Eu quero libertar a mulher, mas… também quero ser cuidado por ela!

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Acabo de retornar de um revigorante final de semana prolongado em Gonçalves, pequena e pacata cidade na região montanhosa da Mantiqueira, Minas Gerais. Desta vez fui eu e ela. Somente eu e ela, como eu tanto desejava. Já que a última vez que era para ir eu e ela, quando vi, era eu, ela e outros convidados dela… Não que eu não goste de sair com grupos. Mas existem coisas que só podemos fazer a dois. Sim… além do óbvio… Por exemplo, DR. Discussão de relação. Só a dois. E era uma coisa necessária, já que havíamos falado em fevereiro sobre a importância de olhar para os rumos da relação – observando aspectos financeiros, emocionais, sexuais, afetivos, planos pessoais, planos do casal, etc., etc., etc. E cá entre nós, nunca é fácil conversar assuntos importantes entre um homem e uma mulher.

Por mais afinidade que tenhamos, os resquícios de problemas nas antigas relações, a falta de diálogo verdadeiro dos nossos pais e avós, as inúmeras crises e confrontos entre homem e mulher da nossa história familiar, os nossos bloqueios e neuras pessoais, tudo isso pesa contra o bom diálogo do casal. E é necessário estar pronto para aquilo que possa surgir. Porque discutir relação não é impor minha vontade. Nem engolir a vontade dela. É dizer o que sente, verdadeiramente, e para isso, é até bom pensar um pouco antes de falar. E estar disposto a escutar o que o outro diz, sem se melindrar.

Mas… às vezes, não é possível.

Preparamos tudo certinho. Um lugar encantador, vinho, amêndoas, isolamento, paisagem maravilhosa, cartinhas de tarô para quebrar a racionalidade… Mas bastou ela dizer que se sentia em alguns momentos não vista por mim, devido minhas inúmeras viagens, e que por causa disso, começava a “dar um gelo” em alguns momentos, dedicando-se aos seus trabalhos profissionais quando eu queria estar com ela, para que a minha criança interna gritasse.

Senti-me rejeitado, mas nem consegui falar isso na hora. Só no dia seguinte. O meu lado emocional ferido dizia: justo eu, que faço tudo para trazer segurança e estabilidade à família, agora ainda sou mal visto! Como se eu não me importasse com ela?!? Que audácia! Então, está bem! Não vou mais ligar para nada!

Lógico que dentro de mim também há um homem adulto que já se “terapiou” o suficiente para entender que a sensação de rejeição é originária das dores em vias de resolução das relações com as mulheres importantes da minha vida, antes: mãe, avó e ex-esposa. Mas na hora do “aperto”, não há razão – só emoção! Virei a cara e me enfiei na caverna.

Como um homem moderninho, já entendi que a mulher tem um lugar muito diferente na relação familiar: trabalha, tem suas responsabilidades financeiras, seus problemas pessoais e da própria família, e com certeza não pode estar disponível 100% do tempo para o homem. E aquela mulher que aguardava ansiosamente a volta do homem provedor para casa, para tirar seus sapatos, fazer-lhe um escalda-pés, dar-lhe uma sopinha quente e fazer carinho não existe mais. Mas talvez haja dentro de mim um homem que ainda espera esta mulher imaginária, e ao primeiro sinal de não ver este papel cumprido, fica irritado e magoado.

Os homens dizem que aceitam o novo papel feminino. Mas será que é isso mesmo?

“Detestamos as ideias de mudança, mas ao mesmo tempo muitos entre nós querem alterar os seus relacionamentos pessoais com as mulheres, e outros, mais ainda, acham que deveriam querê-lo. As nossas declarações de aceitação são muitas vezes disfarces ou rejeições do nosso ódio e da nossa recusa. Mas essas não são apenas emoções negativas. A maioria de nós quer verdadeiramente que as mulheres de nossas vidas sejam felizes. Muitos de nós começam a perceber que para que isso ocorra, é necessário que elas tenham autonomia pessoal, inclusive independência econômica. Alguns de nós querem superar o medo que sentem do poder feminino. Outros querem se libertar de fardos tradicionalmente masculinos”, diz Anthony Astrachan, no livro Como os Homens Sentem.

