Sedução

Eu tenho medo de não te merecer. Medo de te perder. E você também tem medo. Seus medos? Não sei. Quem sabe medo da solidão? Medo de não dar conta sozinha? E então vem cupido e nos aproxima de forma alucinante. Não é amor. É loucura! Como loucos são todos apaixonados. Logo inicio o ritual do acasalamento. Despejo todo o charme, as flores, humor e poesias que guardei só para você. É o que falo, afinal, sei que te quero, e te quero a qualquer custo.
Mal sabe eu que você está jogando comigo. Enquanto faço os meus melhores esforços para transformar-me num ogro encantador, você aguarda. Analisa. Lembra-se dos antigos ogros e rememora suas velhas feridas e os amores rompidos. Não confia em mim, porque não confia nos homens. Eu acho que estou te conquistando, mas é você que tem o poder nas mãos. O sim e o não lhe pertence. E eu, somente jogo com o blefe. Quando você vê que eu acho que vou perder e quero desistir, discretamente abre dois botões da blusa e me enlouquece com a visão de quase nada, que me faz alucinar e imaginar quase tudo.
Gata e rato, cachorro e gata, homem e mulher. Brincando de amar, acreditando que brincar é amar. Mas nós temos medo do amor. Nos entregamos ao tesão, pernas e corpos abertos, coração fechado. Não confiamos. Carregamos feridas ancestrais. E subitamente percebemos que o jogo da sedução só serviu para nos aproximar. Corpos grudados e suados, descarregando toda a energia para não perder um ao outro.
Exaustos, sentados à beira da cama, olhamos para o chão, sem encarar os olhos, e continuamos sós. Se eu tivesse coragem, diria: tenho medo de te perder. E tenho medo de me entregar. Quero você. Mas também me quero. E se eu me entregar e me perder de mim?
Assim, nos afastamos. Cabisbaixos. Sem falar o que sentimos. O jogo da sedução acaba. Quando sentaremos frente a frente, olhos nos olhos, para falar dos nossos anseios e nossos medos? Quando aprenderemos a confiar um no outro, o suficiente para mostrar muito além dos nossos corpos: desnudar nossa alma, com toda a sua beleza e obscuridade?
Quero dar o primeiro passo. Tenho medo. Se você descobrir o ogro que sou, irá embora. Ou não? Bem… terei que arriscar. Quem sabe a minha honestidade te seduza? Quem sabe a verdade seja algo que liberte? Quem sabe esta brincadeira da revelação acenda novamente o tesão? Talvez acabemos na cama… mas desta vez olhando nos olhos, sem razão para fugir e se esconder, pois não haverá nada mais a ser escondido.
Fica a pergunta: será que a verdade também seduz?

Alex Possato (inspirado no sagrado encontro de homens – Diamante Bruto, Brasília, em 29 de janeiro de 2018)

Como eu, um homem, estou curando o meu feminino (vídeo)

Após uma vivência tântrica com sua esposa, Alex Possato entrou em contato com uma cura profunda em relação ao seu feminino: as relações afetivas antigas e principalmente as relações com a mãe e a avó, bem complicadas. Alex explica neste vídeo um pouco do caminho deste resgate e o que um homem precisa fazer para aprender a viver em paz com as mulheres da sua vida…

Leia o texto “Somente uma mulher pode curar o meu feminino” clicando: https://alexpossato.com/2017/10/14/so…

Acesse o site de Alex Possato: https://alexpossato.com/

 

Somente uma mulher pode curar meu feminino

mulher cura

 

Na hora de me apresentar, durante a rodada inicial da vivência Iniciação ao Tantra Sagrado, do argentino-espanhol-inglês do mundo Ronald Fuchs, disse: eu quero experienciar o tantra, já que tenho o conhecimento intelectual, mas no fundo, me sinto fechado… o coração fechado para uma mulher… fechado para amar.

Minha esposa, ao lado, deve ter olhado meio atravessado, mas eu não quis nem virar a cabeça para ver o que se passava com ela. Afinal, cada um trabalha o seu lado, não é mesmo?

Quantas vezes disse para mim mesmo: estou me trabalhando! Estou em processo! Como se fosse um advogado alucinado… em processo de que? Bem… estar buscando algo faz parte da vida de qualquer buscador.

