O homem “mocinho” tem inveja do homem “bandido”

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Este texto do Gikovate me lembra o quanto eu tinha inveja dos meus amigos “comedores”. Eu ficava a festa toda tentando arrumar uma, e eles já saíram com três… Lembro-me que tudo começou com a Marta. Menina que me acompanhava, ano a ano, desde a terceira série… Andávamos dois quilômetros até a escola. Ela morava na rua de trás. Quando eu ia na frente, sentia que ela ia atrás, mas sem coragem de emparelhar. Quando ela ia na frente, eu fazia o mesmo. Conforme nós íamos andando, um na frente, outro atrás, ano após ano, seus seios iam crescendo, seu corpo tomando forma, e meu tesão começou a surgir. Até que um dia, tomei coragem para abordá-la. Já estava quase com quinze anos. E… Bem, a encontrei beijando um cara. No canto do pátio do colégio. Senti-me traído… meu grande amor me abandonara… E com ódio daquele sujeito… Nunca fui um “comedor”. Carreguei sempre a dificuldade de “emparelhar”. Se é que você me entende… Acho que hoje estou bem com isso. Sou um homem delicado, como o Gikovate diz. E existem os “comedores”. E também seres intermediários… acho. Por exemplo, o “comedor delicado”… Variações do mesmo bicho: o bicho homem. Por isso, achei tão interessante o texto abaixo, extraído do livro Homem: o sexo frágil?  

Coma! Desfrute. Com os olhos…

“Os homens mais delicados não se conformam com o fato de tantas mulheres atraentes preferirem os ‘bandidos’ ao invés dos ‘mocinhos’. Não podem deixar de colocar em dúvida a validade de suas condutas mais íntegras, pois neste assunto tão essencial quem leva vantagens é o homem padrão. Este homem padrão que já o humilhou quando criança e durante a adolescência, contra o qual desenvolveu secretas hostilidades, continua a humilhá-lo agora porque é capaz de agir com as mulheres de uma forma que ele não consegue. Ele não quer se transformar em grosseiro e mentiroso, mas também não quer pagar um preço tão alto pela sua integridade. Não é consolo saber que em outras áreas de atividade ele esteja se dando melhor do que os seus oponentes. Ele quer sucesso com as mulheres; mas não quer magoar e enganar ninguém. Não vê saída para este dilema, até porque, em virtude de seu temperamento, o usual é que as mulheres se apaixonem mesmo por ele, condição que cria o impasse mais apavorante. Não há mesmo muito o que fazer, a não ser dirigir os objetivos mais para o plano sentimental e tratar de encontrar uma mulher com a qual se realize também sexualmente. Porém, mesmo quando isto acontece, sobra sempre a inveja do homem padrão pela sua capacidade de conquistar dezenas de mulheres a cada ano.”

Homem: o sexo frágil? – Flávio Gikovate

O homem em confronto com o pai perde a força de homem

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Pouco tempo tenho de participação nos encontros de homens, o Diamante Bruto. Mas uma coisa já deu pra notar: o homem que está, de alguma forma, confrontando o pai, perde a sua força de homem. Seja porque tem dó de um pai fraco, ou raiva de um pai agressivo. Ou um sentimento indefinidamente broxante por um pai ausente. Quem sabe, uma tristeza mórbida por um pai que morreu.

No trabalho de constelação familiar que meu amigo Fernando Tassinari conduziu, entrei em contato com um pai meio louco. Instável. Que dizia sempre: eu não confio. Eu não confio. Eu não confio. Não confiava nem em mim, nem no meu avô, o pai dele. Subitamente, vi: este é o meu pai! Sim, o pai ausente, o pai alcoólatra, o pai desregrado. E meu avô: bonzinho, mas omisso. Submisso à minha avó…

Mas, pera lá… constelação mostra sempre a própria pessoa. A imagem que eu tenho do meu pai, e não exatamente meu pai. A imagem que eu tenho do meu avô. E não exatamente o meu avô.

Quem é que não confia? Quem é omisso? Ausente? Desregrado? Submisso?

