a fé, o coração e a conexão com Algo Maior. E talvez, semear a crença na justiça maior, que utiliza as doenças, as dificuldades, os transtornos, para mostrar à humanidade o poder da fé. Da conexão. Da presença. Da não intenção. Do amor. Que inclui a tudo. E a todos.

Muitas vezes, pode ser que a cura se mostre no outro. Mas se mostrou no outro, é porque também você avançou alguns milímetros em direção ao coração, ao Amor Supremo, à compaixão. Então, será que não é você quem está necessitando dos doentes, para descobrir, em seu próprio interior, a sua Saúde infinita e suprema? E reestabelecer a conexão? A fé? A compaixão pelos doentes e sãos – todos iguais, perante o supremo? Quem é o curador? Onde está a doença? E de onde vem a cura?

Traga sempre isso em mente… assim, nunca irá se perder… E continue fazendo o seu trabalho de curador. Que é, em essência, nada fazer. Nada forçar. Nada combater. Somente observar. Amorosamente acolhendo a todos. A tudo. Acolhendo a própria doença. Rendendo-se ao amor maior.

Terapeuta: auxiliando a olhar para o que incomoda

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Estivemos ontem em mais um belo trabalho de cura, através da constelação familiar sistêmica. Desta vez, em Formosa, Goiás. Casa cheia, duas constelações intensas… dois clientes desistiram no dia… Coisa que sabemos que acontece, afinal, muitas vezes a pessoa não está ainda preparada para olhar para o conteúdo que irá emergir das profundezas do inconsciente coletivo. E tudo bem: a desistência faz parte! E é muito louvável que somente as pessoas que estão prontas – mesmo sem saber! – para olhar para suas sensações internas, participem do trabalho. Constelação também é “uma caixinha de surpresas”!

A constelação familiar me ensina e meditar ativamente. Estar presente, enquanto diversos sentimentos, sensações mentais, emocionais, físicas e energéticas vão se mostrando. Às vezes, estoura um desconforto no grupo. Outras vezes, o falatório quer dominar. Ainda em outros momentos, peso, tristeza e dor se mostram… O que quero dizer com isso é que aprendo a aceitar as coisas como elas chegam. Tudo o que acontece. Esse é o meu treino meditativo. Ao sustentar inúmeras situações que o grupo – no caso do atendimento em grupo, ou a pessoa – no caso do atendimento individual, não consegue encarar, abro espaço para a inclusão. E a inclusão abre espaço para a cura.

Talvez o grande exercício da constelação familiar sistêmica seja olhar. Olhar para aquilo que ninguém quer olhar. Olhar para uma perda. Uma dor. Uma traição. Um assassinato. Uma violência. Um abandono. Olhar até para o amor – que muitos não conseguem. E quando digo “olhar”, estou dizendo “sentir”. Olhar com o corpo, a alma, tudo! Quantas vezes passamos situações na vida e simplesmente reagimos, sem olhar.

Vejo pessoas se separando, ficando com raiva uma da outra, mas efetivamente não olham o que está incomodando. Não olham para a dor de ser abandonado, traído, sentindo-se usado e também manipulando. Em outros casos, pessoas perderam entes queridos, tiveram abortos, viram seus filhos adoecendo e falecendo, e não olham para esta profunda tristeza. Às vezes, alguém é enganado num negócio ou relação, por alguém muito próximo. E não olha para o sentimento da confiança rompida. Para a sensação de ter servido “de palhaço”. E também não vê a sua responsabilidade em ser traído, afinal, uma parte da pessoa necessitava desta traição, para ver a sua existência validada.

Sim! Você não entendeu errado. Eu disse que uma parte da pessoa precisa da traição. Precisa da dor. Da perda. Do abandono. Se você olhasse calmamente para sua psique, veria inúmeros “eus”, funcionando, cada um querendo uma coisa. Cada um seguindo uma regra, e influenciando a sua vida, as suas relações, o seu comportamento e o seu pensamento. Mas estes “eus” se escondem de diversas formas, para não serem encontrados. Eles sabem que, quando tomamos consciência de quem somos, a maior parte deles perdem suas funções, e deixam de ter domínio sobre nós. Segundo a constelação familiar, estes “eus” são marcados por situações do passado familiar, onde pessoas e fatos que não temos a menor ideia, foram esquecidos. Nós acabamos nos aliando a estas pessoas e fatos do passado, e sem saber, repetimos as dores vividas antes. Repetimos por amor. Para honrar as pessoas e fatos esquecidos. É a tal historinha de querer ajudar aqueles que achamos injustiçados, mais fracos. É uma programação, e ela age inconscientemente. Por isso dizemos constelação sistêmica. Um sistema atua sobre nós.