Mas, falando sério, estou cansado de ser buscador. Quero agora me tornar um achador. E para isso, me coloquei a disposição do universo. Ele me apresenta as coisas, e eu me entrego às experiências, por mais maravilhosas ou doloridas que elas possam ser.

Já procurava a tempos um trabalho de tantra. Mas desisti de procurar, afinal, os trabalhos nos quais eu tinha confiança, nunca calhavam de estar em datas possíveis. Deixei. Larguei. E Luciana veio com essa indicação… vai ter esta vivência. Lá em Valinhos. Vamos? A minha amiga indicou, conheço quem está organizando… vi uma palestra do Ronald em São Paulo… gostei dele.

Como estou na fase do “sim”, e minha agenda também dizia “sim”, disse…. Sim! Rapidamente organizamos as coisas. Não tinha a menor ideia do que viria, e nem pensei… será que tenho que ficar pelado? Será que terei que compartilhar experiências sensoriais com outras pessoas? E deixar Luciana também livre para compartilhar com outros?

Quando confiamos e temos certeza do que é importante para nós, tudo sempre ocorre da melhor forma. Ronald é um… podemos dizer… um senhor, que a princípio não sabemos interpretar de onde vem. O seu nome meio britânico não denuncia a sua origem argentina. Mora em Barcelona. Viaja literalmente o mundo – do oriente ao ocidente, passando a sua maestria no tantra e renascimento.

Sua condução é delicada, sensível e também firme, focada nos rituais e no sagrado, nas trocas profundas entre casais, a partir do olhar e da respiração. Não, não tiramos a roupa. Em público, não. As trocas entre olhares são tão profundas, que nossa alma subitamente se vê nua. A questão nesta vivência não era expor o pênis ou a vagina, mas expor o coração. Lágrimas, gritos, espasmos, paralisia, suor, calor, tesão, medo, confiança, entrega… tudo surgia do nada, e no nada desaparecia…

Houve momentos de compartilhar com outras mulheres… mas a maior parte pude compartilhar somente com a minha mulher. E pude ver que atrás da imagem dela, existem muitas outras mulheres. Minha mãe. Minha avó. Minha ex-mulher. Minha filha. Minhas alunas. Todas as mulheres do passado. As mulheres que anseio, e as mulheres que abomino. Conhecidas e desconhecidas. Desta e de outras vidas. Tive a nítida sensação: não é necessário variar. Todas as mulheres do universo cabem em uma só. E se eu confiar minimamente na mulher que o universo colocou ao meu lado, ela me mostrará tudo o que eu necessito ver. Já passei péssimas fases em relações antigas. E não gostei muito daquilo que o universo queria me mostrar. Mas a fase mudou, felizmente. Hoje acho que era assim mesmo que tinha que ser. Aprender a olhar. Aprender a respirar juntos. Aprender a tocar, não somente para conectar o pinto, e não conectar o espírito. Como o sexo está desconectado da comunhão! Penetramos a carne, mas o coração continua vestido por mil armaduras.

Elas começaram a cair. Numa experiência transcendental onde eu e ela nos derretemos em lágrimas. Gritos. Dor. Gemidos. Confiança. Apoio. Sorrisos. Paz. O tantra sagrado se mostrou na minha vida. Descobrir a deusa que reside dentro dela. E o deus que reside em mim. Libertá-lo. Para ser quem sou. Assumir o meu poder. Deixar que ela se empodere. Esse caminho não poderia ser feito só, sentadinho, meditando, como tanto gosto de fazer. Parece que Deus reservou mais esta lição: o despertar da alma passa pela entrega e confiança numa mulher. E falar isso para um homem que se sente tão machucado por mulheres que subjugam, pressionam, deixam, desvalidam, cuidam com rudeza… é tão difícil! Mas estou na fase do dizer “sim”! Que assim seja! Eu, como homem, necessito de uma mulher. Que ela me auxilie no caminho da cura do meu feminino. Pois eu também estarei ao seu lado, auxiliando-a no processo da cura do seu masculino.

