Vivência: O Dito e o Não Dito, em São Paulo

Paper cut of Family

O dito e o não dito

O olhar sistêmico na comunicação do casal

A interação como casal aproxima dois universos muito diferentes entre si e cria intimidade. Por isso mesmo, também traz desafios, especialmente alinhar a comunicação. O que um quer? O que o outro quer? Ambos são convidados a se entregar ao Amor e à comunhão, mas não foram ensinados a expressar suas verdades. Nem a ouvir o outro com o coração. Assim, o vínculo entre ambos vai enfraquecendo.

Se você está disposto a aprofundar no Amor, e quer aprender a se posicionar dentro de uma relação afetiva madura, sem repetir novamente os padrões de dores, abusos e separação já vivenciados no passado, este é o momento. Você irá “sentir” e exercitar a linguagem emocional que leva à cura, à reconciliação e à integração.

Perguntas como estas serão respondidas (e vivenciadas!) neste workshop:

– como expressar, assumindo meus sentimentos, sem magoar o outro?

– como não se sentir atingido por aquilo que o outro diz?

– qual o mecanismo para baixarmos a guarda e entrar em sintonia verdadeira com o parceiro?

– como restabelecer a comunicação, após uma desavença?

– qual o papel do silêncio e da escuta empática na comunicação do casal?

– como fazer da relação um aprendizado de desenvolvimento pessoal, sem sentir-se pessoalmente atingido pelas atitudes do outro?

O casal de terapeutas Alex Possato e Luciana Cerqueira conduzirão você nesta jornada do despertar o amor compassivo para o outro através da comunicação curadora e saudável.

Junto com eles, você compartilhará aprendizados e desafios vivenciados pelo casal, fará dinâmicas em grupo, constelações sistêmicas, exercícios em duplas, meditará e respirará o Amor de diversas formas, e será incentivado a exercitar a linguagem emocional, a única capaz de aproximar o seu coração do coração do outro.

Para quem é?

Casais, não importando a orientação sexual. E também para o participante individual que deseja melhorar a comunicação na relação afetiva, esteja dentro de um relacionamento ou não.

Sobre os terapeutas

Alex Possato trabalha há 10 anos como terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica, é facilitador de grupos terapêuticos, comunicador e estudioso do poder essencial da palavra desde que se descobriu apaixonado pela escrita e oratória.

Luciana Cerqueira é terapeuta de constelação sistêmica, terapeuta de Bênção do Útero, professora de yoga e facilitadora de vivências do Sagrado Feminino. Luciana considera a abertura ao outro e a escuta empática como fator primordial para a harmonia nas relações.

Quando, onde, quanto, inscrições

Vivência “O dito e o não dito”

Data: 1 e 2 de setembro de 2018 (sábado e domingo)

Horário: das 09h00 às 18 horas

Local: Espaço Elementos

Rua Gaspar Lourenço, 496 – Vila Mariana – São Paulo

Valor:
Individual: R$ 440,00 (R$ 220,00 para inscrição e saldo no dia)
Casal: R$ 792,00 (R$ 220,00 para inscrição e saldo no dia)

Informações: atendimento@alexpossato.com ou (11) 99791-7211

Inscrições:  https://goo.gl/forms/oere7yrSKm9KO6j73

Aceitando a ajuda da parceira

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– mesa para dois
– temos aquela do canto, disse-me a garçonete uruguaia em bom espanguês.

Fomos até a mesinha no canto, e nos deparamos com a sugestiva plaquinha: mesa romântica!
Somos um casal romântico. Eu e Luciana. Entre conversas aleatórios e planos sobre nosso futuro, nós dois nos deparamos com um assunto que nos mobilizou. Não conseguimos sair do lugar. Nem eu. Nem ela. E mais uma vez nos vimos falando de ajudar-nos um ao outro para que ambos saiam desta situação.
Me peguei pensando rapidamente: quando estamos no jogo do romantismo, um seduzindo o outro, nos colocamos a disposição de auxiliar. Uma hora um ajuda. Outra hora o outro ajuda. É um jogo, para mostrarmos que somos confiáveis.
Depois que moramos juntos, casamos, usamos o banheiro de porta aberta, não há mais a necessidade de seduzir.
E é uma possibilidade existir uma retração. No fundo, eu não confio totalmente na outra. Tenho um orgulho enorme, e acho que o que sei é o suficiente. Não me entrego a ajuda do outro. Tenho desconfiança em relação à mulher.
Como posso confiar na mulher, se a figura feminina me massacrou? – esta é a imagem antiga que ficou registrada na minha psique.
Mas o universo é sábio. Coloca-nos em situação onde nossa fragilidade e incapacidade fica evidente. Ainda mais para alguém que te conhece sentado no trono de portas abertas!

