Por que brigamos? E o que isso revela sobre nós?
Subitamente, o Universo faz alguém cruzar o seu caminho e estoura uma briga. Pode ser um parente próximo, um amigo, um estranho ou até alguém nas redes sociais. A maioria das pessoas não deseja entrar em conflito, mas algumas, volta e meia são jogadas no meio do rolo. Vamos entender isso de maneira profunda?
⚡ O verdadeiro combustível da briga
A briga fala muito de duas emoções básicas: a raiva e o medo. Brigamos porque, em algum nível, nos sentimos ameaçados. Às vezes, até como se a própria vida estivesse em perigo. Brigamos também porque temos medo de perder o conforto, aquilo que foi conquistado ou temos medo de vivenciar agressões e abusos. A questão é que, 99% das vezes, não existem ameaças concretas. Um carro te fechou, alguém falou besteira no Instagram, ou um parente te faz uma desvalidação ou até uma ofensa, não significa que sua vida está em risco e você irá perder algo extremamente importante. Por mais que nosso ego fique abalado, se você quer mergulhar no autoconhecimento, precisará abrir um espaço entre você, a pessoa que te provocou e o fato que aconteceu. Vamos mergulhar?
🪞 A pergunta que pode transformar o conflito
Não importa se você reagiu ou não a uma provocação, ou foi você o provocador, passada a raiva do momento, se pergunte:
Qual parte do meu ego se sentiu ferida? Por exemplo, a confusão pode ter despertado a ferida de rejeição, do abuso, da injustiça, da humilhação, etc.
No momento em que conseguir, sinta-se ferido. Mergulhe nesse sentimento, e deixe vir à memória os momentos antigos onde, de alguma forma, a mesma ferida ocorreu. Não importa se você se lembra ou se é apenas uma impressão mental. Deixe que essa imagem interna tome forma.
Separe você, que observa, da imagem que você acessou. Perceba que há uma parte de si que consegue olhar para a cena e sentir o que ela te provoca no corpo. Ancore-se no “observador”, e não tente eliminar a imagem, ou acalmar as sensações. Simplesmente, respire, solte o ar, e deixe que naturalmente, as sensações diminuam a intensidade. Quando se sentir mais calmo, diga para a imagem acessada:
- Agora eu dou um lugar a você!
🧭 A hierarquia nas brigas
A sabedoria sistêmica também nos ensina: se brigamos com alguém que de alguma forma, tem um lugar de poder sobre nós – pais, tios, avós, chefes, autoridades, a vida está mostrando momentos de conflito na infância onde algumas dessas figuras nos machucaram, quando crianças. Em geral, pais, parentes ou adultos que tinham poder sobre nós.
“Uma briga com uma figura de autoridade acima de nós nos convida a acessarmos dores antigas em relação aos adultos e processarmos a dor, medo e raiva que sentimos e não pudemos dar vazão, por sermos crianças indefesas”.
Quando a briga é com irmãos, primos, colegas de trabalho, amigos, estamos falando de pessoas em hierarquia semelhante. Gente que tem o mesmo direito que nós, em tese. E essas brigas podem estar nos convidando a olhar para situações da infância em que nos sentimos deixados de lado, vimos alguém ser privilegiado, ou tomamos as dores de alguém que foi ferido e nós queríamos fazer justiça – mas não conseguimos.
“Uma briga com pessoas no mesmo nível de hierarquia que o nosso está falando sobre olhar para as injustiças, privilégios, desacordos e agressões que nós vivemos ou vimos alguém viver na infância, e não pudemos fazer nada.”
As brigas que ocorrem com pessoas de nível inferior ao nosso – filhos, funcionários, colaboradores, alunos, gente que, de alguma maneira, está sob nossa supervisão, nos convidam a exercer uma autoridade com amor e limites, coisa que talvez não vimos nas figuras de poder do passado. Caso estejamos identificados com omissão, rigidez ou violência, pode ser que adotemos esses padrões de comportamento com as pessoas em nível inferior, mas não realizamos o aprendizado de ficar em paz com as deficiências das “autoridades” do passado – especialmente, pai e mãe. Ao mesmo tempo, brigas recorrentes nesse nível também falam que estamos confrontando figuras de autoridade da nossa vida – chefes, professores, líderes, fazendo com eles (ou querendo fazer) o mesmo que estamos recebendo. Mais uma vez, há um convite para deixarmos o “eu psicológico” de lado e assumir uma postura consciente no lugar que precisamos ocupar: seja de pai, mãe, empresário, líder, professor, ou outro lugar de autoridade.
“Um líder está a serviço do sistema no qual ele está inserido, e deve conduzir todos da melhor forma, para que o sistema sobreviva e cresça. Se, para isso, tiver que fazer ajustes, afastar pessoas ou apoiá-las para que possam também se colocar num lugar adequado, isso deverá ser feito”.