Mais um paradigma que se quebra, para mim: o caminho não se faz só. Nem sempre. É necessário confiar no outro. A mulher está sempre trazendo uma cura ao homem. Mesmo que a relação não esteja tão boa. Ou esteja. Isso não importa. Deus coloca as pessoas certas em nosso caminho. Se ela traz alegria, celebremos. Se ela traz dor, que saibamos aprender as lições. Até que deixemos de culpa-las por nossos problemas.  E também deixemos de jogar-lhes a responsabilidade impossível de nos fazer felizes. Aprendamos a nos relacionar como deus e deusa que somos. Não independentes. Nem codependentes. Mas interdependentes.

Alex Possato

Constelar relações afetivas: amarro seu amor em duas semanas, ou…

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Muitas pessoas estão em busca de amores. Um parceiro ou parceira para poder chamar de “meu amor”. Mas por não estarem reconciliadas com o próprio pai, a mãe e a forma – explícita ou oculta – que foi a relação afetiva deles, encontra um homem ou mulher que exatamente irá provoca-las a olhar para o que ainda não está ajustado em si. E, lógico, a relação trará conflitos. Conflitos necessários para que possamos nos abrir para a aceitação da nossa relação interior com nossos pais e as histórias de relações afetivas vividas por eles. E também pelos nossos ancestrais.

E como ninguém gosta de conflitos, ainda mais iludido por uma história de contos de fada, que diz que um parceiro afetivo existe para nos trazer felicidade, não aceita as lições que o Universo lhe traz. E descarta a relação. Alguns, estão tão machucados que não entram mais – braços, corpos e pernas fechadas para o outro, a outra.

Então… Tchan, tchan! Alguém fala pra fazer constelação familiar! Gente! Constelação familiar é terapia. Lembro-me recentemente de uma constelação onde a pessoa não conseguia há muito tempo (talvez durante toda a vida!) entregar-se para uma relação afetiva. E a constelação – lógico, né? – mostrou uma raiva enorme da mãe em relação ao pai, um galanteador que teve outras e outras mulheres, e deixava a mãe morrendo de ódio em casa. Para nós, terapeutas sistêmicos, entendemos que a menina também foi atingida pelo charme do papai, e de alguma forma, está apaixonada por ele. Simbolicamente, neste caso! Mas também aliada ao sofrimento da mãe, entendendo que relação afetiva é um desencontro temperado com ódio e abandono. Isso ocorreu na família dela. E também com ancestrais. Estas são as histórias reais de relação afetiva. Cinderela passa longe das verdadeiras histórias afetivas na nossa família, cheias de amantes, famílias paralelas, filhos bastardos, abortos forçados ou não, grandes amores rompidos, casamentos por interesse, bisavó pega a laço…

Com uma imagem interna assim, uma programação que diz, por exemplo – homem é charmoso, mentiroso e abandona, e relação afetiva duradoura e honesta não existe, não há como atrair algo maravilhoso. Algumas pessoas têm outras variáveis: homem ou mulher morrem, são fracos, doentes, violentos, bêbados, viciados, manipuladoras, etc. E o universo, sabiamente, irá nos prover de relações que irão nos desafiar nestes pontos ainda não interiorizados.

Vamos verificar alguns aspectos onde somos chamados a aprender a olhar numa relação? Lidar com o homem/mulher que não assume uma relação. Ou a traição. Ou ainda, a mentira. O descaso com o dinheiro. O desprezo. A humilhação. A solidão. Em muitas variáveis, estamos sendo chamados a nos tornar melhores seres humanos, mais compassivos. Para, aprender a lidar com todos os sentimentos que irão surgir desses desafios. Isso é constelar relacionamento. Qualquer outra ideia de que algum milagre irá acontecer sem a sua participação ativa no processo, sem o seu envolvimento profundo e corajoso, é uma grande enganação… Eu até acredito, energeticamente, em amarrações… É a energia da sedução potencializada com o desejo mental… Mas isso não é constelação… E cá entre nós, todos os acordos que você fizer baseado na carência e na manipulação, serão invariavelmente cobrados. E eu digo que o pagamento, quando vier, não vale a pena. Será muito mais doloroso. Não há como fugir das nossas lições. Melhor enfrenta-las e passar na prova, não é mesmo?