Estou sendo convidado a sair do jogo do romantismo. E ingressar no mundo adulto. Aceitando verdadeiramente ser parceiro. Uma mulher pode muito bem me ajudar. Eu não sou esta “coisa” toda. E ela não é “mais uma mulher que quer me dominar”. Ser frágil, é também fortaleza, creio. Estou sendo convidado a reconhecer a força e poder que vem do feminino, ao meu lado. Para poder também compartilhar a força do masculino, que vibra em mim. Juntos, vamos longe! Sozinhos, não existe parceria. Para que, então, casar?

O risco de ser verdadeiro no relacionamento afetivo

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Uma relação se constrói a cada dia. Passado aquele período de paixão, onde nos perdemos nas loucas delícias do amor embriagante, vem o instante da consciência. E agora?
A tendência de entrarmos no script tradicional, seja imitando o que aprendemos com nossos pais, seja fugindo do que ocorreu na nossa família, é enorme.
Há que se ter atenção. Script não é relação.
Existe um homem que precisa ser visto. Existe uma mulher que precisa ser vista. E existe uma Alma comum aos dois, que precisa ser vista.
O homem deseja uma coisa. Possui seus sonhos, desejos, suas dificuldades emocionais e crenças rígidas. A mulher, idem. Tem suas experiências, suas dores, seus hormônios. Sonhos, desejos e neuras… bem diferente do homem.
Deveríamos aprender somente a ouvir o outro. Abrir nossa mente e coração, criando um porto seguro, onde o outro não teria medo de ser confrontado, ridicularizado, desprezado, por mostrar ser quem é. Por mostrar suas fraquezas e virtudes. E deveríamos aprender a nos revelar ao outro. Sem medo de parecer ridículo. Cafona. Deselegante. Frágil. Estúpido.

Uma das maiores agressões que percebo num casal é a tentativa de um mudar o outro. Como se este fosse melhor que aquele. A pessoa não percebe, mas é extremamente desamorosa esta atitude. Arrogante e desrespeitosa. Mas possivelmente é o que aprendeu a fazer, observando as relações que seus próprios pais tiveram.
Talvez o primeiro passo para a harmonia do casal seja ouvir o outro. E permitir-se falar de si. Muitos casais terão muita dificuldade disso. Talvez nem sobrevivam à verdade das revelações. Porque cada um não dá conta da própria verdade. Mas se você quer mesmo uma relação nutritiva, construtiva, desafiante e prazerosa, é preciso passar pela fase da comunicação.

Comunique suas emoções mais profundas, no momento adequado. Crie um espaço para isso, e mostre-se com toda a integridade que for capaz. Fale de seus medos. Fraquezas. Vontades. Angústias. Ira. Deixando sempre claro: isso é meu! Estou comunicando algo que se passa em meu íntimo. Você não é o culpado por isso, nem o responsável por mudar meu estado de espírito.

Qual o risco da revelação?

O risco é aparar muitas arestas que, de outra forma, ficam escondidas, latentes, prontas para explodir na primeira situação de estresse. O risco é acender a confiança plena em si e em relação ao parceiro. O risco é criar um relação adulta, que permite resgatar e florescer as brincadeiras da criança apaixonada que você foi um dia. O risco é descobrir que você ama perdidamente seu parceiro, sua parceira… porque amor só vive em liberdade… e liberdade necessita de verdade como alimento para se eternizar…

O amor divino do homem pela mulher

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Vivi minha vida toda tentando provar para você que eu era adequado. Honesto. Fiel. Que você deveria olhar para mim de jeito diferente. Elogiar minhas conquistas. Validar minhas tentativas. Consolar nas minhas derrotas. Queria provar o meu amor por você, e também receber o seu amor exclusivo. Só meu. Todo meu. Para mais ninguém.

E como você não se mostrava totalmente disponível, eu ficava de bico. Batia o pé. Pulava o muro. Saia e não voltava. Ou voltava bêbado. Dizendo que a amava. Ou que a odiava. Tanto faz. Eu queria mesmo era chamar a sua atenção. E depois me arrependia. E você me obrigava a fazer coisas, do seu jeito, como vingança. E tudo bem, eu engolia sua mágoa. Fazia tudo o que você mandava. Fingia ser um menino obediente. Seu marido obediente. Mas só de raiva, não dava o que você tanto queria: o meu olhar pleno. Amoroso. Vigoroso.

