Terapeuta: será que sua carreira já deu?
Você talvez tenha vivido a situação: por mais que se esforce num caminho profissional, parece que nada frutifica. O que isso significa e como fazer movimentos sistêmicos em direção ao crescimento?
Nem sempre é o fim
Muitos terapeutas percebem que aquilo que eles faziam, não funciona mais. Seus clientes antigos não procuram mais os seus serviços, a conta começa a não fechar, e aí eles até duvidam: será que escolhi o caminho certo? Será que devo voltar ao mercado de trabalho?
Existem aqui duas crenças que precisam ser desconstruídas:
- Existe um caminho profissional “certo”, e com a quantidade de certificados e experiência, tudo fluirá! Isso não é verdade!
- Trabalhar com o que gosta, por si só, já é o suficiente! Também não é verdade!
Gosto de pensar que a carreira, no olhar sistêmico, é um “ser vivo”, e as mudanças fazem parte da “dor do crescimento”. Basta você entender que, aquilo que o satisfazia quando criança, deixa de fazer sentido na adolescência. O jovem olha para trás e também não vê sentido nas distrações e vontades de anos atrás. A pessoa mais madura muda o foco, começa a olhar para assuntos mais exigentes, como relação, patrimônio, sucesso. E por aí vai. A carreira também tem seus estágios:
- Começamos com muita vontade, e os primeiros clientes são um desafio
- Formamos uma carteira de clientes, ganhamos experiência e aos poucos, a renda aumenta
- Em algum momento, passamos a querer atingir mais, temos outros dons, habilidades e talentos para passar para frente
- Somos desafiados a ir além do atendimento individual, e aí novos recursos precisam ser acionados: a comunicação, a empatia, a criação de produtos novos e projetos que chamem a atenção de mais pessoas
- Para quem chegou nesse estágio, verá que é necessário desenvolver o “eu empreendedor”, que irá planejar, criar estratégias, administrar, vender, ampliar mercado, enfim… uma desafiadora fase, mas também muito rica!
É lógico que nem sempre todos estão disponíveis para ir galgando esses estágios. Se temos contas para pagar e não há tempo, precisamos dar um jeito. Já tive exemplos de mentorandos que voltaram para o mundo corporativo. E outros que se desdobraram em duas profissões, enquanto investiam na carreira como terapeuta. É uma escolha. O que posso dizer é que cada um carrega em si um Propósito maior, e se a direção é atender e cuidar de pessoas, a vontade não desaparecerá. De alguma forma, será importante dar vazão ao dom da Alma.
Como tomar a melhor decisão?
Talvez você pense que tudo o que deu certo ou errado na vida, é responsabilidade sua. Isso é verdadeiro, e também falso. Agimos a partir dos nossos padrões, e tomamos decisões. Se esses padrões estão apontados para fugir de dores antigas, iremos acabar repetindo – afinal, a energia vai para onde está nosso foco (mesmo que inconsciente!). Exemplificando: se busco um trabalho onde acredito que terei segurança financeira, porque tenho medo da escassez, pode até ser que me estabilize, mas o medo da escassez continuará vibrando. Mesmo assim, tantas vezes é importante escolher dar um passo para trás, porque iremos trabalhar a humildade, o exercício de receber e podemos despertar a gratidão. Se isso ocorrer, nos fortalecemos.
Ao mesmo tempo, a vida continua nos impulsionando, mostrando direções e instigando que a gente sempre dê o melhor. Se a vida quiser que a gente saia de um lugar, mude a carreira, deixe para lá um produto, ela simplesmente fará isso! Diante do destino, somos pequenos.
Sempre que você for tomar uma decisão, precisará olhar para dois pontos:
- As suas crenças, necessidades e desejos: o que, racionalmente, está me movendo nessa escolha?
- A sua intuição – que fala através do seu corpo: qual decisão me traz um calorzinho na barriga, uma sensação de desafio, abre o meu coração, me deixa com a energia ativa?
Mente de principiante
Certa vez li um livro, Mente de Principiante, de Shunryu Suzuki, onde ele trazia o conceito zen-budista que desconstrói a ideia de que temos que dominar tudo, saber tudo, se julgar a partir de parâmetros muito exagerados. Você percebe como essa tendência de sempre pensar em ir além do que somos, alcançar patamares cada vez maiores, é uma crença aprendida, que causa ansiedade e insatisfação? Tudo bem que assim você pode se motivar, mas ao mesmo tempo, se motiva através do sentimento de insuficiência. Se move pela dor.
Na constelação sistêmica, usamos a frase “ser pequeno”. Que é de onde flui o maior poder, real e suave, dentro de nós. Como principiantes, pequenos, iremos sempre nos admirar com o que há de novo. Não importa se precisamos iniciar um novo estágio ou mudar tudo. Está tudo certo, pois já eliminamos a comparação dentro de nós. Essa comparação é um eco das vozes familiares e sociais que te ensinaram que você não é bom o suficiente.
Se você tem que começar uma nova etapa, seja na sua carreira, ou mudando radicalmente, ou ainda abrindo duas frentes de trabalho, respira… seja pequeno, e sorria! É uma nova chance, uma nova etapa, de uma vida que, no final das contas, não possui uma meta a ser alcançada. O que vale é: com que presença e com qual qualidade estou vivendo a minha vida?
