O verdadeiro Amor na relação afetiva

amor verdadeiro

 

No começo é um tesão! O outro é maravilhoso. Um ser perfeito que Deus colocou no seu caminho. A saudade parece corroer as entranhas; é quase impossível passar mais de 24 horas sem vê-lo. E o encontro? Ahhhh… o encontro é uma explosão de prazer e gozo, saudade e alegria, renovação e encantamento.

Mas os meses passam. E assim como o café vai sendo esquecido sobre a mesa, sem ser tomado, porque “preciso correr para o trabalho”, aquilo que era quente e amistoso, passa a ser frio e sem graça como o leite que esfriou, criou nata e uma crosta de gordura na caneca,  difícil de ser removida. Por que é tão complicado manter um nível de satisfação elevado numa relação mais duradoura? Porque aquele “néctar dos deuses” se transforma num duro e sem graça pão do dia seguinte? Como reacender o interesse por alguém que amamos, mas não sentimos mais o mesmo tesão do começo da relação?

Dura missão falar sobre isso! Mas é um tema que tem estado recorrente nos papos com amigos. Nas conversas com minha parceira. Nos atendimentos terapêuticos que realizo. E falando seriamente, não sei qual a linha de raciocínio vou seguir. Vou deixar a intuição me guiar, porque é um assunto que, embora eu tenha várias teorias sobre… estou aprendendo na prática, com a minha experiência, como transitar do estado de encantamento de uma relação no começo para o aprofundamento de uma relação com compromisso. E como ultrapassar os eventuais perrengues pelos quais passamos, ao longo dos anos, dormindo com a mesma pessoa ao lado.

Tão logo o compromisso se instala, os padrões antigos se repetem

Passada a fase do “amor I love you”, e principalmente, quando nos comprometemos, um com o outro, a construir uma relação duradoura, vamos ver padrões antigos se manifestando na nossa forma de agir com o outro. Sem perceber, é comum entrarmos num papel de qualquer coisa, menos verdadeiros companheiros. Por exemplo:

– viramos papai da companheira, e começamos a achar que temos que protege-la, orientá-la, dar bronca e pagar sorvetes e a entrada no parque de diversões;

– viramos mamãe do companheiro, e nos mostramos cuidadora, censora, vigiamos o boletim escolar e as mensagens de whatsapp, criticamos a roupa que ele veste e os modos como ele se porta com os outros, damos remedinho e tratamos quando ele ou ela estão dodói;

– em outros momentos, somos o conselheiro dele ou dela, e começamos a orientá-lo como se portar no trabalho, na família, nas amizades. Motivamos ele(a) para a vida, damos livros geniais, indicamos filmes e cursos, sempre com o intuito de melhorá-la(o). Pois do jeito que o traste está, não vai dar certo;

– em alguns casos, somos o liberal: tudo tá bom, fingimos não ver nada, não cobrar nada, permitir que o outro seja como é, mas no fundo, temos muito medo do compromisso, e estamos inconscientemente torcendo que ele vá embora. Afinal, já sabemos que “iremos ser abandonados”. E também, tanto faz: ele não era tudo isso e eu arrumo outro!

Eu poderia ficar falando de padrões de comportamento em casais que massacram, oprimem, amarram, seduzem, etc., até amanhã. Ou depois de amanhã. Mas o padrão em si não é o importante neste momento. Queria que você analisasse a si mesmo, e pensasse nestas duas perguntas:

Por medo de perde-lo(a), o que eu faço? Prendo ou abandono? Seduzo ou chantageio? Fico em cima ou dou espaço? Viro professor ou cuidador? Adoeço ou mostro-me mais poderoso que o outro?

Por medo de perder minha liberdade, o que eu faço? Busco ocupações externas? Dou escapadas? Dou um “perdido”? Mostro-me o “fodão” e não permito ver minha rotina invadida? Trabalho demais ou me ocupo com a família e outras pessoas?

 

Olhando para minha forma de proceder, vejo que o jogo se mostra dos dois jeitos: tanto tenho medo de ser abandonado, como também tenho medo de perder minha liberdade. E sinto a mesma coisa vindo da parceira. Filosofando um pouquinho, parece que vivemos um modelo de tensão natural, que põem a prova a energia mais fundamental atuando no masculino e feminino: a liberdade e a união. O ficar e o partir. O prender e o soltar.

Homens e mulheres se digladiam porque não sabem lidar com estas duas forças poderosas e aparentemente antagônicas:  a liberdade e a união.

Saindo dos padrões emocionais dolorosos e indo além

Seremos provocados muitas vezes em situações onde sentimos que iremos ser abandonados ou aprisionados. Por exemplo:

  • Excesso de trabalho
  • Gravidez ou dedicação aos filhos
  • Doenças pessoais (físicas ou emocionais) ou da família
  • Viagens longas
  • Dedicação à família de origem
  • Foco nos estudos ou cursos
  • Uso do tempo com amigos e hobbies
  • Cuidados com obras, construção, patrimônio, dívidas

Inevitavelmente, nestes momentos as emoções inconscientes virão à tona. Se por algum motivo, tenho marcas doloridas de abandono dentro de mim, ao menor sinal que a companheira está se dedicando a outra coisa que não sou eu, somente eu, totalmente eu, irei espanar. No momento em que ela se dedica demais no trabalho, ou aos filhos, ou na casa da família, ou ainda em viagens, estudo, etc., vou surtar. Sapatear sobre a mesa de jantar. Cair na cama com febre de quarenta graus. Ter uma ataque de fúria e quebrar todos os discos do É o Tcham dela.

Agora… se eu estou do outro lado, e sou a pessoa que está em busca de sentir-se livre, indo para a vida, saindo para fazer as próprias coisas, cuidando dos próprios assuntos, e vejo o companheiro fazendo de tudo para prender-me, eu também começarei a espanar. A dar distância. A fechar as pernas e evitar o sexo. A intimidade. A exagerar mais e mais no estar fora de casa, não importa os motivos. A humilhá-lo e fazer coisas que nos afastará, um do outro. E ainda irei justificar: é para o seu bem! Para você crescer, meu amorrrr!