Na minha experiência de constelador, você se liberta quando encara verdadeiramente os sentimentos negados dentro de si. E muitas vezes, irá precisar de alguém para auxiliar a ver os sentimentos negados. A constelação irá auxiliar não a achar o príncipe encantado, mas a olhar com outros olhos o sapo que está ao seu lado. Ou abrir-se para relações, que irão provocar, mas você entenderá com maturidade as lições que vierem. E aprenderá até a curtir bons momentos que também irão ocorrer.

Ahhh! Esse caminho não serve? Que tal dar uma olhada nos postes perto da sua casa? Existem outras possibilidades. Eu não recomendo, mas…

Alex Possato

 

 

Eu quero libertar a mulher, mas… também quero ser cuidado por ela!

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Acabo de retornar de um revigorante final de semana prolongado em Gonçalves, pequena e pacata cidade na região montanhosa da Mantiqueira, Minas Gerais. Desta vez fui eu e ela. Somente eu e ela, como eu tanto desejava. Já que a última vez que era para ir eu e ela, quando vi, era eu, ela e outros convidados dela… Não que eu não goste de sair com grupos. Mas existem coisas que só podemos fazer a dois. Sim… além do óbvio… Por exemplo, DR. Discussão de relação. Só a dois. E era uma coisa necessária, já que havíamos falado em fevereiro sobre a importância de olhar para os rumos da relação – observando aspectos financeiros, emocionais, sexuais, afetivos, planos pessoais, planos do casal, etc., etc., etc. E cá entre nós, nunca é fácil conversar assuntos importantes entre um homem e uma mulher.

Por mais afinidade que tenhamos, os resquícios de problemas nas antigas relações, a falta de diálogo verdadeiro dos nossos pais e avós, as inúmeras crises e confrontos entre homem e mulher da nossa história familiar, os nossos bloqueios e neuras pessoais, tudo isso pesa contra o bom diálogo do casal. E é necessário estar pronto para aquilo que possa surgir. Porque discutir relação não é impor minha vontade. Nem engolir a vontade dela. É dizer o que sente, verdadeiramente, e para isso, é até bom pensar um pouco antes de falar. E estar disposto a escutar o que o outro diz, sem se melindrar.

Mas… às vezes, não é possível.

Preparamos tudo certinho. Um lugar encantador, vinho, amêndoas, isolamento, paisagem maravilhosa, cartinhas de tarô para quebrar a racionalidade… Mas bastou ela dizer que se sentia em alguns momentos não vista por mim, devido minhas inúmeras viagens, e que por causa disso, começava a “dar um gelo” em alguns momentos, dedicando-se aos seus trabalhos profissionais quando eu queria estar com ela, para que a minha criança interna gritasse.

Senti-me rejeitado, mas nem consegui falar isso na hora. Só no dia seguinte. O meu lado emocional ferido dizia: justo eu, que faço tudo para trazer segurança e estabilidade à família, agora ainda sou mal visto! Como se eu não me importasse com ela?!? Que audácia! Então, está bem! Não vou mais ligar para nada!

Lógico que dentro de mim também há um homem adulto que já se “terapiou” o suficiente para entender que a sensação de rejeição é originária das dores em vias de resolução das relações com as mulheres importantes da minha vida, antes: mãe, avó e ex-esposa. Mas na hora do “aperto”, não há razão – só emoção! Virei a cara e me enfiei na caverna.

Como um homem moderninho, já entendi que a mulher tem um lugar muito diferente na relação familiar: trabalha, tem suas responsabilidades financeiras, seus problemas pessoais e da própria família, e com certeza não pode estar disponível 100% do tempo para o homem. E aquela mulher que aguardava ansiosamente a volta do homem provedor para casa, para tirar seus sapatos, fazer-lhe um escalda-pés, dar-lhe uma sopinha quente e fazer carinho não existe mais. Mas talvez haja dentro de mim um homem que ainda espera esta mulher imaginária, e ao primeiro sinal de não ver este papel cumprido, fica irritado e magoado.

Os homens dizem que aceitam o novo papel feminino. Mas será que é isso mesmo?

