Cura sexual do masculino

tantra

Neste último final de semana vivi, sob a condução deste cidadão na foto, Ronald Fuchs, mestre tântrico experiente, sensível e totalmente devotado à sacralidade do tantra, mais uma experiência marcante, que jamais se apagará de minha memória.

Num grupo pequeno, em sua maioria formado por casais que já compartilham alguns anos de vida a dois, pude mergulhar nas minhas travas, minhas neuras, abusos reais e imaginários que povoam meu subconsciente, e impedem que a poderosa energia sexual – diga-se, criatividade, espontaneidade, beleza interna (que reflete no externo), entre outros atributos, pudesse se manifestar em plenitude em minha vida.

No caminho do tantra, precisamos de um companheiro. Ou uma companheira. É através do contato com o outro, que iremos sendo provocados a nos abrir. A confiar. A permitir. A desarmar. A fundir. E como temos medo desta entrega ao outro! Nossas dores de separação dos nossos pais, do desarmor vivido entre eles, as histórias de abandonos e amores perdidos do passado nosso e familiar, os abusos que sofremos ou provocamos, os prazeres proibidos, reprimidos ou censurados… tanta coisa que nos faz não acreditar que o outro está disponível e aberto.

Imagine você, vivendo com uma mulher, ou com um homem, anos a fio, e não confiando nele ou nela. Eu digo confiança num sentido total, íntimo, emocional, de alma… Isso foi uma das coisas que me impactou, nesta vivência profunda. Já vivi um casamento onde, apesar de tanta boa intenção entre nós, não havia a confiança e comunhão. Eram muitas dores minhas, não vistas. E dela também. E agora, ao lado da minha querida companheira, percebo ainda resquícios do medo da entrega.

– Ela vai me abandonar, igual mamãe me deixou!

– Ela vai me abusar, despertar meu desejo em meio a culpa e desconhecimento, como ocorreu com aquela empregada!

– Serei obrigado a fazer algo que nem sei o que é, como ocorreu com aqueles meninos e meu irmão!

– Ela vai me humilhar, como vovó me humilhou!

Ecos de um passado que já deveria ter ido embora, mas minha mente, por não ter integrado tudo isso e ficado em paz, insiste em manter as dores vivas, transferindo-as para as mulheres que estão em relação íntima comigo.

O prazer fica além de tudo isso. O êxtase necessita um esforço direcionado para transpormos os fantasmas. Tenho uma mulher totalmente disponível, sinceramente empenhada em estar comigo e me auxiliar neste processo (e eu posso dizer o mesmo, em relação a ela) e é importante que eu diga sim. Nas conversas entre casais, percebi o quanto de amor havia (e há!) entre eles, que foi sendo escondido porque não havia espaço para conversar sobre as próprias dores. Os medos. As dúvidas. Os desejos…

Ronald proporcionou a abertura deste campo de cura. Onde o homem pode se mostrar frágil. E a mulher também. Onde podemos despertar o homem curador do feminino e a mulher curadora do masculino, estabelecendo uma poderosa troca de amor, compaixão e sensibilidade. Somente assim, após a cura, que passa pelas emoções, crenças e limitações no corpo, é que a energia sexual pode aflorar verdadeiramente. Foi o que vivi. Em toda a sua força. Destruindo as divisões do ego. Embriagando o casal que, neste instante, se torna um. Um ser, abençoado pela energia universal que abraça a ambos.

Quisera mais e mais casais pudessem conhecer o poder da sexualidade sagrada como cura e caminho para algo muito maior. Transcendendo as ideias distorcidas que limitam o sexo a um jogo de sedução, prazer e orgasmo, e perdendo o objetivo maior, na minha visão, que é: a união, integração, fusão e espiritualidade.

 

Alex Possato

Somente uma mulher pode curar meu feminino

mulher cura

 

Na hora de me apresentar, durante a rodada inicial da vivência Iniciação ao Tantra Sagrado, do argentino-espanhol-inglês do mundo Ronald Fuchs, disse: eu quero experienciar o tantra, já que tenho o conhecimento intelectual, mas no fundo, me sinto fechado… o coração fechado para uma mulher… fechado para amar.

Minha esposa, ao lado, deve ter olhado meio atravessado, mas eu não quis nem virar a cabeça para ver o que se passava com ela. Afinal, cada um trabalha o seu lado, não é mesmo?

Quantas vezes disse para mim mesmo: estou me trabalhando! Estou em processo! Como se fosse um advogado alucinado… em processo de que? Bem… estar buscando algo faz parte da vida de qualquer buscador.