Da mesma forma, esta pessoa que necessita a liberdade extrema, também tem dores inconscientes de ter estado aprisionada por alguma relação tóxica. Mesmo que ela não tenha lembranças, afinal, os traumas podem ser transgeracionais, quer dizer, vindos do pai, mãe, avós e antepassados. São memórias antigas que despertam padrões de dor. E carregamos sem saber.

Esta fase de lidar com dores inconscientes é inevitável. Seremos desafiados em uma ou várias relações afetivas. Temos que passar por isso, mesmo sendo tão desagradável. Não dá para avançarmos no autoconhecimento que uma relação propicia, sem desprogramarmos os padrões reativos que carregamos dentro de nós. Sem olhar para o ódio que temos do feminino e masculino. Das prisões e abandonos que nos habitam. E olhar para as consequências que estas dores causam na nossa autoestima e capacidade de expressar nossa verdadeira, pura e espontânea beleza.

Chegará um momento em que teremos certeza absoluta de que jamais seremos abandonados, e também jamais seremos aprisionados. Porque a sensação de ser abandonado ou aprisionado é uma neurose. Não é realidade. As pessoas vêm e vão. Nascem e morrem. As relações começam e terminam. Assim é a vida. Da mesma forma, vivemos sempre com pessoas. E a sensação de estar preso ou livre é porque permitimos viver jogos nas relações. E os jogos podem mudar as regras. Podemos fazer regras muito agradáveis. Baseadas na alegria e no prazer. E não na manipulação e sofrimento.

O verdadeiro Amor na relação afetiva

Olho para as relações afetivas como material de escola. Sempre que minha companheira me desperta alguma sensação de abandono ou aprisionamento, me pergunto: qual dor antiga, dentro de mim, está sendo provocada? O que devo aprender com esta dor?

Por exemplo, às vezes, a minha amada aquariana está livre e solta por aí, cuidando dos seus próprios assuntos. E eu, um canceriano tosco e caseiro, fico achando que o lar e o coração estão vazios. Logo, vem o abandonado interior gritar. E enquanto ele grita, evito a primeira tentação de taxar: ela é a culpada! Olho para minha dor. Relembro quantas e quantas vezes me senti abandonado na infância. Literalmente. Abandonado por pai, mãe, irmãos, avós. Sozinho e entregue às minhas próprias dores, que eu adorava ruminar. E vou além: sim, existe um abandonado em mim! Isso não vai mudar! Você, criança carente interior, faz parte! E eu te vejo…

Desta forma, entro em contato com o fantasma do abandono, que não tem realidade no aqui e agora. Aprendo a acolher partes de mim, que eu mesmo abandonava. E tudo isso, graças à sensação de que minha parceira não está cuidando de mim. Aí, quando estamos novamente juntos, olho-a com verdadeiro ar de gratidão. Sincera. Profunda.

Em outros momentos, me sinto tolhido na minha expressão. Acho que estou sendo aprisionado por ela, e não posso fazer o que desejo. Mesmo quando faço, é como se houvesse um sentimento de culpa permeando o ato. Quantas vezes não estou totalmente presente nas coisas que faço, quando estou longe de casa, porque parece que deveria estar com ela. Vivo o outro lado: aquele que está abandonando. E deixo de viver plenamente o momento de liberdade, fora da relação. Lógico: se pergunto a ela, em geral está tudo bem estar longe. E às vezes também não, mas aí, é o problema dela, e não o meu.

Investigando a raiz disso tudo, é a mesma coisa. É uma grande neurose. Não tem realidade. Temos uma relação honesta, onde às vezes estamos juntos, às vezes estamos separados. E cada um está buscando suas próprias coisas. As sensações emocionais pesadas não têm a menor verdade. Ao perceber a culpa, o medo, a angústia que vem quando estou longe, trato da mesma forma: vejo vocês. Vocês fazem parte. Eu cuido de vocês. Ela, minha parceira, não tem nada a ver com isso.

E assim, quando estamos juntos, novamente, posso olhá-la amorosamente. Entendendo o quanto é profundo ter alguém para me despertar estes trabalhos interiores e que é o instrumento do meu desenvolvimento espiritual.

Quando percebemos que realmente o outro é um instrumento divino, colocado no nosso caminho para mostrar a nossa capacidade de amar, além das dores, sentimos o verdadeiro Amor se mostrar. Não o amor da paixão, que é químico: mas o Amor do coração, que é uma conexão muito mais profunda, duradoura, abrangente. Ao acessar este Amor, não há mais personalização. Não amamos especificamente nosso parceiro, mas Amamos. Amamos o todo. Amamos a nós, nossas dores e nossos dons. Amamos o companheiro atual e todos os anteriores. Pois somos um só. Vivenciar este Amor tem o poder de dissolver a sensação de separação que o Ego criou. Que lindo, não?

Neste Amor, a liberdade vive em união. O antagonismo desaparece. E o medo se dissolve.

Alex Possato

II Congresso Online de Relacionamento Amoroso – de 17 a 23 de setembro de 2018

cora

E aí gente? O que acha de participar de um congresso online sobre relacionamento amoroso, que você poderá acompanhar do seu próprio celular? 1 semana com grandes especialistas falando sobre este tema que tanto nos toca? E além disso… De graça!!!
Eu estarei no dia 19 de setembro, às 16 horas, conversando com você! O tema será “A arte da solução no relacionamento afetivo!” Vamonessa?
Bora se inscrever! Tem muita coisa boa! Clique no link abaixo!

http://corasocial.org/congresso/alexpossato/

 

 

 

Falando de dinheiro em casal

falando de dinheiro em casal

 

Certa vez, estava lendo o ótimo livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, e ficou muito claro para mim a necessidade de criar uma comunicação saudável entre ambos os parceiros, pois existe uma coisa muito óbvia: é preciso falar do dinheiro, planejar, ver o que é utilizado para os sonhos de cada um e para o sonho do casal, como administrar, como gastar, onde investir… Dá pra fazer isso sem diálogo, sem transparência? Não!

