Fazedor compulsivo? Como sair disso
Por Alex Possato

Fazedor compulsivo? Como sair disso

Inicio a semana com uma lista de tarefas bem grandinha para executar. Acredito que você também. Mesmo que você não tenha tudo organizado, sabe que terá que cumprir muitas demandas. Isso, por si só, já pode ser um gerador tanto de excitação, quanto de sobrecarga. Dá para cumprir as funções diárias sem sobrecarga? Dá para ter paz, apesar das demandas da vida moderna? Esse é o tema do nosso papo de hoje!

 

Observador x fazedor

 

Imagine uma vilazinha em um interior qualquer. O dia vai amanhecendo, o galo canta. O fazendeiro solta seus animais para pastar. Alguém prepara o café da manhã e esquenta os pãezinhos. O cachorro se espreguiça na soleira da porta. As crianças começam a acordar e se preparam para mais um dia de brincadeiras. O pescador solitário pega sua vara e vai ao rio testar a sua sorte. E você só observa. Olha a rotina da natureza, e a rotina dos humanos. Está em paz, mesmo que haja muito movimento em sua volta. Se alguém, subitamente, grita: vá pegar lenha para o fogão, e você é desperto desse estado de observação, pode ser que você “entre” na cena, e se torne também um personagem da cena. E quem sabe, vá com alegria cortar lenha, pois então você se sente pertencente. Agora sou alguém, dentro dessa cena. Porém, há grande risco de você perder o seu lugar de observador. Nesse momento, você se torna um fazedor. Alguém que é reconhecido pelo que faz, e não pelo que é.

 

Sociedade do cansaço

 

Na vida moderna, não existe mais esse ritmo lento e organizado que vivíamos na vida rural. Preparamos o café, enquanto respondemos as primeiras mensagens no whatsapp, gritamos para os filhos acordarem, damos comida para os gatos e separamos a roupa de trabalho. Embora, cientificamente, a mente só consiga se concentrar em uma coisa por vez, fazemos 10 coisas ao mesmo tempo. E isso demanda esforço mental, o que consome energia. 

 

Como temos a necessidade de pertencimento, fazemos tudo porque assim tem que ser. Não nos questionamos: eu posso diminuir o ritmo? Posso delegar? Posso não fazer? Porque o fazer – não se esqueça disso – é uma escolha. E se você escolher fazer as coisas importantes, num ritmo saudável para si, se sentirá um peixe fora d’água. Sentirá culpa, como se não “estivesse fazendo o que deveria”. E quando ver que algumas demandas ficaram para trás, a culpa aumentará. Sistemicamente, isso chamo de “adultecer”. É quando você escolhe fazer as coisas que tem sentido, e deixar o que não tem sentido para lá.

 

Aqui cabe uma pergunta: estou escolhendo fazer as coisas que realmente tem sentido para mim, para o meu propósito e para que eu me conecte com as pessoas de um lugar saudável?

 

Fazer o que você não quer fazer

 

Às vezes, você realmente precisa fazer algumas coisas que não são escolhas suas, ou que você não tem alternativa. Cuidar de alguma emergência, por exemplo. Continuar num trabalho chato. Fazer algo que você não tem habilidade ou não gosta. 

 

Sempre que tenho que fazer algo que não gosto, me pergunto: o que acontece internamente, quando me proponho a fazer isso? 

 

Percebo que vem uma reatividade: ou faço logo para eliminar a tarefa, ou procrastino o máximo que posso. Aqui entra em jogo o que chamo de movimento de fuga ou ataque. Há raiva não vista, ou medo da punição – por deixar de fazer o que eu deveria. E se analiso isso friamente, lembro que na minha infância, fui muito pressionado a fazer coisas que não queria, e fui punido quando deixei de fazer o que diziam que era a minha obrigação. Ou quando fiz mal feito. 

 

A questão é que já se passaram muitas décadas disso. Eu não sou mais aquela criança, e hoje posso lidar com minha raiva ou medo, sabendo que posso escolher não fazer e arcar com as consequências. Ou posso escolher fazer, e saber que não haverá punição. 

 

Quando consigo lidar bem com essa energia emocional do passado, tantas vezes volto para a presença, e minha ações fluem em paz, mesmo que eu esteja fazendo algo que não queria fazer.

 

Ordem

 

Na constelação sistêmica, aprendemos que o Amor flui em Ordem. No sentido do fazer, a Ordem chama nossa atenção para alguns pontos:

 

  • se faço isso ou aquilo, sinto que minha energia vital está sendo perdida? Se isso ocorre, é porque estamos fazendo algo que não tem sentido para nós. É talvez um hábito aprendido. Ou estamos tentando resolver algo que não é nosso – mesmo que inconscientemente
  • estou no meu lugar? Se sou pai, mas não quero levar o filho para a escola porque acho que meu trabalho é mais importante, deixei de perceber que saí do lugar. Nem estou sendo pai, nem profissional. Aqui irei me desgastar. 
  • aquilo que faço, traz benefício para os outros? E para mim também? Aqui falamos do fluxo do dar e receber. Se sou pai, e estou levando meu filho na escola, totalmente presente, ele recebe a minha atenção e amor. E eu recebo o bem-estar de estar servindo ao meu filho. Se estou no trabalho, e me coloco inteiramente nele, estou exercitando o meu melhor, e irei receber por isso. 

 

Gosto muito de uma pergunta que deixo pra você: quem, em mim, está fazendo isso? E para que? Isso tem sentido maior, dentro de mim?

 

Se você perceber, essas perguntas levam você, novamente, a ser um observador do seu “fazedor interno”. E elas têm o poder de mudar tudo, dentro de si. Pois você perceberá quando se perde. Quando faz coisas que não tem sentido. Quando está fluindo através do seu “eu consciente” ou simplesmente foi tomado por um personagem qualquer, em busca de pertencimento.

 

Vou te dizer uma coisa: não importa o quanto o mundo externo reconheça os seus esforços ou não. Se você não estiver bem com suas ações, passará a vida frustrado e se sentindo incompreendido.

 

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