Não. Eu estou mentindo. Não podia dar o meu olhar amoroso a você. Uma criança birrenta não consegue amar com consciência. Ama como qualquer criança ama. Ama se receber atenção em troca. Ama se for feita a sua vontade, assim na terra como no céu. Ama se o outro estiver 24 horas ao lado. Ama se não for repreendida, censurada, podada. Ama se não ver você brincando com o outro, no jardim, na varanda, na cama.

Preciso ser sincero: cansei-me desta birra. Cansei-me de buscar o seu amor, como se busca desesperadamente uma maçã do amor no parque de diversões. Maçã que, ao despencar no chão, enche de pó, e é abandonada por outra.

Preciso ser adulto. Pois eu sou um adulto. Meus fios de cabelo branco estão aí para provar. E um adulto ama como um adulto.  Percebe suas dores, e entende que estas dores são suas. São suas mágoas não curadas, devido à não aprovação do pai, ao abandono da mãe, à invalidação dos irmãos, à competição da infância, aos medos não curados, às neuras aprendidas sobre relação, fidelidade, responsabilidade, respeito, casamento…

Um adulto ama como adulto. E jamais exige que o outro esteja 100% disponível a ele. Afinal, temos tanta coisa a fazer! E também, este amor maduro não exige nada do outro. Não exige que o outro seja diferente. Que o outro satisfaça seus caprichos. Mas quando isso ocorre, ele sorri de orelha a orelha. Agradece do fundo do coração, a presença da amada, a dedicação da amada, a companhia da amada. Para depois soltá-la. Sem medo de perde-la, porque amor não é posse… é fluxo. Um adulto fala o que sente. E se ferido, fala de suas feridas. Jamais responsabilizando o outro, mas somente para que o outro compreenda que existe um ser humano do lado de cá. E também ouve sua querida. Sem tentar se intrometer nos assuntos que não são seus. Somente ouve. E por mais difícil que seja, deixa que ela cuide de seus problemas. Porque um adulto sabe cuidar dos próprios problemas. Porém, sem dúvida, ao primeiro grito de “socorro!” da donzela, o heroico cavaleiro parte correndo em sua defesa. Porque a criança nunca morreu. A criança sempre sonha em carregar a donzela em seus braços, e ser por ela olhada com aqueles olhos repletos de entrega e paixão. E aí, a infantil imagem se desfaz, como nuvens no céu. Porque iremos para a cama. E lá, nos transformaremos em um só. Nem adulto, nem criança. Deuses, que através do relacionamento, encontram a verdadeira sacralidade da união entre duas pessoas maduras, que se entregam totalmente, uma à outra: a comunhão com o divino Amor.

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O que o Caminho de Santiago me ensinou sobre parceria e confiança numa mulher

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Acabo de realizar o Caminho de Santiago com minha parceira, companheira, amiga, amada, amante. Embora tudo tenha ocorrido de maneira adequada, confesso que foi um grande desafio me render ao fato de que eu teria alguém para caminhar ao meu lado, já que a ideia inicial era trilhá-lo sozinho. Isso há dez anos atrás, quando ainda estava em outro relacionamento, e me via como um solitário caminhante, perdido em suas próprias neuras.

Por que não fazer o caminho acompanhado? Logo eu percebi que tinha medo. Medo de perder minha individualidade. Medo de ver-me prisioneiro, dentro de uma relação. Medo de viver novamente as dores de algo que se foi, em outra relação. Mais fácil ficar só, não é?

Todo mundo que já viveu rompimentos de relação, sabe o quanto é difícil lidar com isso. O quanto não confiamos no outro, após termos feito de tudo – pelo menos é o que pensamos – para que a relação ficasse confortável. Mais um motivo para eu acreditar que o meu caminho deveria ser a só. Mas existem certas coisas na vida onde a cabeça, com os milhares de traumas inconscientes que ela carrega, não manda. Um caminho de vida já está marcado para acontecer, e somente o nosso coração pode dar indícios de como ele será.