Mas, falando sério, estou cansado de ser buscador. Quero agora me tornar um achador. E para isso, me coloquei a disposição do universo. Ele me apresenta as coisas, e eu me entrego às experiências, por mais maravilhosas ou doloridas que elas possam ser.

Já procurava a tempos um trabalho de tantra. Mas desisti de procurar, afinal, os trabalhos nos quais eu tinha confiança, nunca calhavam de estar em datas possíveis. Deixei. Larguei. E Luciana veio com essa indicação… vai ter esta vivência. Lá em Valinhos. Vamos? A minha amiga indicou, conheço quem está organizando… vi uma palestra do Ronald em São Paulo… gostei dele.

Como estou na fase do “sim”, e minha agenda também dizia “sim”, disse…. Sim! Rapidamente organizamos as coisas. Não tinha a menor ideia do que viria, e nem pensei… será que tenho que ficar pelado? Será que terei que compartilhar experiências sensoriais com outras pessoas? E deixar Luciana também livre para compartilhar com outros?

Quando confiamos e temos certeza do que é importante para nós, tudo sempre ocorre da melhor forma. Ronald é um… podemos dizer… um senhor, que a princípio não sabemos interpretar de onde vem. O seu nome meio britânico não denuncia a sua origem argentina. Mora em Barcelona. Viaja literalmente o mundo – do oriente ao ocidente, passando a sua maestria no tantra e renascimento.

Sua condução é delicada, sensível e também firme, focada nos rituais e no sagrado, nas trocas profundas entre casais, a partir do olhar e da respiração. Não, não tiramos a roupa. Em público, não. As trocas entre olhares são tão profundas, que nossa alma subitamente se vê nua. A questão nesta vivência não era expor o pênis ou a vagina, mas expor o coração. Lágrimas, gritos, espasmos, paralisia, suor, calor, tesão, medo, confiança, entrega… tudo surgia do nada, e no nada desaparecia…

Houve momentos de compartilhar com outras mulheres… mas a maior parte pude compartilhar somente com a minha mulher. E pude ver que atrás da imagem dela, existem muitas outras mulheres. Minha mãe. Minha avó. Minha ex-mulher. Minha filha. Minhas alunas. Todas as mulheres do passado. As mulheres que anseio, e as mulheres que abomino. Conhecidas e desconhecidas. Desta e de outras vidas. Tive a nítida sensação: não é necessário variar. Todas as mulheres do universo cabem em uma só. E se eu confiar minimamente na mulher que o universo colocou ao meu lado, ela me mostrará tudo o que eu necessito ver. Já passei péssimas fases em relações antigas. E não gostei muito daquilo que o universo queria me mostrar. Mas a fase mudou, felizmente. Hoje acho que era assim mesmo que tinha que ser. Aprender a olhar. Aprender a respirar juntos. Aprender a tocar, não somente para conectar o pinto, e não conectar o espírito. Como o sexo está desconectado da comunhão! Penetramos a carne, mas o coração continua vestido por mil armaduras.

Elas começaram a cair. Numa experiência transcendental onde eu e ela nos derretemos em lágrimas. Gritos. Dor. Gemidos. Confiança. Apoio. Sorrisos. Paz. O tantra sagrado se mostrou na minha vida. Descobrir a deusa que reside dentro dela. E o deus que reside em mim. Libertá-lo. Para ser quem sou. Assumir o meu poder. Deixar que ela se empodere. Esse caminho não poderia ser feito só, sentadinho, meditando, como tanto gosto de fazer. Parece que Deus reservou mais esta lição: o despertar da alma passa pela entrega e confiança numa mulher. E falar isso para um homem que se sente tão machucado por mulheres que subjugam, pressionam, deixam, desvalidam, cuidam com rudeza… é tão difícil! Mas estou na fase do dizer “sim”! Que assim seja! Eu, como homem, necessito de uma mulher. Que ela me auxilie no caminho da cura do meu feminino. Pois eu também estarei ao seu lado, auxiliando-a no processo da cura do seu masculino.

Mais um paradigma que se quebra, para mim: o caminho não se faz só. Nem sempre. É necessário confiar no outro. A mulher está sempre trazendo uma cura ao homem. Mesmo que a relação não esteja tão boa. Ou esteja. Isso não importa. Deus coloca as pessoas certas em nosso caminho. Se ela traz alegria, celebremos. Se ela traz dor, que saibamos aprender as lições. Até que deixemos de culpa-las por nossos problemas.  E também deixemos de jogar-lhes a responsabilidade impossível de nos fazer felizes. Aprendamos a nos relacionar como deus e deusa que somos. Não independentes. Nem codependentes. Mas interdependentes.

Alex Possato