E veja que incoerência! Justamente eu, um cara que se acha tão esclarecido e “terapeutizado”, não falava sobre dinheiro com minha esposa. Fazia meus controles, meus investimentos, mas ela não tinha a menor noção de quanto eu ganhava, onde eu aplicava, enfim, a transparência mínima necessária para começar a conversa sobre finanças. E por que será que é tão difícil falarmos de dinheiro abertamente para a pessoa que está ao lado? Este é um aspecto que gostaria de elaborar um pouco.

Eu não confio nele(a)

Carregamos em nós memórias de padrões dos nossos pais, avós, bisavós. E na minha prática de constelação familiar, vejo o quanto que estas memórias estão impregnadas de enganação, perdas, descasos, opressão, mau uso do dinheiro, e assim por diante. Por exemplo: Quantos pais e mães deixaram de cumprir suas funções de provedor, no passado? Quantos filhos bastardos não tiveram direito a nada? Nem as respectivas mães? Quantas brigas, por causa de dinheiro, demoliram a convivência do casal? Isso e muitos outros fatores, sem que saibamos conscientemente, estão afetando a nossa forma de se comportar em relação às finanças.

Investigue um pouco:

  • Quem era o provedor, na sua família?
  • Como eram discutidas (ou não) a forma de se gastar, de se poupar, de se organizar?
  • Quem ganhava menos (ou não ganhava) tinha direito a colocar seus sonhos, suas vontades?
  • Havia carência? Ou esbanjamento?
  • O dinheiro era utilizado para comprar o carinho, a fidelidade?
  • Houve conflitos relacionado a partilhas, heranças, benefícios?
  • Alguém quebrou ou passou por sérias crises financeiras?
  • Mesmo que irreal, existia (ou existe) o medo da escassez, da falta, de “passar fome” e/ou de “morar debaixo da ponte”?
  • Como foram suas relações afetivas: quem bancava as contas? Como foram as separações das obrigações?
  • Você enganou ou sentiu-se enganado nas relações – no aspecto do dinheiro?

Estas perguntas podem ajudar você a entender alguns aspectos internos da sua relação com o dinheiro, e consequentemente, da sua relação com seu parceiro(a) no quesito finanças. É importante não ser infantil: toda relação afetiva envolve outras coisas, além do amor. Principalmente, nossa psique tão machucada por dores, abandonos, descasos e enganações do passado, busca no outro segurança material e emocional, em primeiro lugar. É a base da pirâmide: sem esta segurança, o sucesso dos planos de casal é inviável.

 

Aprender a revelar-se

Ter dificuldades com o dinheiro, medos e padrões financeiros ineficazes não é demérito para ninguém. Aprendemos com a nossa família, com os padrões herdados e com a nossa experiência de vida. E se você já saiu da imagem do príncipe ou princesa em busca de uma relação de conto de fadas (e olha que muitos ainda estão procurando isso!), deve entender que uma relação afetiva inclui revelar o seu lado Shrek e Fiona, que todos temos, o universo todo sabe disso, o cara ao seu lado também, e continuamos a fingir não ter.

Num sentido sistêmico, nos sentimos atraídos por um parceiro afetivo para que o Amor possa se manifestar nesta relação, e frutificar em benefícios ao mundo. O Amor sempre gera frutos! Podem ser filhos, projetos, prosperidade, serviços… Mas é lógico que, por termos dentro de nós traumas que trazem desconfiança, teremos que aprender a desarmar nossas defesas, a confiar de forma inteligente e metódica, a ir gradualmente despindo a fantasia de príncipe para mostrar nossas verdadeiras faces ao outro.

Vivemos um tempo que pede, com urgência, esta revelação! A verdade imperando dentro do lar, dentro das relações, dentro da família… Pelo menos, se você está cansado de dar murros em ponta de faca, quer dizer, entrar e sair de relações onde se sente ferido, ou estar fechado ao outro (mesmo estando numa relação), deve pagar o preço do Amor: entender que é você que carrega medos, traumas, bloqueios, e por não confiar… não se abre… e acaba encontrando alguém que irá corresponder a este seu padrão.

Imagine como seria dizer:

  • Eu me sinto mal de não ganhar tanto quanto você
  • A sua forma de arcar com as despesas me faz sentir inferiorizado
  • Eu uso o dinheiro para ter poder sobre você
  • Gostaria de poder usar parte do dinheiro para sonhos meus, pessoais
  • Estou pagando as contas da minha família anterior
  • Me incomoda o fato de você gastar mais com sua família do que conosco
  • Vejo, na herança que vamos receber, uma possibilidade de salvar nossa situação financeira
  • Tenho medo de ir atrás do dinheiro e não confio no meu poder
  • Estou totalmente descontrolado financeiramente – você pode me ajudar?
  • Estou de saco cheio do meu trabalho, mas não saio porque ele é nossa segurança
  • Morro de medo da miséria! Mesmo sem sentido…

Pergunte-se: qual a revelação eu nunca fiz para um parceiro afetivo? Mesmo que você não fale, explicitamente, como seria imaginar dizendo isso? Dizemos a nós mesmos que um dos valores que mais prezamos é a verdade. E ficamos muito putos quando nos sentimos traídos. Mas num sentido profundo, eu digo: as nossas “verdades” não ditas na relação afetiva é uma traição, e a não exposição delas, são formas camufladas de mentir.

Convoque uma DR (discussão de relação) financeira

Se existir clima, sem forçar, pense seriamente em convocar DRs financeiras periodicamente. Existem inúmeras situações que precisam ser abertas, esclarecidas. Casais que convivem com desequilíbrios profundos, que vão minando qualquer possibilidade de confiança e manifestação de amor, poderiam ver a situação se resolver simplesmente conversando. Por exemplo: quantas pessoas se sentem exploradas pelo outro? Quantos parceiros se sentem humilhados por não poder colaborar da forma como gostariam na vida do casal? Quanto desperdício de dinheiro em coisas supérfluas, vícios, desvios?