E o meu coração sempre falou: existe alguém com quem você poderá compartilhar muitos e muitos caminhos, aprendendo a desarmar-se, confiar, abrir-se ao amor. Mal sabia eu que o Caminho de Santiago seria um mágico movimento, sabiamente orquestrado, para que eu soubesse me entregar a este amor, e principalmente, reaprender a confiar numa mulher.  Talvez você teve uma ou várias desilusões em relacionamentos, e também queira reaprender a confiar em alguém. É lógico que não posso ensiná-lo como fazer isso. Mas posso deixar algumas brincadeiras para pensar, da minha própria experiência, utilizando as lições que o Caminho de Santiago me ensinou sobre parceria e confiança numa mulher. Vamos lá?

– o sonho precisa ser dos dois. Como saber isso? Sabendo qual é o seu sonho. E perguntando qual o sonho dela. Se o sonho é de um só, realize-o sozinho. E deixe o outro escolher o próprio caminho;

– se o sonho é conjunto, é necessário dar o tempo correto para que ele possa acontecer. Assim como um filho nasce após 9 meses de gestação, um sonho tem o tempo dele para acontecer. Isso não depende dela. Nem de você. O sonho tem vida própria;

– os sonhos mais malucos, quando feitos com consciência e planejamento, são saudáveis e trazem benefícios a todos. Os sonhos inconsequentes trazem sofrimento, bagunça, embora sejam úteis como aprendizado… Não há certo ou errado, mas se você quer sofrer menos, seria importante saber qual via está pegando – lembrando que consequente ou inconsequente é um conceito muito particular;

– toda ação leva a uma reação. Se você semeia organização, paciência e rotina, colherá frutos, no tempo correto. Se você semeia desorganização, impaciência e impulsividade, colherá sementes incompletas, que não puderam germinar completamente;

– o Caminho é o mesmo para todos. Talvez a pessoa que está ao seu lado agora, não poderá completar o caminho. Talvez você não possa completar o caminho. Vocês se afastarão, e encontrarão outros companheiros. As coisas são como elas são, e você aprenderá com qualquer que seja a situação. Aprenda a deixar as pessoas livres, quer elas estejam andando ao seu lado ou não, e o sofrimento não existirá, caso alguém fique para trás;

– em liberdade, talvez você veja, se não estiver com os olhos fechados, que alguém escolheu andar junto com você. E você está junto a ela. Não é necessário forçar, insistir, manipular. Ambos caminham, porque assim o Caminho deseja. Seria até uma boa ideia dizer a ela: que bom ter você ao meu lado!;

– mesmo juntos, você estará sempre só. Esta é a suprema incongruência do relacionamento. Estará consigo mesmo. Com suas loucuras, desejos, impulsos, compreensões. E ela também estará no momento dela. Com as loucuras dela. O caminho se anda individualmente, embora possa parecer conjunto;

– por isso, é importante aprender a se revelar. O que se passa na sua cabeça? Quais suas expectativas? Quais suas broncas? Quais seus elogios? O Caminho deseja o silêncio, mas a palavra usada para esclarecer, trazer luz, é sempre bem-vinda. Sem paz interior, não existe silêncio. Duas pessoas sem paz interior e de boca fechada são um convite para a guerra;

–  em algum momento, você perceberá que as suas neuras não tem importância. Você perde tempo demais ruminando os problemas que somente a sua cabeça vê, e deixa de ver que, ao seu lado, existe alguém que, muitas vezes, está precisando do seu ombro e silêncio;

– se você não tem este ombro, tudo bem. Aceite que você é humano. E também aceite que ela não poderá lhe amparar todo o tempo que a sua mente carente deseja. Embora você não tenha se dado conta, ela também é humana!

– quem disse que o homem é mais forte que a mulher? Quem disse que ser mais rápido é uma qualidade melhor que a vagarosa constância? Você sabia que o homem vive menos que a mulher?

– quem disse que a criatividade e a intuição são melhores que o planejamento e o pensamento linear? E quem disse o contrário? O Caminho lhe diz quando usar a intuição, e quando é necessário saber exatamente o que se quer, e planejar para conseguir isso. Se o Caminho está traçado – e isto é um fato – para que tanta criatividade em querer inventar novos caminhos? E se o Caminho não vai mudar de lugar, para que tanta pressa e neura em planejamento? Planejamento e intuição andam lado a lado. Ação e descanso se complementam;

Por fim…

– você viu as flores do caminho e os pássaros cantando alegremente?

– o que acha de dar uma destas flores à ela? E convidá-la para dançar?