Bem… Pois é. Eu me enquadro em todos estes adjetivos. E só eu olhar direito, e acho as situações que tanto recrimino neles. Em todas as críticas que tenho em relação ao papai. E ao vovô. Sem saber, cada palavra de condenação a eles, é um verdadeiro “chute no saco”. No meu próprio. Quanto mais distorções tenho em relação às minhas referências masculinas – papai e vovô, mais problema terei de ser homem no meu mundo. Isso quer dizer: ganhar minha grana. Ter uma relação afetiva equilibrada. Saber colocar limites. Ter força e impetuosidade para conquistar meus objetivos. Ter estratégia, planejamento, foco. Saber ser líder. Destacar-me no que realizo.

Pois é… todo o trabalho realizado na vivência está bem fresco em minha memória. E serve para eu refletir. Até quando irei deixar que estas imagens fantasiosas que criei na minha infância dominem a minha masculinidade? Deixando-me um eterno menino, incapaz de usar em totalidade todo o poder, conhecimento, sabedoria e experiência que adquiri em quase cinquenta anos de idade?

O ego humano é um eterno semeador de dor e sofrimento. Olha o ruim nos outros, na vida humana e na própria pessoa, para ter o direito a existir. Existir separado dos outros. Pois assim foi ensinado. Eu aqui, o mundo lá fora. Incapaz de ver que somos todos um, verdadeiramente, julgamos e condenamos.

Meu pai, meu avô e eu somos uma coisa só. O louco, omisso, alcoólatra, irresponsável, sou eu. O inteligente, criativo, idealista, cuidador, também sou eu. O homem fraco sou eu. E o homem forte sou eu também. Sem razões para guerrear contra meu pai e a linhagem masculina da minha família, posso deixar as armas caírem ao chão. E usar a minha força do meu jeito. Para minha vida.

 

 

Um homem decepcionado com o pai

culpa de ser homem

Ontem iniciamos mais uma etapa do projeto Diamante Bruto, círculo do sagrado masculino, desta vez em Brasília. Um encontro de “brothers”, muito bom para alguém que, até então, trabalhava em geral com mulheres ou grupos mistos formados na maioria, por mulheres. Uma das diferenças gritantes que senti é na minha atuação dentro do grupo. Quando há mulheres, querendo ou não, adoto uma postura de alguma forma sedutora: seja pelo conhecimento, pela graça ou delicadeza, lá está eu “cantando de galo”… no fundo, querendo mostrar que eu sou um macho adequado para acasalar. O velho instinto primitivo em ação.

Já no meio de homens, que alívio. Posso ser eu! Não me sinto competindo com os homens, até porque não há nenhuma mulher no meio para ser disputada. Falamos sobre sexo, comportamento, relacionamentos, perdas, ganhos, relação com filhos, relação com a nossa libido insaciável, cuidados com casa, jardim, arte, sensibilidade… Podemos mostrar até o nosso lado feminino… no meio de homens.

Luiz Cushnir, em Homens Sem Máscaras, diz que, após a revolução feminista, houve uma grande mudança no comportamento dos homens: “O homem está, agora, décadas depois, encarando o caminho inverso: sair da rua, entrar em casa e até mergulhar nas profundezas de si mesmo. Ele está tentando se liberar do estigma de ser sempre – e tão-somente – o profissional, papel que praticamente abafa sua identidade pessoal mais ampla. Às vezes até sua criatividade e sensibilidade. Muitos homens, com a intenção de atender às transformações sociais decorrentes das reivindicações feministas, confundiram aspectos sociais de fortalecimento de sua identidade masculina. Ao perceber que não eram bem-vindos quando desejavam expor seus sentimentos e/ou envolverem-se emocionalmente com a família, recolheram-se, quase plagiando a condição feminina anterior. Perderam, assim, características aguçadas e penetrantes que eram parte essencial de sua condição de homens. Foram ficando quietos. Não pelo poder absoluto do silêncio (fico quieto, faço cara de bravo e o pessoal fica com medo) mas literalmente deixando o barco correr, ao léu”.