Tudo isso pode (e deve!) ser olhado de frente. Somos humanos, e um parceiro afetivo verdadeiramente envolvido para o crescimento da relação, saberá lidar com todos os desvios, em prol do desenvolvimento conjunto. O amor pode se manifestar na verdade. Ou melhor: o amor pode se manifestar na verdade. Por isso, encare a sua verdade, e mãos à obra! Abaixo, vou deixar algumas regrinhas básicas, que podem orientar a sua DR financeira. Elas são extremamente importantes:

– fale sempre de você. “Eu me sinto fracassado, quando vejo você trabalhando, e eu desempregado!” Evite, terminantemente, apontar o dedo e dizer coisas assim: “Você me humilha com o seu jeito provedor!”;

– conte dos padrões financeiros que acompanham a sua vida, desde a infância, passando pela adolescência, primeiros trabalhos, como lidou com o dinheiro nas relações afetivas;

– fale dos seus sonhos pessoais – o que faria somente para si, com o dinheiro?;

– imagine também os sonhos de casal – o que seria, para você, um bom uso do dinheiro para planos conjuntos?

– revele o quanto você ganha, onde você gasta, como economiza (ou não);

– fale de suas dificuldades e como está disposto a superá-las (se é que está… e se não está, seja sincero);

– você poderá falar do que incomoda no outro, mas sempre dizendo: “isso que você faz me deixa… (triste, raivoso, frustrado, ausente, etc.)”

– e agora… ouça tudo do outro, sem interferir…

Lembrando: o outro precisa estar realmente disposto a conversar. Não force. Se você percebe que não rola, aguarde o tempo que for necessário, para que a confiança possa surgir. Ou talvez, a urgência do papo se manifeste. E se não for possível realizar isso somente em casal, busque o auxílio de um especialista, que fará a mediação. É importante entender, que às vezes, antes de harmonizar, algumas sujeiras que estavam embaixo do tapete vem a tona, e poderá haver uma fase de turbulência. Lidar com a verdade é algo bem difícil, e precisamos, em nome do Amor, respeitar o tempo do outro.

Entenda, definitivamente: encontramos uma relação afetiva para nos ajudar a manifestar o Amor. E uma das formas que o Amor atua é nos auxiliando a olhar em que ponto específico nós estamos fechados para Ele. Portanto, se seu parceiro te provoca, ele está mostrando exatamente o ponto onde você ainda não desenvolveu compaixão, flexibilidade, inteligência emocional. Assim, respeite o tempo! Tanto o dele, quanto o seu! Quando você aprender a sua parte, o caminho para o Amor estará desimpedido…

Alex Possato

Comunicação no casal: como se entender? (vídeo)

 

Desta vez uma entrevista! Alex Possato e Lu Cerqueira, terapeutas e parceiros afetivos, fazem perguntas um para o outro, falando sobre os problemas e soluções da comunicação do casal. Como um homem funciona? O que ele quer? Como a mulher funciona? Quais os segredos do feminino que os homens não veem? Neste papo descontraído, Alex e Lu falarão de assuntos muito importantes: sexo, realização, mente racional x mente emocional, e muitas outras coisas! Acompanhe!

Vivência “O Dito e o Não Dito” – o olhar sistêmico na comunicação do casal – mais informações: https://alexpossato.com/o-dito-e-o-nao-dito/

Conheça o trabalho de Alex Possato acessando:

Instagram: https://www.instagram.com/alexpossatooficial/
Facebook: https://www.facebook.com/alexpossatooficial/

Conheça o trabalho de Lu Cerqueira acessando:
http://www.sagradoventre.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/Sagrado-Ventre-1892103484444769/

Quem ama, escuta

quem ama escuta

Ontem, encontrando minha esposa trabalhando, fui surpreendido por uma situação: ela comentando algo que acontecera na sua relação de trabalho com uma outra pessoa. Algo desagradável, que ela não soube lidar de uma forma muito assertiva. Pelo menos, esta era a minha opinião de homem. Afinal, um homem sempre quer assertividade. Respostas. Esclarecer as coisas. Somos verdadeiros solucionadores. E quando não é possível solucionar algo, ou não sabemos a resposta, viramos as costas, dizendo: esqueça isso!

Você já percebeu este fato? Como o homem, em geral, tem a necessidade de resolver, falar as verdades, finalizar assuntos? Somos focados sempre em direção a um objetivo. Lembro-me que lá nos idos dos anos 90, li um livro que achei fantástico, um best seller chamado Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus. Nesta época, eu vivia uma relação afetiva onde tinha enoooormeeeee dificuldade de me comunicar com a parceira. Me fazer entendido. E lógico, não a entendia também. E este livro esclarecia várias diferenças de comportamento entre homens e mulheres, mostrando claramente: somos quase que radicalmente opostos. Falamos de formas diferentes. Nos comportamos de jeitos diferentes e queremos coisas absolutamente diferentes. Aí, vamos morar sob o mesmo teto, dividimos a mesma cama, a mesma mesa, o mesmo banheiro, e o que acontece? Encrenca!

John Gray, autor deste livro clássico, diz: “Do mesmo modo que um homem se satisfaz solucionando os detalhes intrincados da resolução de um problema, uma mulher se satisfaz conversando sobre os detalhes dos seus problemas”.

Ok, sei de tudo isso desde os anos 90, não é? Mas o cara esperto aqui, que já leu tanto, já se trabalhou tanto e fez tantos cursos, e hoje é um terapeuta experiente, simplesmente entrou no seu “jeito homem de ser” e começou a dizer o que estava certo e errado no problema da esposa. Quais eram os padrões que se mostravam e apontando para o ponto emocional que não estava sendo visto naquela situação. Tinha razão? Quem sabe? Mas esse não é o ponto. Simplesmente eu não ouvi o que ela falara. E neste sentido que me refiro, ouvir quer dizer: criar sintonia com o sentimento do outro. Escutar além do que foi dito.

Escutar é ouvir com o coração

Gente, como é bom amar alguém! E amo minha esposa, sem dúvida! Por isso que tento, insistentemente, tirá-la das situações de sofrimento que percebo, quando me é falado sobre um problema. O cavaleiro prateado, montado em seu cavalo branco corre loucamente em busca de salvar a donzela, ameaçada por temíveis e cruéis monstros. Este é o arquétipo do homem que sempre deseja ajudar uma mulher (lógico, quando a ama!). Porém, este tipo de ajuda, na prática, levará invariavelmente à desvalia do outro e a problemas na relação. Porque a ajuda que a mulher precisa, em geral, é ser ouvida. Acolhida. Amparada. Às vezes, em silêncio.