“Detestamos as ideias de mudança, mas ao mesmo tempo muitos entre nós querem alterar os seus relacionamentos pessoais com as mulheres, e outros, mais ainda, acham que deveriam querê-lo. As nossas declarações de aceitação são muitas vezes disfarces ou rejeições do nosso ódio e da nossa recusa. Mas essas não são apenas emoções negativas. A maioria de nós quer verdadeiramente que as mulheres de nossas vidas sejam felizes. Muitos de nós começam a perceber que para que isso ocorra, é necessário que elas tenham autonomia pessoal, inclusive independência econômica. Alguns de nós querem superar o medo que sentem do poder feminino. Outros querem se libertar de fardos tradicionalmente masculinos”, diz Anthony Astrachan, no livro Como os Homens Sentem.

Trabalhando com grupos de homens há mais de um ano, tenho a percepção desta aparente incongruência: queremos que nossas mulheres sejam livres e felizes. E ao mesmo tempo, sentimos a falta dos cuidados delas. Nos sentimos responsáveis por inúmeras situações dentro do relacionamento, e temos a nítida sensação de não dar conta. E então, nos sentimos fracassados. Às vezes, não damos conta da vergonha que sentimos e damos o fora da relação. Este é um lado masculino que poucas vezes é olhado: dizem que os homens vão embora porque são sem-vergonha. Embora entenda que, terapeuticamente, há uma razão para um homem procurar outras mulheres – e não vou entrar neste assunto agora, o que eu presencio nos nossos grupos não é isso: os homens sentem muita culpa e vergonha. E não dão conta do peso de não serem “bons o suficiente”.

E sabe de uma coisa? Não somos “bons o suficiente”! Necessitamos dos cuidados das nossas mulheres também. Foi bom eu reconhecer a minha necessidade. Mesmo que tenha vindo em forma de birra. Ela também precisa de mim. Também não é “boa o suficiente”. Olhar para a necessidade de afeto que existe entre um homem e uma mulher é sair do padrão burocrático de cumpridores de papéis: o provedor, a cuidadora, o pai, a mãe, o garanhão, a disponível, o fazedor, a sonhadora, o que manda, a que segue. Nada disso tem tanta importância – e se essas funções são cumpridas pelo homem, pela mulher ou por ambos –  quando entendemos que uma relação existe para que ambos aprendam a amar um ao outro, incluindo as dores, as sombras, os medos, as dificuldades, as neuras, as carências… e também a doçura, a firmeza, o caráter, a amizade… as diferenças… E quando entendemos que, por melhor que façamos, jamais seremos capazes de suprir a necessidade de amor e cuidado que temos dentro de nós.

Conforme explica Eva Pierrakos, em Criando União: “Vocês lutam como se a vida de vocês estivesse em jogo – por dentro. É preciso admitir esse conflito para poder revelar o desejo original de ser amado, e o sentimento de tristeza por não serem amados como deveriam. Pensem na frequência com que as reações emocionais são desproporcionais quando alguém discorda de vocês. Entretanto, se estiverem profundamente convencidos de que aquela pessoa os ama de todo o coração, e manifesta seu sentimento com ardor e ternura, a divergência não importa.”

 

Aceitando a ajuda da parceira

aceitandoparceira

– mesa para dois
– temos aquela do canto, disse-me a garçonete uruguaia em bom espanguês.

Fomos até a mesinha no canto, e nos deparamos com a sugestiva plaquinha: mesa romântica!
Somos um casal romântico. Eu e Luciana. Entre conversas aleatórios e planos sobre nosso futuro, nós dois nos deparamos com um assunto que nos mobilizou. Não conseguimos sair do lugar. Nem eu. Nem ela. E mais uma vez nos vimos falando de ajudar-nos um ao outro para que ambos saiam desta situação.
Me peguei pensando rapidamente: quando estamos no jogo do romantismo, um seduzindo o outro, nos colocamos a disposição de auxiliar. Uma hora um ajuda. Outra hora o outro ajuda. É um jogo, para mostrarmos que somos confiáveis.
Depois que moramos juntos, casamos, usamos o banheiro de porta aberta, não há mais a necessidade de seduzir.
E é uma possibilidade existir uma retração. No fundo, eu não confio totalmente na outra. Tenho um orgulho enorme, e acho que o que sei é o suficiente. Não me entrego a ajuda do outro. Tenho desconfiança em relação à mulher.
Como posso confiar na mulher, se a figura feminina me massacrou? – esta é a imagem antiga que ficou registrada na minha psique.
Mas o universo é sábio. Coloca-nos em situação onde nossa fragilidade e incapacidade fica evidente. Ainda mais para alguém que te conhece sentado no trono de portas abertas!