Felizmente, no meio de homens, este recolhimento deixa de ser necessário, e podemos expor nossos conflitos, medos, dores, sensação de incompreensão, vitórias, esquisitices. Amostras de masculino totalmente diferentes, umas das outras, mas no fundo, mostrando partes do homem que todos somos: o tímido, o charmoso, o forte, o calado, o alegre, o eficiente, o “menino bonzinho”, o problemático, o confrontador, o “comedor”, o atleta, o poeta, o homem feninino… Tantos homens… todos, de alguma forma, doloridos…

Falta da referência masculina. Falta de papai

Somos frutos de uma geração de pais ausentes, onde o papel de provedor já deixou de ser exclusividade do mundo masculino. Pais que trabalhavam demais, e deixavam a tarefa do cuidar e educar os filhos com as mães. Ou pais que traíam demais, e da mesma forma, deixavam os filhos com as mães. Em alguns casos, pais morriam cedo, largando a mãe… e os filhos para a vida. E dessa forma, quem ensinava aos filhos homens o que é ser homem, era… a mãe – uma mulher profundamente marcada pela ausência do masculino! Mãe muitas vezes com ódio, ou desprezo pelo pai – porque ele traiu, porque ele escolheu outra mulher, porque ele bebia demais, porque não trazia dinheiro em casa, porque não dava um ombro amigo quando ela estava frágil, porque não conversava e não queria ouvir…

Estes meninos crescem, e sem perceber, carregam uma aversão ao próprio pai. Não importando as razões, que podem ser inúmeras e dolorosas para toda a família, o que um menino gostaria de manter é a imagem do pai herói, forte, alegre, atuante… e esta imagem é quebrada. Ao tornar-se adulto, inconscientemente, temos um homem com culpa de ser homem. Que tudo faz, ou para reafirmar que é um homem digno de confiança (coisa que papai não foi, neste imaginário inconsciente) ou já “chuta o pau da barraca”, aperta o botão do “dane-se” e sai por aí usando e confrontando as mulheres, numa espécie de vingança contra as “mães” que castraram o masculino deles. Mas ainda sem acolher o “pai” dentro de si. O homem que ele é. No fundo, ele também confronta o “pai”, como foi ensinado pela “mãe”.

Qual o sentimento que você tem, homem, quando se pensa no papai?

Numa roda de masculino, todos são iguais. Cada um vai se reconhecendo nas histórias dos outros, e tira suas próprias conclusões. Pessoalmente, o que me ficou gritante neste último encontro, é o sentimento de tristeza que sinto em relação ao meu pai. A minha forma de “confrontar” o que meu pai foi é a desaprovação e decepção, e não exatamente a raiva. Em muitos momentos percebi raiva em relação às coisas que meu pai fez: bebeu demais, nunca pagou as despesas dos seus diversos filhos, nos usou para seus interesses, mentiu, algumas vezes era agressivo, enchia o saco e ainda queria mostrar “as verdades da vida”, conversava pouco e não expunha seus sentimentos, etc., etc. Talvez ainda tenha raiva inconsciente… mas neste momento, o sentimento é de profunda tristeza. Como eu queria poder ver o meu pai como forte, e a imagem que vem é de fraqueza, doença, vício e fracasso financeiro. Como eu queria sentir que meu pai foi feliz na vida, mas só me lembro da sua raiva, incompreensão, revolta contra os próprios pais, o governo, a sociedade, os empregadores… Como eu queria me sentir protegido por ele, mas ele nunca esteve presente.

Percebo em mim a tendência de repetir alguns aspectos da vida de papai em mim: dificuldade nos relacionamentos, problemas financeiros e vícios. Aprendo na constelação familiar que carregamos os pesos dos pais, numa espécie de “honra ao sofrimento” deles. Uma criança triste dentro de mim está dizendo: “papai, eu sofro como você. Por favor, me ame!” Mas ele não vê. Não está aqui. Até porque morreu com 60 anos de idade, destruído pelo câncer e pela vida desequilibrada. Além de tudo, esta voz que sente falta de papai, dentro de mim, é muito infantil. Será que é dos meus um ou dois anos de idade, quando papai já estava com a outra mulher? Ou é a voz da mamãe, quando eu ainda estava na barriga dela, dizendo: “volta, Ari! Eu não suporto viver sem você!”

Há que se ter coragem de olhar para esta tristeza que me corrói. Com muito esforço, já consegui vencer inúmeros padrões difíceis, e posso dizer que meu relacionamento atual, minha vida profissional e minha saúde física se encontram em um bom caminho… Quero honrar papai, com gratidão, entendendo que ele me colocou no mundo, e o resto eu faço. Mas talvez, antes de encontrar este pai forte, dentro de mim, preciso, pela primeira vez na minha vida, encarar a tristeza que sinto em relação ao meu pai…

Vejo que “sentir” ainda é um grande problema aos homens em geral. A tendência é contar histórias. Explicar o porquê disso e daquilo. Lembrar de fatos do passado. Justificar. Porém, “sentir as emoções” com consciência, sem deixar o vitimismo ou a raiva indevida tomar conta, e ao mesmo tempo sem afastar as péssimas sensações que as dores emocionais trazem é o desafio. Vou sentir minha tristeza. E convido os homens para, verdadeiramente, permitir “sentir” no corpo tudo o que o papai significa em seu interior. Principalmente de doloroso. Porque depois disso, em algum momento, a dor se dissipa, naturalmente, e as coisas positivas dele se mostrarão.