Nas brigas de casal, estamos falando de duas pessoas na mesma hierarquia, porém, com energias complementares e ao mesmo tempo, opostas: a energia feminina e masculina. E não estou falando de gênero – homem ou mulher, mas das energias presentes em todo ser humano, que quando unidas, têm o poder de criar e trazer crescimento. Brigas de casal falam muito dos reflexos (inconscientes) que trazemos da relação dos nossos pais e ancestrais. Desejos reprimidos, opressão, funções e comportamentos exigidos por normas sociais ou religiosas, abusos, casamentos por interesse ou forçados, infidelidade e abandono, enfim, existe uma infinidade de histórias que todas as famílias vivenciaram, e que trazem possibilidades de conflitos, ainda mais em tempos atuais onde as regras dos relacionamentos estão em mutação. Aqui há um pedido da vida para que ambos baixem as armas e percebam não só os valores de cada um, mas também, os sentimentos de cada um. Regras de convivência precisam ser discutidas, experimentadas e mudadas. Mas numa questão mais profunda, as brigas de casal pede que fiquemos em paz com as energias feminina e masculina em nós, e que saibamos usá-las no dia-a-dia para a concretização de projetos.
“O casamento da energia masculina e feminina representa o poder da criação. Esse poder é interno e também externo. As relações externas servem para incentivar e ao mesmo tempo desafiar cada pessoa, já que, apesar de se atraírem, essas energias são opostas e exigem a supressão do ego, para que a magia da criação e desenvolvimento possa ocorrer!”
⚔️ A briga mais profunda: contra a Vida
Ainda há um tipo de briga muito comum, mas que é pouco comentado: a briga contra a vida. Fazemos muitas coisas para alcançar um objetivo – seja financeiro, profissional, empresarial, ou em relações afetivas, familiares, ou ainda desejamos mudar algo no mundo com o qual não concordamos. E quando essa luta não se demonstra frutífera – nem você nem outras pessoas são beneficiadas com o esforço, você fica com raiva. E medo do fracasso. Esse tipo de luta às vezes fala sobre falta de confiança na providência maior. No fundo, mesmo que a pessoa seja espiritualizada, não existe fé verdadeira. Há uma negação em relação às coisas como são. Deus errou! Nesse lugar, o ego tomou posse das verdades da vida, e mesmo que lá no profundo haja uma boa intenção, na prática é a negação que o move.
“Na luta contra a vida, o que se pede é renúncia. Faz parte do desenvolvimento humano lutar contra as coisas que a mente acha injusta. Mas em algum momento, deve cair a ficha de que as coisas não irão mudar tanto quanto desejamos. Chegará a frustração, e então virá a raiva, o medo e a tristeza. Essas energias emocionais poderosas, quando vivenciadas com centramento, abrem as portas para o Amor. Para a humildade. E para a ação conectada com valores mais profundos. Acaba a luta. E se inicia um movimento de construção pacífica, de colaboração, tolerância, e prosperidade”.
🚨 Quando a briga é constante…
O que mostra ser uma lição sistêmica com clareza é a repetição do padrão. Se na sua vida ocorrem polarizações constantes, a Vida está lhe dizendo que sua mente está identificada com uma guerra, que não é sua. É reflexo de guerras antigas, sejam da sua infância, sejam do seu passado familiar. E essa identificação com guerras antigas levará você, sempre, para uma posição de sacrifício. De derrota e frustração. Ou seja, sem perceber, por mais que seu ego se ache com razão, você está vivenciando um lugar de vítima. Afinal, como vencer uma guerra que não é sua, e que já passou?
🌱 A raiva e o medo são duas emoções poderosas
A raiva é uma energia emocional presenteada pela sabedoria do Universo para que possamos atacar ou fugir. E o medo é outra energia emocional importante, que nos convida a preservar a vida, garantindo a sobrevivência e o crescimento do sistema.
Usar a raiva e o medo em situações onde não há ameaças reais, causa no organismo e na psique uma perda ou desvio de força. Logo, essa pessoa identificada com medos e raivas do passado, não consegue construir com fluidez seus objetivos e atingir o seu Propósito de Alma.
Devemos agradecer cada situação interna ou externa onde percebemos a raiva e o medo disfuncional, porque é um sinal de que há um ajuste a ser realizado. Esse ajuste só poderá ser realizado quando conseguimos acionar o “observador” interno, que vê e sente toda a situação envolvida (inclusive a si mesmo) mas não age por impulso. Olha, respira, sustenta o desconforto, se permite desconstruir ideias fixas, evita condenar a si ou ao outro, e solta. Gradualmente, essa força começa a ficar a sua disposição, para ser usada nos objetivos que realmente têm sentido para o seu Propósito e para as pessoas que você veio auxiliar no desenvolvimento, na sua jornada de vida.
Com carinho,
Alex Possato
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