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Parceiro de quem se ama

Eu e minha "parceirona"... em contato com nossas sombras, no Caminho de Santiago
Eu e minha “parceirona”… em contato com nossas sombras, no Caminho de Santiago

É muito bonito ver um casal onde um apóia o outro em seus projetos, ao mesmo tempo em que ambos possuem independência para seguirem seus caminhos. Ninguém se sente abandonado porque o outro está em busca da sua realização, e deixa de se dedicar 100% do tempo para planejar e concretizar seus planos. E ninguém se sente responsável por erguer o outro, quando este naufraga. Mesmo assim, ambos estão juntos, continuam se apoiando, sendo amigos nas derrotas que inevitavelmente a vida traz, e curtindo as vitórias e sucesso conquistadas.

Uma relação assim só é possível em estado de presença. O que significa isso? Bem… estado de presença é a capacidade que todos nós temos de viver no aqui e agora, observando nossos pensamentos, nossas emoções e os fatos que ocorrem em nossa volta, sem deixar que nosso juízo de valores e questões emocionais mal resolvidas interfiram na nossa atitude.

Vou dar um exemplo: seu parceiro foi derrotado em algum aspecto da vida – financeiro, saúde ou emocional. Ele fica raivoso e quer dar a volta por cima de qualquer maneira. Você se sente, em primeiro momento, ansiosa e quer ajudar, até para acalmá-lo, pois ele nervoso lhe traz medo. Porém, você respira algumas vezes, percebe o seu medo que foi disparado pela situação, e o assume totalmente: este medo é meu! E percebe que a irritação e a ideia de derrota é dele, do seu parceiro. E internamente, entende que não há necessidade de entrar na onda da raiva, do medo, da necessidade de mudança na marra. Vê que, o melhor a ser feito, é permitir que tudo seja como é…

Uma sensação de paz lhe tomará, e não será incomum surgir um movimento silencioso de abraço, onde você permitirá que seu companheiro acalme em seus braços… você acolhendo totalmente a situação, sem nenhuma intenção de mudar… É um abraço amoroso, mas o Amor vem de um outro lugar, e pode curar tanto o seu medo, quanto a raiva dele. Você não está querendo nada. Nem mesmo abraçou porque pensou em fazer isso. Somente seguiu a intuição, quando permitiu-se sair dos seus próprios pensamentos e da sua própria emoção.

Esse exemplo é só um exemplo.

Em estado de presença, você saberá o que deve fazer. Não vem da sua mente. As ideias surgem… Às vezes, o silêncio. Às vezes, uma palavra mais incisiva. Às vezes, o se afastar. Às vezes, uma ação concreta.

Mas entenda uma coisa muito importante: você é responsável somente pelo seu bem estar. Se alguém pode lhe fazer feliz, é você mesmo. Você, consciente disso, com certeza será um bom parceiro para alguém que estiver ao seu lado. E pela lei da sincronicidade, você encontrará alguém que também estará equilibrado, como você. Os seus problemas emocionais, suas neuras, seus conceitos distorcidos, isso cabe a você tomar consciência, e resolvê-los. Assim como os problemas do outro, são de responsabilidade do outro.

O que não significa que você não está nem aí para os problemas do outro. Pelo contrário, em estado de presença, você está totalmente presente para o outro, quando estão juntos. Seja nos momentos bons, seja nos momentos difíceis, existe uma troca, uma cumplicidade muito grande.

Talvez você se pergunte: mas como encontrar uma relação assim? Não tenha dúvidas: na medida em que você se conhecer mais e mais, assumir a responsabilidade pelos seus problemas, estar em paz com a sua sombra e também em harmonia com a sua luz, as suas relações vão se alterando igualmente. A qualidade dos relacionamentos aumenta.

Porém, não se esqueça: você não tem o poder de fazer uma relação ser boa ou ruim. Nem o poder de mudar o outro. O amor e a compaixão não respeita o querer ou o não querer. É algo que acontece… é um presente divino, que chega de acordo com a vontade Dele. E quando acontecer, receba as dádivas que o universo está lhe dando, e aprenda com isso. O ser humano carente imagina que o relacionamento afetivo existe para que o outro nos faça feliz. Mas a realidade mostra que isso não passa de uma fantasia infantil. Parece que Deus criou um homem e uma mulher, e os uniu pelo poder da paixão, para que aprendamos a ter mais tolerância conosco e com o outro, e assim, possamos em algum momento, verdadeiramente amar uns aos outros. Como em qualquer lição de escola, enquanto não aprendemos, temos que repetir a prova. Depois, estamos livres. E, quando amamos verdadeiramente alguém, o deixamos livre. Se podemos dar a liberdade a alguém que nos é tão especial, podemos amar e deixar livre toda humanidade. E ao mesmo tempo, ser parceiro de muitos. É um caminho longo. Mas totalmente possível. E que muitos já estão experimentando.