Ao dizer que sei qual a solução, o que ela deveria fazer e qual foi o erro cometido, estou dizendo silenciosamente: você é burra! Incapaz! Incompetente! É por sua culpa que a situação deu errado! E isso vem de alguém que diz amar a mulher… Pois é, falhei…

“Quando falamos da escuta desinteressada do outro, sentimos que há um outro nível de audição que precisamos de aprender. Não há apenas uma escuta com os ouvidos, mas também um escutar com o coração, que mais não é que uma escuta profunda, onde todos os sentidos nos são úteis”, diz o escritor português José Tolentino Mendonça.

Logo que percebi meu engano, silenciei. Nossa, como é difícil não entrar neste papel de salvador da donzela. Papai da filhinha. Professor do aluno. Meu mestre de constelação familiar, Bert Hellinger, já vai dando porrada: “O apreço implica reconhecer que o outro tem o mesmo valor, embora seja diferente. Esse é o fundamento do apreço. O parceiro é diferente, mas é certo. Toda tentativa de converter o parceiro em algo que ele não é, torna-lo, por assim dizer, mais semelhante a si mesmo, está fadada ao fracasso e destrói o relacionamento”.

Da mesma forma que me comporto diante dos meus clientes de terapia ou meus alunos de constelação, entendo que o silêncio é o primeiro passo para a comunicação empática. Estou buscando aplicar esta técnica nas comunicações além do profissional, e vejo o quanto é efetiva: ouvir, e deixar passar. Não interpretar o que o outro fala e nem julgar. Respirar junto e buscar sentir no corpo o que aquela expressão está provocando. Olhar nos olhos e simplesmente compartilhar.

Foi incrível como, ao fazer isso, meu sentimento em relação ao problema que minha mulher disse mudou. Na verdade, o problema desapareceu. E eu entrei em conexão com ela. Com o sentimento dela, e senti talvez dores não expressas. A mulher é, em si mesma, um caldeirão alquímico de transformação de sentimentos. Passam pela mulher emoções de todos os naipes. Quando uma mulher fala de um problema, ela não está falando apenas de um problema. Ela está falando dela, mas também falando das pessoas envolvidas na situação. Das perdas que este problema pode provocar. Dos sentimentos envolvidos e talvez, negados. “As mulheres sabem coisas sobre as pessoas a seu redor – elas sentem o sofrimento de uma adolescente, os pensamentos do marido acerca de sua carreira, a alegria de um amigo ao atingir uma meta ou a infidelidade de seu parceiro em um nível intuitivo. A intuição não é somente um vago estado emocional, mas o resultado de sensações físicas reais que transportam significado a certas áreas do cérebro”, ensina a neuropsiquiatra Louann Brizendine, no livro Como as Mulheres Pensam.

Ao querer solucionar algo, estou desprezando esta alquimia que está ocorrendo com ela. O que a mulher pede, ao homem, quando conta um problema? Talvez ela diga: venha comigo! Ajude-me a processar em meu ventre estes sentimentos! Fique comigo, enquanto estou gestando esta energia conflituosa, buscando paz em mim e com os outros!

Tão diferentes, tão complementares

Viver bem ao lado da mulher que eu amo é um desafio! Pois, como falei, tenho que refrear meu impulso masculino de ser o solucionador e entrar num lugar de silêncio e escuta empática que são, em si, qualidades receptivas que vêm do feminino. Sair da mente racional e acionar o coração, em busca de uma relação afetiva de crescimento é um caminho que irá provocar as lembranças da relação afetiva que meus pais viveram. E também trará a tona a imagem interna que possuo tanto do meu pai, quanto da minha mãe. Afinal, reproduzimos aquilo que temos dentro de nós. Por isso que, nas minhas relações anteriores, não conseguia entender nem ser entendido. Vim de um lar de homens e mulheres que não se entendiam. Não falavam com clareza. Se reprimiam, se enganavam e se machucavam de várias formas.

Ao mesmo tempo, hoje vejo: que bom que podemos mudar isso! Que bom que podemos nos conhecer, através das nossas relações e conhecimento do passado! Descobrir os padrões de comportamento e padrões emocionais que nos habitam, e modifica-los. Entendendo que estas experiências são infinitas: descobrirmos que funcionamos de forma tão diferente – homem e mulher, e sempre será assim. E mesmo assim, posso confiar nela, e celebrar nossas diferenças, que nos complementam.  Eu atuando como homem. Mas abraçando dons femininos, que possuo. E ela atuando como mulher. Da forma como ela é. Do jeito que é…

Que cesse a necessidade de fazer dela algo que acho que ela deveria ser. Que eu me dedique a ser o melhor que posso, agora… Este é o meu mantra de hoje.

Alex Possato

 

Vivência “O dito e o não dito” – o olhar sistêmico para a comunicação afetiva – com Alex Possato e Lu Cerqueira – clique aqui e saiba mais