Trabalhando com grupos de homens há mais de um ano, tenho a percepção desta aparente incongruência: queremos que nossas mulheres sejam livres e felizes. E ao mesmo tempo, sentimos a falta dos cuidados delas. Nos sentimos responsáveis por inúmeras situações dentro do relacionamento, e temos a nítida sensação de não dar conta. E então, nos sentimos fracassados. Às vezes, não damos conta da vergonha que sentimos e damos o fora da relação. Este é um lado masculino que poucas vezes é olhado: dizem que os homens vão embora porque são sem-vergonha. Embora entenda que, terapeuticamente, há uma razão para um homem procurar outras mulheres – e não vou entrar neste assunto agora, o que eu presencio nos nossos grupos não é isso: os homens sentem muita culpa e vergonha. E não dão conta do peso de não serem “bons o suficiente”.

E sabe de uma coisa? Não somos “bons o suficiente”! Necessitamos dos cuidados das nossas mulheres também. Foi bom eu reconhecer a minha necessidade. Mesmo que tenha vindo em forma de birra. Ela também precisa de mim. Também não é “boa o suficiente”. Olhar para a necessidade de afeto que existe entre um homem e uma mulher é sair do padrão burocrático de cumpridores de papéis: o provedor, a cuidadora, o pai, a mãe, o garanhão, a disponível, o fazedor, a sonhadora, o que manda, a que segue. Nada disso tem tanta importância – e se essas funções são cumpridas pelo homem, pela mulher ou por ambos –  quando entendemos que uma relação existe para que ambos aprendam a amar um ao outro, incluindo as dores, as sombras, os medos, as dificuldades, as neuras, as carências… e também a doçura, a firmeza, o caráter, a amizade… as diferenças… E quando entendemos que, por melhor que façamos, jamais seremos capazes de suprir a necessidade de amor e cuidado que temos dentro de nós.

Conforme explica Eva Pierrakos, em Criando União: “Vocês lutam como se a vida de vocês estivesse em jogo – por dentro. É preciso admitir esse conflito para poder revelar o desejo original de ser amado, e o sentimento de tristeza por não serem amados como deveriam. Pensem na frequência com que as reações emocionais são desproporcionais quando alguém discorda de vocês. Entretanto, se estiverem profundamente convencidos de que aquela pessoa os ama de todo o coração, e manifesta seu sentimento com ardor e ternura, a divergência não importa.”

 

Despertando para amar

despertando para amar

“O perfeito não nos atrai. Descansa em si mesmo, bem longe da vida normal. Só se pode amar o imperfeito. Somente do imperfeito resulta um impulso de crescimento, não do perfeito.” Bert Hellinger

Olá, pessoal de Teresina! Logo mais estarei desembarcando na capital piauiense, para compartilhar alguns trabalhos de constelação familiar sistêmica e, em especial, a Vivência Despertando para Amar.

Baseado principalmente na filosofia e movimentos da constelação familiar, iremos investigar as razões das nossas desilusões amorosas, as repetições de padrões de sofrimento nas relações e os caminhos para a maturidade emocional e espiritual, que permite a abertura para relações sadias, porém, “incompletas e imperfeitas”, como diz Hellinger.
Porque, enquanto nossa criança iludida pelos contos de fadas e marcada pelas dores do passado, deseja uma cara metade idealizada, perfeita, e uma relação eternamente feliz, nosso Eu maduro e consciente aceita a própria imperfeição e assim se entrega à aventura de amar alguém também imperfeito, construindo a relação no dia-a-dia, passando por vales e montanhas, dias e noites, e curtindo caminhar ao lado da pessoa escolhida para ser o companheiro(a) nesta jornada.

Irei caminhar junto com você, também aprendendo, afinal, a cada trabalho entro em contato com minha imperfeição, mas ao mesmo tempo, minha disposição em me permitir deixar ser arrebatado pelo Amor, mesmo que ele destrua todas as minhas convicções e crenças mais profundas! Afinal, um canceriano como eu adora Amar… e também é muito bom permitir-se ser Amado! Até breve! Com Amor!