Estou sendo convidado a sair do jogo do romantismo. E ingressar no mundo adulto. Aceitando verdadeiramente ser parceiro. Uma mulher pode muito bem me ajudar. Eu não sou esta “coisa” toda. E ela não é “mais uma mulher que quer me dominar”. Ser frágil, é também fortaleza, creio. Estou sendo convidado a reconhecer a força e poder que vem do feminino, ao meu lado. Para poder também compartilhar a força do masculino, que vibra em mim. Juntos, vamos longe! Sozinhos, não existe parceria. Para que, então, casar?

Relação afetiva: Influencia dos sentimentos escondidos dos pais e antepassados (vídeo)

As exclusões, ou seja, aquilo que não foi aceito no passado familiar em termos de relacionamentos afetivos, continuam afetando os descendentes, fazendo com que eles repitam histórias de dor e sofrimento, inconscientemente, na própria vida. É o que Alex Possato comenta neste vídeo, falando um pouco das dores que são reproduzidas na vida adulta, como forma de “lembrar” de dores esquecidas e não aceitas no passado familiar… desta forma, o descendente honra a família através do sofrimento… A fala também sobre a libertação deste padrão, que significa vivenciar a dor com consciência, entendendo que a mesma dor foi vivenciada pelos pais, pelos avós e pelos antepassados, não havendo mais necessidade de repeti-las na própria vida.

Casar ou juntar?

casamento

Quando minha esposa me convidou (me intimou, na verdade!) para casar, fui pego de surpresa. Já morávamos juntos quase três anos. Compartilhávamos contas, viagens, cursos, trabalhos, família, como um casal compartilha. E francamente, acho que para muitos homens, a palavra casamento tem um peso diferente: significa responsabilidade, que muitas vezes, pode sufocar. Prender. Assustar.

Escolado que sou em olhar para minhas emoções e programações internas, partiu o Alex a entender o porquê desta negação, afinal, casar é só um papel e uma cerimônia, não é? Não. Não era. Este seria o meu segundo casamento. E a separação do primeiro havia sido bem dolorosa, afinal, eu acreditei quase toda a minha vida que um casamento e ter filhos me faria feliz. E ao ver o meu sonho sendo destruído, o conto de fadas se despedaçou.

Os modelos de relacionamento afetivo que tive na família não foram saudáveis. Meus pais se separaram antes mesmo de eu nascer. Não conheci meus avós maternos, mas a notícia que tinha era de um avô alcoólatra, dominador, e uma avó submissa. E os avós paternos, apesar de viverem sempre juntos, tinham uma relação muito ruim. De brigas, confronto, o homem submisso e a mulher mandona e histérica. Exatamente o contrário do lado da minha mãe. Meu pai teve diversas outras relações, em algumas das quais acabei sendo apresentado às brigas, às confusões, no convívio com as mulheres e amantes que papai arrumava.

Enquanto meu casamento ia se despedaçando, comecei a procurar com mais seriedade terapia. E somente então percebi que meu sonho estava baseado na negação do que ocorrera no passado. E duramente entendi que tudo aquilo que é negado, se repete. Neguei as relações conflituosas dos meus pais e avós, dos dois lados, e eis que o conflito bate a minha porta!

Bert Hellinger, meu mestre em constelação familiar sistêmica, diz assim: “Quando um relacionamento termina, isso está sempre vinculado a uma profunda dor. É importante que ambos os parceiros se abandonem a ela. Muitas pessoas preferem se esquivar à dor. Por exemplo, através de acusações ou procurando pela culpa: Quem é o culpado? Agora sou culpado? O outro é culpado? Por trás dessa procura e dessas acusações está a idéia de que poderia ter sido diferente. Ou que talvez pudesse haver uma reviravolta. Entretanto, a corrente da vida flui para a frente, e não para trás.”