Sedução

Eu tenho medo de não te merecer. Medo de te perder. E você também tem medo. Seus medos? Não sei. Quem sabe medo da solidão? Medo de não dar conta sozinha? E então vem cupido e nos aproxima de forma alucinante. Não é amor. É loucura! Como loucos são todos apaixonados. Logo inicio o ritual do acasalamento. Despejo todo o charme, as flores, humor e poesias que guardei só para você. É o que falo, afinal, sei que te quero, e te quero a qualquer custo.
Mal sabe eu que você está jogando comigo. Enquanto faço os meus melhores esforços para transformar-me num ogro encantador, você aguarda. Analisa. Lembra-se dos antigos ogros e rememora suas velhas feridas e os amores rompidos. Não confia em mim, porque não confia nos homens. Eu acho que estou te conquistando, mas é você que tem o poder nas mãos. O sim e o não lhe pertence. E eu, somente jogo com o blefe. Quando você vê que eu acho que vou perder e quero desistir, discretamente abre dois botões da blusa e me enlouquece com a visão de quase nada, que me faz alucinar e imaginar quase tudo.
Gata e rato, cachorro e gata, homem e mulher. Brincando de amar, acreditando que brincar é amar. Mas nós temos medo do amor. Nos entregamos ao tesão, pernas e corpos abertos, coração fechado. Não confiamos. Carregamos feridas ancestrais. E subitamente percebemos que o jogo da sedução só serviu para nos aproximar. Corpos grudados e suados, descarregando toda a energia para não perder um ao outro.
Exaustos, sentados à beira da cama, olhamos para o chão, sem encarar os olhos, e continuamos sós. Se eu tivesse coragem, diria: tenho medo de te perder. E tenho medo de me entregar. Quero você. Mas também me quero. E se eu me entregar e me perder de mim?
Assim, nos afastamos. Cabisbaixos. Sem falar o que sentimos. O jogo da sedução acaba. Quando sentaremos frente a frente, olhos nos olhos, para falar dos nossos anseios e nossos medos? Quando aprenderemos a confiar um no outro, o suficiente para mostrar muito além dos nossos corpos: desnudar nossa alma, com toda a sua beleza e obscuridade?
Quero dar o primeiro passo. Tenho medo. Se você descobrir o ogro que sou, irá embora. Ou não? Bem… terei que arriscar. Quem sabe a minha honestidade te seduza? Quem sabe a verdade seja algo que liberte? Quem sabe esta brincadeira da revelação acenda novamente o tesão? Talvez acabemos na cama… mas desta vez olhando nos olhos, sem razão para fugir e se esconder, pois não haverá nada mais a ser escondido.
Fica a pergunta: será que a verdade também seduz?

Alex Possato (inspirado no sagrado encontro de homens – Diamante Bruto, Brasília, em 29 de janeiro de 2018)

Como eu, um homem, estou curando o meu feminino (vídeo)

Após uma vivência tântrica com sua esposa, Alex Possato entrou em contato com uma cura profunda em relação ao seu feminino: as relações afetivas antigas e principalmente as relações com a mãe e a avó, bem complicadas. Alex explica neste vídeo um pouco do caminho deste resgate e o que um homem precisa fazer para aprender a viver em paz com as mulheres da sua vida…

Leia o texto “Somente uma mulher pode curar o meu feminino” clicando: https://alexpossato.com/2017/10/14/so…

Acesse o site de Alex Possato: https://alexpossato.com/

 

Somente uma mulher pode curar meu feminino

mulher cura

 

Na hora de me apresentar, durante a rodada inicial da vivência Iniciação ao Tantra Sagrado, do argentino-espanhol-inglês do mundo Ronald Fuchs, disse: eu quero experienciar o tantra, já que tenho o conhecimento intelectual, mas no fundo, me sinto fechado… o coração fechado para uma mulher… fechado para amar.

Minha esposa, ao lado, deve ter olhado meio atravessado, mas eu não quis nem virar a cabeça para ver o que se passava com ela. Afinal, cada um trabalha o seu lado, não é mesmo?

Quantas vezes disse para mim mesmo: estou me trabalhando! Estou em processo! Como se fosse um advogado alucinado… em processo de que? Bem… estar buscando algo faz parte da vida de qualquer buscador.

Mas, falando sério, estou cansado de ser buscador. Quero agora me tornar um achador. E para isso, me coloquei a disposição do universo. Ele me apresenta as coisas, e eu me entrego às experiências, por mais maravilhosas ou doloridas que elas possam ser.

Já procurava a tempos um trabalho de tantra. Mas desisti de procurar, afinal, os trabalhos nos quais eu tinha confiança, nunca calhavam de estar em datas possíveis. Deixei. Larguei. E Luciana veio com essa indicação… vai ter esta vivência. Lá em Valinhos. Vamos? A minha amiga indicou, conheço quem está organizando… vi uma palestra do Ronald em São Paulo… gostei dele.

Como estou na fase do “sim”, e minha agenda também dizia “sim”, disse…. Sim! Rapidamente organizamos as coisas. Não tinha a menor ideia do que viria, e nem pensei… será que tenho que ficar pelado? Será que terei que compartilhar experiências sensoriais com outras pessoas? E deixar Luciana também livre para compartilhar com outros?

Quando confiamos e temos certeza do que é importante para nós, tudo sempre ocorre da melhor forma. Ronald é um… podemos dizer… um senhor, que a princípio não sabemos interpretar de onde vem. O seu nome meio britânico não denuncia a sua origem argentina. Mora em Barcelona. Viaja literalmente o mundo – do oriente ao ocidente, passando a sua maestria no tantra e renascimento.

Sua condução é delicada, sensível e também firme, focada nos rituais e no sagrado, nas trocas profundas entre casais, a partir do olhar e da respiração. Não, não tiramos a roupa. Em público, não. As trocas entre olhares são tão profundas, que nossa alma subitamente se vê nua. A questão nesta vivência não era expor o pênis ou a vagina, mas expor o coração. Lágrimas, gritos, espasmos, paralisia, suor, calor, tesão, medo, confiança, entrega… tudo surgia do nada, e no nada desaparecia…

Houve momentos de compartilhar com outras mulheres… mas a maior parte pude compartilhar somente com a minha mulher. E pude ver que atrás da imagem dela, existem muitas outras mulheres. Minha mãe. Minha avó. Minha ex-mulher. Minha filha. Minhas alunas. Todas as mulheres do passado. As mulheres que anseio, e as mulheres que abomino. Conhecidas e desconhecidas. Desta e de outras vidas. Tive a nítida sensação: não é necessário variar. Todas as mulheres do universo cabem em uma só. E se eu confiar minimamente na mulher que o universo colocou ao meu lado, ela me mostrará tudo o que eu necessito ver. Já passei péssimas fases em relações antigas. E não gostei muito daquilo que o universo queria me mostrar. Mas a fase mudou, felizmente. Hoje acho que era assim mesmo que tinha que ser. Aprender a olhar. Aprender a respirar juntos. Aprender a tocar, não somente para conectar o pinto, e não conectar o espírito. Como o sexo está desconectado da comunhão! Penetramos a carne, mas o coração continua vestido por mil armaduras.