Quando, onde, quanto?
26 de maio de 2016 (quinta-feira)

Horário: das 9 às 18 horas
Local: Mundo Natural – Teresina – PI
Valor sugerido: R$ 350,00
Inscrição: tarcila_macedo@hotmail.com
(86) 9920-8249 (com Tarcila)

Despertando para amar

 Por que despertar? Porque estamos adormecidos. Queremos amar e sermos amados, mas não sabemos como. A mente está dominada por sentimentos e pensamentos que desqualificam. Que diz que não merece. Que você é só. Abandonado. Feio. Insuficiente. Pobre. Duro. Ou mole de mais. Tem medo de perder sua liberdade. Medo de ser engolido pelo outro. Ou medo do abandono. E esse sonho começou na infância. Quando você viveu de corpo e alma a relação do seu pai com sua mãe, sem nem mesmo saber disso. Viveu todas as dores, mentiras, traições. Manipulações, competições, violências, segredos. Encontros e desencontros. E eles viveram isso porque também houveram dores no passado dos avós. Seus ancestrais não aprenderam a construir uma relação afetiva onde o Amor pudesse superar as dores. Transcendê-las. Mas você pode fazer isso. Você pode despertar. Deixando as histórias dos pais, avós e antepassados, para o passado. Desvinculando-se dos padrões herdados inconscientemente, que te empurram para o confronto ou a desconfiança em relação ao outro. Abrindo-se então, corajosamente, para a aventura do Amor, que é imprevisível e até assustador, porém, arrebatador e, no fundo, o que todo ser humano quer…

Facilitador


alex possatoAlex Possato
é terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica. Em seu segundo casamento, pai de dois filhos, entende hoje que a relação afetiva é uma construção feita no dia-a-dia, envolvendo flexibilidade e posicionamento, apoio e independência – mas antes de tudo, a libertação dos padrões familiares inconscientes pesados, que provocam dores e sofrimento na relação. Está envolvido desde 2008 com a constelação, é coordenador do Projeto Incluir – Laboratório de Constelação Sistêmica, atua na condução de vivências por diversas regiões do Brasil e cursos de treinamento de constelação familiar sistêmica em São Paulo, Goiás e Brasília.

 

Relacionamento de verdade

se amar

“Aprenda a se amar.
O amor que descobrir em si,
será o mesmo amor que
encontrará no outro”

A grande questão não é ter ou não ter alguém ao seu lado. O desafio é estar aberto para amar. Desarmado. Disposto a descobrir o seu lugar, estabelecendo limites, mas também propenso a ceder quando necessário. Entendendo que nem você e nem o outro sabem o que é amar de verdade.
Muitos casais estão juntos, mas fechados um ao outro. Defendem-se, por medo de que suas feridas mais íntimas sejam reveladas. Seus traumas referentes à desconfiança do sexo oposto, humilhação, abandono, pobreza, agressividade, manipulação, infidelidade, vícios não assumidos, travas sexuais, enfim, traumas herdados do seu sistema familiar, sejam expostos. Acreditam que a relação acabaria, dessa forma.
Mas eu acredito: só existe relação onde há verdade.
Relação implica troca. E coragem e maturidade para ter compaixão pelo trauma do outro. Saber ouvir quer dizer não levar nada pelo lado pessoal. O outro não faz nada contra você. Nem a favor. São hábitos aprendidos. Que podem machucar, sim. Mas não é este o propósito.
A verdade necessita que cada um assuma a sua própria responsabilidade. E além disso, que aprenda a fazer da vida uma celebração.
Afinal, relação nenhuma sobrevive somente de revelações profundas. DR o tempo todo é um saco.
Não há lugar a chegar, quando se está num relacionamento. Ou se aprende a conviver aqui e agora com ele (ou ela), ou estará vivendo a neurose do amor romântico, que acredita em paixão eterna, contos de fadas e princesas.
Um relacionamento de verdade não é tão romântico. Mas não precisa ser tão desastroso e destrutivo, como grande parte das relações hoje em dia.
A verdade é nua e crua. Nem por isso, deixa de ser preciosa e desejável.