Realmente foi muito doloroso. Anos de dor, até conseguir chegar ao divórcio. E um desejo embutido em tudo isso: não quero mais passar por esta dor…

O casamento é um caminho espiritual

Porém, a vida apresenta situações onde somos confrontados a olhar outra e outra vez para nossas emoções desconfortáveis, para que possamos curá-las. E faz isso de uma forma irresistível. Por exemplo, nos faz apaixonar outra vez por uma mulher. Uma mulher que deseja profundamente passar pelo processo do casamento. E se realmente a amo, por que não? Há como uma relação sobreviver com integridade se o desejo dos parceiros não é visto? Sem que ambos possam estar dispostos a abrir mão das próprias convicções, de forma saudável, dialogada e com as emoções e negações dos dois devidamente esclarecidas? Eu diria mais: há como o amor se manifestar em sua beleza e totalidade, sem que baixemos nossa guarda, nossas certezas, nossas verdades e nos entreguemos verdadeira e profundamente um ao outro? Um homem confiando totalmente numa mulher e uma mulher confiando totalmente num homem?

No fundo, sempre acreditei na união do homem com a mulher como um poder místico. O casamento, para mim, é um caminho de autoconhecimento, fusão e transcendência. Deepak Chopra confirma: “As pessoas se casam por diversas razões, mas acho que a melhor delas é se amarem e se dedicarem um ao outro para realizar um amor e um destino espiritual que não conseguiriam alcançar sozinhos. Pode ser preciso uma vida inteira para atingirem juntos esse objetivo sagrado, mas é bom termos desde o início o máximo possível de certeza de que aquela é a pessoa certa para embarcar nessa viagem e com quem ter desde o início a mesma visão do objetivo”.

Eu posso hoje afirmar que encontrei as pessoas certas. Parte deste caminho foi trilhado na relação anterior. Que teve um prazo de validade. E agora, o universo me mostrava mais uma possibilidade de continuar na estrada. Em outro casamento. Resolvi dizer: sim!

A diferença entre casar ou morar junto

Senti imediatamente a diferença entre casar e morar junto. Não entendia muito a lógica disso, o porquê de perceber um peso diferente ao estar oficialmente casado, e busquei novamente em Bert Hellinger a explicação: “O casamento é a despedida da juventude. O relacionamento a dois sem casamento é a extensão da juventude. Quando um casal vive muito tempo junto e não se casa, um diz ao outro: Estou procurando algo melhor. Isso é ferir constantemente.”

Percebi que uma das barreiras que me impediam de confiar plenamente no casamento e numa mulher era ainda estar preso, emocionalmente, às dores da relação anterior. Portanto, era mais cômodo estar “namorando”, ao invés da responsabilidade sagrada de dividir a própria vida com uma mulher – e vice e versa. Sobre isso, Hellinger também esclarece: “Um vínculo se cria através da consumação do amor. Esse vínculo é indissolúvel. Ele permanece.

Um segundo relacionamento somente é possível quando o primeiro vínculo é reconhecido. No segundo relacionamento, o vínculo é menos forte do que no primeiro. Em um terceiro relacionamento ele é ainda menos forte. Ele diminui de relacionamento a relacionamento até que praticamente não exista mais nenhum vínculo.

O amor não é a mesma coisa que o vínculo. É importante saber disso. A gente pode amar mais num relacionamento posterior do que num anterior.

Para que um segundo relacionamento dê certo é preciso, portanto, que o relacionamento anterior seja, em primeiro lugar, reconhecido e, em segundo lugar, deva ter sido dissolvido de maneira positiva”.

Pois é… precisei de muitos anos para poder ressignificar toda a relação anterior, o que também significou ressignificar a relação dos meus pais e avós. Posso dizer que um bom trabalho foi feito. Da parte da minha esposa também.

Até que pudéssemos estar razoavelmente libertos para dizer: Sim! A história acaba aqui? Não… claro que não! A história começou antes, e simplesmente, continua! Porque aprender a abrir o coração e se entregar ao êxtase místico e divino da relação a dois é uma jornada para toda a vida.