Elas começaram a cair. Numa experiência transcendental onde eu e ela nos derretemos em lágrimas. Gritos. Dor. Gemidos. Confiança. Apoio. Sorrisos. Paz. O tantra sagrado se mostrou na minha vida. Descobrir a deusa que reside dentro dela. E o deus que reside em mim. Libertá-lo. Para ser quem sou. Assumir o meu poder. Deixar que ela se empodere. Esse caminho não poderia ser feito só, sentadinho, meditando, como tanto gosto de fazer. Parece que Deus reservou mais esta lição: o despertar da alma passa pela entrega e confiança numa mulher. E falar isso para um homem que se sente tão machucado por mulheres que subjugam, pressionam, deixam, desvalidam, cuidam com rudeza… é tão difícil! Mas estou na fase do dizer “sim”! Que assim seja! Eu, como homem, necessito de uma mulher. Que ela me auxilie no caminho da cura do meu feminino. Pois eu também estarei ao seu lado, auxiliando-a no processo da cura do seu masculino.

Mais um paradigma que se quebra, para mim: o caminho não se faz só. Nem sempre. É necessário confiar no outro. A mulher está sempre trazendo uma cura ao homem. Mesmo que a relação não esteja tão boa. Ou esteja. Isso não importa. Deus coloca as pessoas certas em nosso caminho. Se ela traz alegria, celebremos. Se ela traz dor, que saibamos aprender as lições. Até que deixemos de culpa-las por nossos problemas.  E também deixemos de jogar-lhes a responsabilidade impossível de nos fazer felizes. Aprendamos a nos relacionar como deus e deusa que somos. Não independentes. Nem codependentes. Mas interdependentes.

Alex Possato

Constelar relações afetivas: amarro seu amor em duas semanas, ou…

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Muitas pessoas estão em busca de amores. Um parceiro ou parceira para poder chamar de “meu amor”. Mas por não estarem reconciliadas com o próprio pai, a mãe e a forma – explícita ou oculta – que foi a relação afetiva deles, encontra um homem ou mulher que exatamente irá provoca-las a olhar para o que ainda não está ajustado em si. E, lógico, a relação trará conflitos. Conflitos necessários para que possamos nos abrir para a aceitação da nossa relação interior com nossos pais e as histórias de relações afetivas vividas por eles. E também pelos nossos ancestrais.

E como ninguém gosta de conflitos, ainda mais iludido por uma história de contos de fada, que diz que um parceiro afetivo existe para nos trazer felicidade, não aceita as lições que o Universo lhe traz. E descarta a relação. Alguns, estão tão machucados que não entram mais – braços, corpos e pernas fechadas para o outro, a outra.

Então… Tchan, tchan! Alguém fala pra fazer constelação familiar! Gente! Constelação familiar é terapia. Lembro-me recentemente de uma constelação onde a pessoa não conseguia há muito tempo (talvez durante toda a vida!) entregar-se para uma relação afetiva. E a constelação – lógico, né? – mostrou uma raiva enorme da mãe em relação ao pai, um galanteador que teve outras e outras mulheres, e deixava a mãe morrendo de ódio em casa. Para nós, terapeutas sistêmicos, entendemos que a menina também foi atingida pelo charme do papai, e de alguma forma, está apaixonada por ele. Simbolicamente, neste caso! Mas também aliada ao sofrimento da mãe, entendendo que relação afetiva é um desencontro temperado com ódio e abandono. Isso ocorreu na família dela. E também com ancestrais. Estas são as histórias reais de relação afetiva. Cinderela passa longe das verdadeiras histórias afetivas na nossa família, cheias de amantes, famílias paralelas, filhos bastardos, abortos forçados ou não, grandes amores rompidos, casamentos por interesse, bisavó pega a laço…

Com uma imagem interna assim, uma programação que diz, por exemplo – homem é charmoso, mentiroso e abandona, e relação afetiva duradoura e honesta não existe, não há como atrair algo maravilhoso. Algumas pessoas têm outras variáveis: homem ou mulher morrem, são fracos, doentes, violentos, bêbados, viciados, manipuladoras, etc. E o universo, sabiamente, irá nos prover de relações que irão nos desafiar nestes pontos ainda não interiorizados.

Vamos verificar alguns aspectos onde somos chamados a aprender a olhar numa relação? Lidar com o homem/mulher que não assume uma relação. Ou a traição. Ou ainda, a mentira. O descaso com o dinheiro. O desprezo. A humilhação. A solidão. Em muitas variáveis, estamos sendo chamados a nos tornar melhores seres humanos, mais compassivos. Para, aprender a lidar com todos os sentimentos que irão surgir desses desafios. Isso é constelar relacionamento. Qualquer outra ideia de que algum milagre irá acontecer sem a sua participação ativa no processo, sem o seu envolvimento profundo e corajoso, é uma grande enganação… Eu até acredito, energeticamente, em amarrações… É a energia da sedução potencializada com o desejo mental… Mas isso não é constelação… E cá entre nós, todos os acordos que você fizer baseado na carência e na manipulação, serão invariavelmente cobrados. E eu digo que o pagamento, quando vier, não vale a pena. Será muito mais doloroso. Não há como fugir das nossas lições. Melhor enfrenta-las e passar na prova, não é mesmo?

Na minha experiência de constelador, você se liberta quando encara verdadeiramente os sentimentos negados dentro de si. E muitas vezes, irá precisar de alguém para auxiliar a ver os sentimentos negados. A constelação irá auxiliar não a achar o príncipe encantado, mas a olhar com outros olhos o sapo que está ao seu lado. Ou abrir-se para relações, que irão provocar, mas você entenderá com maturidade as lições que vierem. E aprenderá até a curtir bons momentos que também irão ocorrer.

Ahhh! Esse caminho não serve? Que tal dar uma olhada nos postes perto da sua casa? Existem outras possibilidades. Eu não recomendo, mas…

Alex Possato

 

 

Eu quero libertar a mulher, mas… também quero ser cuidado por ela!