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Um homem que ama uma mulher

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Vivi lutando alucinadamente contra ela, tendo prazer em atracar o meu corpo e me enroscar, sentindo o sangue, o suor, o coração pulsando, num misto de sofrimento e orgasmo. Ria e chorava, gritava, urrava e me divertia… Confundi a adrenalina da competição com uma história de amor… Até que entrou mais uma na história… e outra… e outra… todas queriam brincar, e eu queria brincar… Éramos iguais no descaso e na violência. Mas corações opostos. Água e óleo. Estávamos fadados a morrermos solitários. Eu e elas. E nos odiando. Porque nunca poderíamos nos unir. Um homem que não está pronto para uma mulher. Mulheres que não estavam prontas para um homem.

Cansei de lutar. Cansei da brincadeira.

E então eu a vi… sentada aos meus pés, também cansada… mas cansada de tanto me esperar. Ela sempre esteve ali, pronta para mim, e eu não a via, pois estava muito ocupado, tentando obrigar outras a me amarem.

Chorei. Chorei de saudade. Eu a queria, mas os fantasmas das mulheres que usei ficaram me perturbando, segurando meus braços, impedindo de eu descer o meu corpo, e simplesmente, descansar ao lado dela.

Eu não poderia tê-la, porém, somente olhar já era suficiente… Toda a minha resistência cessou. Não era necessário mais nada. O não fazer permitiu que os fantasmas perdessem forças… eles adormeceram moídos pela própria agonia…

Aos poucos, nossos corpos se aproximaram, meu coração disparou, lágrimas de felicidade banharam meus olhos, e pudemos simplesmente estarmos juntos. Senti seu cheiro, seu calor, suas curvas, seu corpo unido ao meu…

Ela e eu. Um só coração pulsando. Duas almas que se fizeram uma… Sim… percebi a tristeza, a raiva, a inveja daquelas que não podiam sentir o que nós sentíamos… e o que importa? O que importa o que passou? O que importam as pedras, se o caminho me conduziu ao amor? Aqui estou. Aqui eu fico. E posso dizer a você: eu te amo. Ou melhor: o amor tomou posse de mim. Para ficar. E contigo, sempre estarei. A estrada continua, mas a busca acabou. Somos um.

Gratidão a todos os relacionamentos

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Como a constelação familiar é maravilhosa. Após perceber um incômodo imenso ao presenciar dezenas de situações onde as pessoas estavam ferindo e se ferindo, usando e deixando serem usadas, em nome da busca de uma relação ideal, uma frase dita ontem porLuciana Cerqueira trouxe uma grande compreensão ao meu ser: algumas pessoas nunca terão uma boa relação. O sistema familiar internalizado está emaranhado demais para que isso possa acontecer.
Fato é que essa frase me aliviou. Tenho lutado uma luta inglória, tentando provar que as únicas relações que valem a pena são aquelas onde existe respeito, amor, tesão, cumplicidade e amizade.
É isso que procuro, lógico. É isso que merecemos, acredito. Porém… as más relações fazem parte… Como podemos aprender a amar, respeitar, ter prazer com um parceiro, se não passamos pelas duras lições do desamor, do engano, da traição? Notei que, no íntimo, eu estava dizendo não para a relação ruim dos meus pais. Dos meus avós. Dos meus antepassados. Mas com relação ruim ou não, eu cheguei até esta vida graças a eles. Portanto, existe um Amor maior em todas as relações. Um amor que permite aos homens nascerem, crescerem, se desenvolverem, amadurecerem… Se a humanidade dependesse de relações de contos de fada, não existiria.
Agora posso entender com mais profundidade a frase de Bert Hellinger, onde o pai ou a mãe diz ao seu filho: eu te dei a vida. O resto você faz por si mesmo.
Em paz com as relações péssimas do passado, posso me abrir para algo diferente. E viver mais presente, na relação que estou. Com consciência, entendendo que o bom ou ruim é muito mais a forma como lido e aceito a realidade, do que a busca de algo que não existe, para fugir das dores que existiram algum dia.

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