Procurando papai e mamãe no relacionamento afetivo

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Ela ama muito o seu filho. E descobriu que o sufocou, transformando-o no “filhinho da mamãe”. Um menino frágil emocionalmente, que não sabe lidar com outras mulheres e desvalida a pai dentro de si. Esta mãe vê no fracasso do filho o seu próprio fracasso em relação aos homens. Pois se sente fracassada como filha, em relação ao pai. Assim, tenta consertar o filho. Empurra ele, dá bronca, joga ele para a vida. Como um pai faria. E este filho dá errado, honrando a imagem desvalidada do pai, dentro da mãe. Volta com o rabinho entre as pernas, procurando o colo. Ele só quer a mamãe. Mas não encontra, porque a mãe, de tanto estar presa à imagem do pai, masculinizou-se. Só sabe mandar. Não sabe acolher. Esta mãe é a “filhinha do papai”. Alguém que, de tanto amar ou odiar o próprio pai, negou a mãe dentro de si. Negou a mulher que ela é. Aprendeu isso dentro de casa, olhando a relação dos seus pais. Neste jogo infindável, continuamos a reproduzir o ódio entre homens e mulheres. Homens frágeis emocionalmente e mulheres fazedoras, e solitárias.

Alguém haverá de perguntar: e aí? Como é que se acaba isso? Teremos que olhar para a raiva que carregamos. Raiva e dependência. Nós, homens, a raiva do feminino. A tentativa de humilhar a mulher, manipulá-la, para depois, descartá-las. Assim, voltamos ao colo da mamãe em busca do colo que não tivemos. Precisamos dar adeus à mamãe! Nunca teremos este colo, e nossas mulheres não poderão cumprir este papel maternal.
E você, mulher, precisa olhar para o jogo de amor e ódio em relação ao pai. Que se reflete na sua relação com os homens. Onde você recria a desconfiança, manipulação e desonestidade que seus pais viveram. Papai nunca estará com você! Ele não pode te preencher. Portanto, você se condena a ser uma mulher solitária, enquanto espera a volta do papai. Os homens da sua vida sentirão esta energia, e dirão: sim! Você quer a solidão, eu a deixo só…. É necessário divorciar-se do papai. Deixá-lo partir. De dentro de si. Mesmo que isso doa muito…

Alex Possato

Antes de reclamar de sua mulher…

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Eu sei. Temos um ímpeto muito grande em querer corrigir os defeitos dela. E mostrar que somos superiores. Mas respire um instante. Não faça nada. Não sei se você vai entender o que vou falar. Mas vamos lá. Repare o quanto é incessante esta necessidade de mostrar-se melhor que ela. Você está reeditando as mágoas que possui da relação com a sua mãe. Época em que não podia reagir, afinal, ela era a mãe. Toda a mágoa, abandono, descaso, opressão, desvalidação. Você também está reeditando a relação ruim, mentirosa, descompensada, que seu pai teve com sua mãe. E seus avós. Bisavós. A guerra dos sexos eterna, que impede que o amor possa florescer, expandir e curar todas as feridas e dores, conduzindo um homem e uma mulher ao êxtase que a união sagrada deseja levar. A palavra de repressão, a censura, a desvalidação diária funciona como tortura e agressão, e fatalmente irá detonar com tudo o de bom que um dia você e ela viveram. Você já parou para pensar: ela não é mamãe, e nem você é uma criança ferida. Já passou… faz tempo.
Se você me perguntar: e ela? Como fica a constante necessidade dela me criticar? Eu digo: o mesmo vale para ela. Você não é o pai que a machucou. Esqueceu. Abandonou. Usou. Agrediu à mãe. Traiu. Serviu de capacho. Mas você não tem a menor necessidade de mostrar isso a ela. Na escola do relacionamento, cada um deve fazer a própria prova. Antes de abrir a boca para condená-la e machucá-la, pegue o lápis e borracha, e faça a sua lição. Olhe para a sua história familiar. Você entenderá o que estou falando. E irá, passo a passo, se libertando das dores e mágoas que sua mãe provocou. Verá, assim, que pouco a pouco, seu coração se abrirá ao verdadeiro amor, que só se mostra quando as feridas infantis podem repousar em paz, definitivamente, no cemitério do passado.