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Acabo de retornar de um revigorante final de semana prolongado em Gonçalves, pequena e pacata cidade na região montanhosa da Mantiqueira, Minas Gerais. Desta vez fui eu e ela. Somente eu e ela, como eu tanto desejava. Já que a última vez que era para ir eu e ela, quando vi, era eu, ela e outros convidados dela… Não que eu não goste de sair com grupos. Mas existem coisas que só podemos fazer a dois. Sim… além do óbvio… Por exemplo, DR. Discussão de relação. Só a dois. E era uma coisa necessária, já que havíamos falado em fevereiro sobre a importância de olhar para os rumos da relação – observando aspectos financeiros, emocionais, sexuais, afetivos, planos pessoais, planos do casal, etc., etc., etc. E cá entre nós, nunca é fácil conversar assuntos importantes entre um homem e uma mulher.

Por mais afinidade que tenhamos, os resquícios de problemas nas antigas relações, a falta de diálogo verdadeiro dos nossos pais e avós, as inúmeras crises e confrontos entre homem e mulher da nossa história familiar, os nossos bloqueios e neuras pessoais, tudo isso pesa contra o bom diálogo do casal. E é necessário estar pronto para aquilo que possa surgir. Porque discutir relação não é impor minha vontade. Nem engolir a vontade dela. É dizer o que sente, verdadeiramente, e para isso, é até bom pensar um pouco antes de falar. E estar disposto a escutar o que o outro diz, sem se melindrar.

Mas… às vezes, não é possível.

Preparamos tudo certinho. Um lugar encantador, vinho, amêndoas, isolamento, paisagem maravilhosa, cartinhas de tarô para quebrar a racionalidade… Mas bastou ela dizer que se sentia em alguns momentos não vista por mim, devido minhas inúmeras viagens, e que por causa disso, começava a “dar um gelo” em alguns momentos, dedicando-se aos seus trabalhos profissionais quando eu queria estar com ela, para que a minha criança interna gritasse.

Senti-me rejeitado, mas nem consegui falar isso na hora. Só no dia seguinte. O meu lado emocional ferido dizia: justo eu, que faço tudo para trazer segurança e estabilidade à família, agora ainda sou mal visto! Como se eu não me importasse com ela?!? Que audácia! Então, está bem! Não vou mais ligar para nada!

Lógico que dentro de mim também há um homem adulto que já se “terapiou” o suficiente para entender que a sensação de rejeição é originária das dores em vias de resolução das relações com as mulheres importantes da minha vida, antes: mãe, avó e ex-esposa. Mas na hora do “aperto”, não há razão – só emoção! Virei a cara e me enfiei na caverna.

Como um homem moderninho, já entendi que a mulher tem um lugar muito diferente na relação familiar: trabalha, tem suas responsabilidades financeiras, seus problemas pessoais e da própria família, e com certeza não pode estar disponível 100% do tempo para o homem. E aquela mulher que aguardava ansiosamente a volta do homem provedor para casa, para tirar seus sapatos, fazer-lhe um escalda-pés, dar-lhe uma sopinha quente e fazer carinho não existe mais. Mas talvez haja dentro de mim um homem que ainda espera esta mulher imaginária, e ao primeiro sinal de não ver este papel cumprido, fica irritado e magoado.

Os homens dizem que aceitam o novo papel feminino. Mas será que é isso mesmo?

“Detestamos as ideias de mudança, mas ao mesmo tempo muitos entre nós querem alterar os seus relacionamentos pessoais com as mulheres, e outros, mais ainda, acham que deveriam querê-lo. As nossas declarações de aceitação são muitas vezes disfarces ou rejeições do nosso ódio e da nossa recusa. Mas essas não são apenas emoções negativas. A maioria de nós quer verdadeiramente que as mulheres de nossas vidas sejam felizes. Muitos de nós começam a perceber que para que isso ocorra, é necessário que elas tenham autonomia pessoal, inclusive independência econômica. Alguns de nós querem superar o medo que sentem do poder feminino. Outros querem se libertar de fardos tradicionalmente masculinos”, diz Anthony Astrachan, no livro Como os Homens Sentem.

Trabalhando com grupos de homens há mais de um ano, tenho a percepção desta aparente incongruência: queremos que nossas mulheres sejam livres e felizes. E ao mesmo tempo, sentimos a falta dos cuidados delas. Nos sentimos responsáveis por inúmeras situações dentro do relacionamento, e temos a nítida sensação de não dar conta. E então, nos sentimos fracassados. Às vezes, não damos conta da vergonha que sentimos e damos o fora da relação. Este é um lado masculino que poucas vezes é olhado: dizem que os homens vão embora porque são sem-vergonha. Embora entenda que, terapeuticamente, há uma razão para um homem procurar outras mulheres – e não vou entrar neste assunto agora, o que eu presencio nos nossos grupos não é isso: os homens sentem muita culpa e vergonha. E não dão conta do peso de não serem “bons o suficiente”.

E sabe de uma coisa? Não somos “bons o suficiente”! Necessitamos dos cuidados das nossas mulheres também. Foi bom eu reconhecer a minha necessidade. Mesmo que tenha vindo em forma de birra. Ela também precisa de mim. Também não é “boa o suficiente”. Olhar para a necessidade de afeto que existe entre um homem e uma mulher é sair do padrão burocrático de cumpridores de papéis: o provedor, a cuidadora, o pai, a mãe, o garanhão, a disponível, o fazedor, a sonhadora, o que manda, a que segue. Nada disso tem tanta importância – e se essas funções são cumpridas pelo homem, pela mulher ou por ambos –  quando entendemos que uma relação existe para que ambos aprendam a amar um ao outro, incluindo as dores, as sombras, os medos, as dificuldades, as neuras, as carências… e também a doçura, a firmeza, o caráter, a amizade… as diferenças… E quando entendemos que, por melhor que façamos, jamais seremos capazes de suprir a necessidade de amor e cuidado que temos dentro de nós.

Conforme explica Eva Pierrakos, em Criando União: “Vocês lutam como se a vida de vocês estivesse em jogo – por dentro. É preciso admitir esse conflito para poder revelar o desejo original de ser amado, e o sentimento de tristeza por não serem amados como deveriam. Pensem na frequência com que as reações emocionais são desproporcionais quando alguém discorda de vocês. Entretanto, se estiverem profundamente convencidos de que aquela pessoa os ama de todo o coração, e manifesta seu sentimento com ardor e ternura, a divergência não importa.”