 

Pobre rica declaração de amor

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Eu te procuro, mulher… mulher que possa entender o quanto sou frágil, ao afirmar com toda a convicção minhas certezas que são as coisas mais certas do mundo… mas que nunca me trouxeram paz.
Mulher, que acolha o quanto me sinto derrotado, enquanto desfilo, sorridente e falso, minhas vitórias inúmeras. E escondo meus vazios tão gigantescos.
Veja-me como sou, mulher querida. Um imponente macho que lhe dá prazer e lhe faz subir as paredes, enquanto se sente o último cocô do cavalo do bandido, porque não se vê merecedor pleno de ser amado. Impotente na arte de amar e ser amado.
Mulher, querida, eu não quero competição. Não preciso de mais um homem na minha vida. Só eu, basta.
Deixe-me descansar. Estou cansado de tentar provar que sou o melhor homem do mundo. O mais esperto. O mais rápido. O mais potente. O mais rico. O mais belo. O mais inteligente. Não. Não sou. Sou somente um homem. Como todos os outros. Falsos fortes.
Não me recuso a lhe dar tudo o que sou… porém, o quão pequeno sou! Desisti… eu desisti de tentar ser melhor que todos os outros. Que importam os outros homens?
Quero ser só eu. Só eu. Junto a você. Minha parceira. Amante. Amada. Amiga. Confidente. Com sua paciência de mulher. Sua suavidade. Sua instabilidade. Sua espera. Seu carinho. Sua força. Suas variações de hormônio e humor. Sua perseverança.
Sem você, quem sou eu? Nada? Ou tudo?
Mas sem eu… quem você é? Somos o que somos. Mas… que tal brincarmos?
Que sejamos um… afinal, esta ideia de separar o homem da mulher parece ser só uma grande piada de Deus, que se diverte enquanto ficamos tentando provar as diferenças de dois seres, criados como iguais. Um homem. E uma mulher. Dois iludidos que, desesperadamente, buscam, na união visceral, tornarem-se um. Encontrar a cara metade. Completar-se. Ser um. O que nunca deixamos de ser. Eu e você. Um homem, uma mulher. Um só.

Papo de homem

papo de homem

Depois do trabalho de constelação familiar de ontem, onde havia mais homens que mulheres, e fizemos um trabalho de cura para o masculino agressivo, violento, irracional e ferido… este texto caiu como uma luva… Chegou a hora de nos prepararmos para merecermos nossas companheiras, de verdade. Como homens, de verdade… Saindo, definitivamente, da saia da mamãe… Para bom entendedor…

“A sua namorada levantou uma série de questões pertinentes. O mais fácil seria mudar de namorada, mas sugiro que olhe para esta moça como uma amiga que lhe disse algo absolutamente sincero e autêntico. Sinta-se grato para com ela e comece a mudar. O grande dia da sua vida será aquele em que a sua namorada o considerar substancioso e interessante. Não seja um covarde que muda de namorada cada vez que surge alguma perturbação.
Vocês teve a sorte de encontrar uma moça com bastante compaixão.(…) O que é que você fez para deixar de ser chato? O que é que você fez para declarar a sua independência? O que é que você fez para deixar de ser vítima? Chegou a altura de fazer alguma coisa. Você ficará para sempre agradecido à sua namorada.
Gostaria de dizer à sua namorada “Continue a criticar o seu companheiro até que esteja satisfeita: até ele deixar de ser chato e se tornar bem substancioso, profundamente interessante, divertido e constantemente feliz.Pode perdê-lo em algum momento no caminho da vida, mas ele estará preparado para uma outra mulher. Se ele continuar a ser da maneira que é agora, acabará por se torturar a ele próprio e por fazer o mesmo a muitas outras mulheres.”

Osho – O livro do homem