Quando buscamos uma relação afetiva saudável, honesta, que traga prazer, esbarramos na programação interna que mostra nossos pais não se amando verdadeiramente, traindo, mentindo, engando. Nossos avós, idem. Os diversos amantes também pululam, energeticamente, no nosso sistema que comanda nossos pensamentos, atitudes e emoções a respeito dos relacionamentos afetivos. Os filhos abortados, os filhos ilegítimos, os amores rompidos, tudo isso influencia nossa psique, e nos faz atrair, em primeiro lugar, as dores, os conflitos e perdas, antes que estejamos verdadeiramente preparados para uma relação livre e em paz… Isto é só um exemplo, que é muito comum, mas não significa que aconteça com todos.

Da mesma forma, podemos entender que, quando partimos rumo a um empreendimento, uma carreira, uma vocação, iremos nos defrontar com os medos: pobreza, incompetência, enganos, traições, julgamentos, excesso de responsabilidade, falta de força, etc. Aquilo que está inconsciente aflora, quando queremos o nosso sucesso. E somente após “olharmos” com o corpo, a alma, o coração, para aquilo que aflora, estaremos prontos para tomar posse do nosso verdadeiro sucesso. Da nossa verdadeira saúde. Da nossa verdadeira relação.

Precisamos das pedras do caminho, para fortalecer nossas pernas. Precisamos das nuvens, para saber apreciar o céu azul e a noite estrelada. Após você conseguir passar pelas sensações desagradáveis, você as verá amorosamente. Como saborosas e profundas lições deixadas por uma inteligência maior, que a todo instante nos acompanha, nos orienta, nos ensina e ampara.

Quando estamos trabalhando com terapia, seja em grupo ou individualmente, estamos a serviço desta inteligência. E ela nos preparou para que possamos auxiliar as pessoas a olharem para aquilo que elas não conseguem olhar. Está nos convidando a abrir nossos sentimentos e sair da cabeça racional, que busca explicações o tempo todo. Explicações que de nada servem, porque nenhuma explicação nos leva ao caminho maior de todo ser humano: o amor incondicional. O terapeuta se verá também provocado, porque suas próprias negações surgirão. Quando trabalhamos com constelação sistêmica, todos nós estamos sendo curados. Todo curador, em algum momento, tem que ser “objeto da cura”. Tem que receber o apoio e auxílio de outros curadores. E mesmo após estar “pronto” para o trabalho, será muitas vezes confrontado com o que não aceita. Verá pontos dentro de si onde não consegue manifestar o amor. Talvez manifeste o ódio. A discriminação. A raiva. A exclusão. A loucura. A insegurança. O ciúme. A avareza.

O que podemos fazer com isso? Observar: este ódio é meu. Esta discriminação é minha. Esta raiva e exclusão são minha responsabilidade. Alguém, que não tenho domínio nem conhecimento, está apresentando estas lições no meu caminho, e me auxiliará a integrá-las em meu coração. Assim funciona o trabalho de cura. Sou provocado o tempo todo. E quando não caio na provocação, quando consigo dar um passo e me afastar da sensação que quer me engolir, vejo que tudo é parte do processo. Tenho que dar conta de algo intenso, mas é para isso que fui chamado a ser terapeuta. Este é o meu destino. E este destino é muito grande. Eu me rendo, humildemente a ele. E permito até que ele me fragmente em milhares de pedaços, para que eu posso servi-lo com mais isenção e integridade. Assim é nossa sina: curamos para curar. Somos curados e curamos. Talvez, em algum momento, perceberemos que até essa cura que tanto nos apegamos, são somente nuvens.

O sol continua brilhando, sempre, no céu azul.